Domingo, Julho 06, 2008

Vísceras

Sou refém de mim próprio,
cativo do meu optimismo.
Não consigo ser verdadeiramente infeliz
porque não fui feito para isso.
Há sempre algo com o qual estou bem,
mesmo quando me sinto mal com tudo o resto
e não sei nem qual é uma coisa nem as outras.
Sinto-me completamente incompleto
e tenho tudo o que fui querendo
e nada mais quero pois tenho tudo, incompletamente.
Fui feito para sofrer assim; baixinho,
com uma luz na alma,
de bem com todos, feliz por fora,
chorando quase sempre num sorriso.
Passou o meu tempo de ter direito a ser triste.
Fiz-me assim, escolhi-me alegre, optimista, solar
e ninguém me conhece doutra maneira...
nem eu...
ninguém me levaria a sério...
nem eu...
Não posso mudar, não seria capaz.
Estou preso de desconhecer a felicidade futura
hipotética...
e a infelicidade também.
E não quero mudar porque sou tão feliz assim; triste
e tão perdido assim; contente.
Fiquei morno, temperado, mediterrânico,
à sombra dum sol que não há
e à luz duma sombra que queria ser negra
mas não consegue!
Espero em vão que a minha chama gélida derreta,
que ferva a minha calota e o meu iceberg.
(metáforas de um sub-trópico cheio de fleuma)
Espero que o sono chegue e ele foge
mas até a insónia se recusa a durar muito.
Queria ser tudo o que nunca fui
e explodir numa espiral de éter e bílis,
mas pensei-me demasiado em equilíbrio
e esqueci-me entretanto de procurar a vida...
passou-me ao lado antes mesmo de começar;
já sei que não vai ser de tanto querer que seja;
já foi outra coisa mesmo que não tenha sido nada;
perdeu o valor embora seja o mais precioso bem.
Não quero a companhia de ninguém,
quero poder repudiar o consolo e o conselho:
basto-me porque aprendi a não depender,
mesmo quando não tenho nada para me dar.
E anulo-me quando finalmente atinjo a plenitude.
Deixo de ser eu para ser só eu...
Queria ser outro eu qualquer enquanto me adoro, 
assim mesmo, a odiar-me, por não me deixar ser triste
e continuo assim, contente...
feliz mesmo...
sem que ninguém saiba...
nem eu.



Sto António já se acabou
O S. Pedro está-se a acabar
S. João, S. João, S. João
Dá cá um balão
para eu brincar

Sardinhas assadas
Bifanas
Kaalfsroket
e cantatas de Bach!

Segunda-feira, Abril 07, 2008

Há muito tempo que não escrevo

"Há muito tempo que não escrevo. Têm passado meses sem que viva, e vou durando, entre o escritório e a fisiologia, numa estagnação íntima de pensar e de sentir. Isto, infelizmente, não repousa: no apodrecimento há fermentação.
Há muito tempo que não só não escrevo, mas nem sequer existo. Creio que mal sonho. As ruas são ruas para mim. Faço o trabalho do escritório com consciência só para ele, mas não direi bem sem me distrair: por detrás estou, em vez de meditando, dormindo, porém estou sempre outro por detrás do trabalho.
Há muito tempo que não existo. Estou sossegadíssimo. Ninguém me distingue de quem sou. Senti-me agora respirar como se houvesse praticado uma coisa nova, ou atrasada. Começo a ter consciência de ter consciência. Talvez amanhã desperte para mim mesmo, e reate o curso da minha existência própria. Não sei se, com isso, serei mais feliz ou menos. Não sei nada. Ergo a cabeça de passeante e vejo que, sobre a encosta do Castelo, o poente oposto arde em dezenas de janelas, num revérbero alto de fogo frio. À roda desses olhos de chama dura toda a encosta é suave do fim do dia. Posso ao menos sentir-me triste, e ter a consciência de que, com esta minha tristeza, se cruzou agora - visto com ouvido - o som súbito do eléctrico que passa, a voz casual dos conversadores jovens, o sussurro esquecido da cidade viva.
Há muito tempo que não sou eu."

8-1-1931 - B.S. (L.d.D.) - (F.P.)

... z(?)

Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

O longo inverno dos blogs

Descobri que já estava a escrever (quase) só para ser lido!
Enojei-me e deixei de escrever pra que me deixassem de ler!
Parece que resultou mais ou menos... acho que já posso voltar a escrever para que NÃO me leiam!
Porque me apetece que as coisas sem sentido que me passam pela cabeça voltem a existir depois do meu delírio!
E vou deixar de andar a plantar sementes... sementes são as da erva... e essa fuma-se!

Quarta-feira, Dezembro 05, 2007

Moby

Terça-feira, Outubro 30, 2007

XXX

A*** É F*** Q** A*** S** S* V**!

(amor é fogo que arde sem se ver...
(amar
(.................foda
(.......................................anda
(......................................................................vir...

... e todas as combinações thereof...)

Terça-feira, Setembro 25, 2007

De redenen waarom

Pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net... pouca-net...
Porque nem sempre o que parece é
Porque nem sempre aquilo que tomamos como garantido é
Porque nem sempre o que não se parece não é
Porque nem sempre aquilo que não ponderámos não aparece...

Domingo, Setembro 16, 2007

!

!

Terça-feira, Julho 24, 2007

Glu glu glu glu glu

Domingo, Julho 08, 2007

Deve e haver

Não tou triste... mesmo... nada...
Tou é de férias!
Muito de férias!! e no entanto com muito trabalho! O que é ideal, porque consigo descansar enquanto trabalho!
Blogs continua a não me apetecer!
Apetece-me é tocar e ir prá borga!
Ah pois... porque tou na Terra-Mãe... pra quem ainda não tivesse percebido ou ainda não tenha estado comigo!!
Pra quem me quiser encontrar, passem pelo bairro onde vou estar na Borga! Ou na Póvoa de Varzim onde vou tocar dia 14/7, ou então nas Caldas da Rainha onde toco dia 21/7...
Depois disso faço férias ainda mais profundas e é provável não tar nem pra ler blogs (ou comentários, ou e-mails sequer) quase até Setembro!
Querem um conselho... façam o mesmo!

Cheers!
(se quiserem info sobre a Póvoa, ou as Caldas... ou mesmo sobre o BA... perguntem... mas ainda não porque, por enquanto, ainda não sei mais nada!!)

Quarta-feira, Junho 27, 2007

Pseudo-caliope-retrofírculo-vicioso

Não, não estou triste!
(Quer dizer... um bocadinho, mas não faz mal nenhum!)
Vai, vem, há-de ir e voltar mais vezes, mas não estou triste!
Tou só um bocado farto de blogs, é só isso! Não quero ofender ninguém, mas às vezes há destas fases em que não apetece andar aqui a participar nesta novela da blogosfera!
O que é um blog afinal? O meu já não sei bem! Foi uma coisa, outra e outra e outra ainda, mas agora já não sei se sei o que é... acho que ele próprio já tem dúvidas!
"Barroquista... o que és tu? Quem és tu!??"
"Eu sou tu!"
"Não, tu és tu... eu sou eu!"
"Não, {TU NÃO ÉS TU!} Tu és eu, eu sou tu e nós somos os dois um o outro!"
"Isso é o que tu pensas... querias lá saber quem eu sou!"
"Mas eu sei..."
"... Pensas que sabes"
"Penso logo existo!"
"Pois, pensas tu e penso eu... e se tu pensas, és... e se eu penso, sou... e por isso eu sou, tu és, ele é... mas nós... nós NÃO somos!"
"olha... vai à Merda!!"
"... vai tu..."
"Porra, que merda, nem imaginação tens pra inventar as tuas próprias ˝Punch-lines˝"
"Azarucho... tchau"
"Como assim tch................................................................

Domingo, Junho 17, 2007

Medo

Tenho medo de olhar para o visor do meu telemóvel e ver aquela luz verde a piscar e a relvelar-me intermitentemente as palavras Pai ou Mãe...




... Mãe
12:39

Sexta-feira, Junho 15, 2007

Às vezes o meu computador leva-me para sítios onde não planeava ir!

Leva-me só... arrasta-me

Às vezes a vida parece que faz o mesmo e foge à minha frente... num jogo infantil de apanhada fica à espera que vá a correr atrás dela!
E eu vou!
Tenho-a apanhado sempre (excepto quando ela se lembra de começar a jogar às escondidas... aí fico baralhado quanto às regras do jogo e nunca a consigo reencontrar)

Às vezes peço ajuda para chegar a sítios onde não tinha pensado querer ir... e eu vou! corro atrás dos sítios e eles deixam-se descobrir!
Às vezes eu já estava nesses sítios há muito tempo quando a vida me chamou a atenção para a partida que me estava a ser pregada e para as diabruras do meu computador e das ajudas que, supostamente, me estava a dar!

Às vezes não sinto só a minha vida a seduzir-me mas também as dos outros, que se insinuam subrepticiamente como quem magnetiza!
Às vezes deixo as vidas envolverem-se livremente neste jogo de sedução e acabo por perder a noção de qual das vidas é a minha original, porque entretanto elas já se miscigenaram todas e já não há nenhuma vida pura!

Às vezes tenho uma banda sonora que me liga às vidas dos outros de uma forma irremediável e noutras a banda sonora é só a minha... e que nunca será de mais ninguém porque vive só dentro de mim!
Mas seja lá qual das bandas sonoras for, o som está sempre lá! Não me deixa só por mais que um instante e eu não posso passar sem ele!

Às vezes perco-me, chego a um beco desconhecido e, sem qualquer receio de qualquer espécie, deixo-me ficar por lá... perdido com prazer! Porque sei que uma outra música qualquer dentro de mim há-de fazer com que o beco afinal seja uma Avenida! Porque nesse som hei-de descobrir os passos que tenho de dar para seguir no caminho novo que acaba de abrir-se à minha frente!

Here's my new adress
615... oh I forget
That's all your evidence
so take it home and run with it

Sábado, Junho 02, 2007

a vida e a morte (I)

um luto antecipado ensombra esta felicidade avassaladora que me abraça...

e no dia em que a chama se apagar vou chorar!

tentei em vão (e só eu sei quanto queria mesmo conseguir) que a morte verdadeira, a morte presente e não apenas a que espero que não chegue, me fosse indiferente. Que não me deixasse com a sensação amarga de que a vida é muito menos certa do que aquilo que imaginamos todos. Que me esquecesse de que às vezes a chama se apaga e às vezes se acende e leva com ela a vida!

Hoje estou feliz com a vida e não são estas mortes que a contradizem que me podem demover desta decisão!

Segunda-feira, Maio 28, 2007

Sexta-feira, Maio 18, 2007

One step closer to the edge


And then Nie Ma Litoschi...



...Ha!



Ah... and then we grew old and ugly!



AH!



H... unser Helelelelelelele...



Bah!



It's a Long-Highway, out of hell!



Quarta-feira, Maio 09, 2007

Obrigado a todos os que por aqui passaram (e a todos os que não passaram).
De ora em diante voltarei a ser apenas z (o José Gomes é o meu alter-ego).
Para os interessados e com quem não falei pessoalmente: o exame foi o melhor que fiz em quatro anos de estudos na Holanda, por isso sabe bem fechar esta página com distinção pra poder começar a escrever com mais leveza de espírito nas páginas brancas à minha frente!
A todos um até breve (para alguns mais virtualmente, para outros até daqui a três semanas, para uns quantos até à última semana de Julho - sabem, já estou a entrar em "modo-Caldas") e continuem a deixar dissonâncias das vossas passagens por aqui.
Beijinhos



"(...) procurámos os sons que a realidade não nos deu em realidades alternativas"
conteúdo latente



Ponderei bastante sobre pôr ou não o meu poster no blog, sobretudo por quebrar um pouco o sigilo da minha identidade. Até aqui tinha sido simplesmente "z" agora passo a ter um nome...


Mas enfim, quem me conhece já sabia, para os "virtuais" passei apenas a ter um nome próprio e um apelido, ambos vulgares, mas que juntos fazem o meu "nome artístico" de que me orgulho!

Assim ficam dadas todas as explicações para a minha ausência recente.
Agradeço muito as visitas do "habitués" e das novas caras/nomes que por aqui têm passado... em breve faço uma crónica do exame.
Até lá beijinhos, vou estudar!

Quarta-feira, Abril 18, 2007

Carlos Paredes - Verdes anos

Este post é uma homenagem, uma catárse, uma nostalgia, um aperitivo, um quarto andamento de uma suite portuguesa, a expressão de um sentir que rareia, uma inspiração sem limites e s tristeza infinita transformada em beleza e arte suprema. É algo que ainda não é meu, mas do qual vou fazer o máximo para me apropriar!

(P.s. este é o lado claro, em tons de verde e saudade... aconselho também uma visita ao lado escuro, em tons de branco e horror!... sem esse nada está completo ou faz o mesmo sentido!)

Domingo, Março 25, 2007

I need you to know...

Tenho os lençois frios à nossa espera... mas hoje não vens!

Às vezes imagino que me vais surpreender,
que amanhã de manhã vais acordar ao meu lado,
chegar durante a noite, abrir a porta com a tua chave,
entrar sorrateiramente na cama e aqueceres-me e aos lençois!

To see you when I wake up...

Tenho a paixão à flor da pele e do desejo!
Ardo! Ardo muito, mesmo que não o saibas
- mas normalmente adivinha-lo facilmente -
Ainda estou aturdido da adrenalina, desta benção!

...is a gift, I didn't think could be real!

Saio pela rua fora e tenho uma banda sonora à espera
Acompanha-me os passos até casa, onde te espero!
O correio é de qualquer maneira sempre para ti,
estamos nós mas tu não estás... porquê?

To know that you feel the same as I do...

(Fecho os olhos e de repente já aqui não estou!
é verão e sinto a areia ainda quente debaixo dos pés
e o ar frio a redemoinhar entre nós, o passado e o futuro.
E esta coisa estranha que é arder por ti em fogo eternamente novo...)

...is a threefold utopian dream!

Perco-me na loucura das coisas que te faço!
Dos sítios onde te levo e que não conhecias!
Dos sítios onde me fazes ir enquanto ardo em ti!
Das coisas que me fazes enquanto te enlouqueço!

You do something to me...

Venho aceso dos braços duma paixão maior, mortal, irresistível,
para arder nos teus braços ausentes que me tomam sempre,
mas encontro só o frio dos lençois com o teu cheiro,
e sinto o teu corpo, penetrando-me, quente!

That I can't explain!

Faz-me um sinal qualquer se me vires falar demais!
Avisa-me quando estiver a ser inconveniente...
mas preciso de te ouvir gritar por mim!
Porque hoje apetece-me mais!

So would I be out of line...

(...ao longe, o som das ondas a rebentar na areia molhada,
aquele arrepio que te percorre a espinha com o frio,
a surpresa do que a tua ausência fez comigo,
e a necessidade de abrir a boca e cantar...)

if I said...

Tenho os lençois frios à nossa espera... mas hoje não vens!

I MISS YOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOU!!

Tenho os lençois frios à nossa espera... mas hoje não vens!

Neste momento vejo-te a dormir na tua cama vazia,
vejo-te perdida nesse sono e nesse colchão imenso,
vejo quando aí te viras para o meu lado e eu aqui,
vejo tudo isto quando fecho os olhos e não estás!

I see your picture, I smell your skin on...

A tua pele arde contra a minha nesta fricção,
nestas voltas que damos e continuamos a dar,
nos caminhos que sempre descobrimos juntos,
no vazio das ausências e no calor dos corpos nus!

the empty pillow next to mine!

Sei o teu cheiro e as flutuações do teu olhar,
sei-te de cor como a palma da mão com que te acaricio,
sei o teu calor e a tua pele porque me queimam sempre que te toco,
sei-te com todos os sentidos mais alguns que ainda não foram inventados!

You have only been gone ten days...

(...entretanto desprende-se um acorde,
solta-se uma faísca que esperava a ignição,
e os teus olhos ardem como porta para a tua alma,
para a tua combustão completa, para sermos da mesma cinza!)

but already I'm wasting away!

Hoje não estás e os meus lençois continuam ali, frios!
Aqueces noutra cama e eu queimo por dentro, só!
Invento só para ti uma palavra nova, saudade!
Chamo-te e de novo ao meu lado, dormes!

I know I'll see you again...

Às vezes imagino que vais chegar a qualquer momento,
que os lençois estão quentes e podemos arder os dois juntos,
que entraste a meio da noite ou te vais juntar a mim no banho,
que a minha pele é tua e somos princípio, meio e fim de nós os dois!

...whether far or soon!

Às vezes sei que tu sabes daquilo que sabes que eu sei,
sinto com todos os sentidos e sei-te de cor!
E não é que achasse que não sabes,
mas preciso que saibas...

But I need you to know...

(Finalmente ardemos juntos num gemido e num choro feliz,
e sou só eu quem te canta ao ouvido e mais ninguém,
porque fui eu quem inventou esta melodia,
e é a nossa esta música!)

that I care...

Tenho os lençois frios à nossa espera... mas hoje não vens!

I MISS YOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOU!!

Tenho os lençois frios à nossa espera... mas hoje não vens!

...that I miss you

Quinta-feira, Março 15, 2007

Se uma arvore cair na floresta e não estiver lá ninguém para ouvir, será que faz barulho ao cair?

O sr. Importante para o sr. Insignificante:
"diga-me então, sr. Insignificante, o que pretende fazer quando for assim Importante como eu?"
"Bem, para dizer a verdade ainda não pensei nisso, sr. Importante, mas provavelmente perguntarei a srs. menos-Importantes-do-que-eu o que farão quando forem assim menos-Insignificantes-como-eu"

Punk Music is a joke,
cause it's really just baroque!

Three blind mice, three blind mice... actually 7... errrrr... actually 8, as we speak!

All songs have the same damn chords

Alguém me ajuda a encontrar-me a mim próprio? É que me perdi numa sala e ninguém me devolve à proveniência! Estou à nora dentro de nada!

Todas as paixões são iguais: são um mar de rosas no início até que se lhe desvendam os espinhos!

Todos os posts são iguais: são uma coisa no início até que se lhes desvendam todas as outras coisas que são na verdade!

Todas as canções são iguais: têm todas os mesmos acordes (do princípio ao fim e outra vez!!)

Todas as fotos, textos, poemas, etc etc etc, são meus except stated otherwise!

Todos os patinhos sabem bem nadar!

Todos os ratinhos se deixam apanhar! (Bem talvez nem todos, mas que há uns muito estupidos, lá isso há)

Todos os poemas fáceis rimam em "ar" (e viva a primeira conjugação)

Não tenho paciência para quase nada do que vejo por aí, e no entanto aqui estou, e no entanto (quase) só não digo nada às pessoas que me dão a ver coisas de que gosto...

Quase não como e ainda não desapareci!

Quase que sei o que queria dizer...

Quase que já não tenho palavras.

Quase que acabei...

Fim

Terça-feira, Março 13, 2007

Pachelbel Rant

Estive na dúvida... caderno dos atrofios ou barroquista?... mudei várias vezes de opinião, mas acabei por me decidir por este (assim aproveito também pra fazer publicidade ao www.cadernodosatrofios.blogspot.com) porque a temática não deixa de ser música (e barroca!! Ah, já agora, chama-se mesmo Johann, mas acho que o tipo já sabia!)
Quanto ao resto, bem, não tenho tempo nem pra postar! A vida é assim, quando se decide viver a verdadeira, a virtual fica pra trás (e vice-versa)
Até um dia destes!

Terça-feira, Fevereiro 27, 2007

Os posts dos outros




...transforma-se a vida real numa ode de prosa poética!

Às vezes troca-se o vice e o versa; vive-se de acordo com uma ode, às vezes com prosa, outras com poesia!

Misturam-se na escrita (no caderno vindo do Ganjes, nas linhas azuis, ou noutro caderno qualquer, de sonhos, de atrofios, tanto faz - às vezes até nuns cadernos demasiado pessoais para serem desvendados, quem sabe sequer se existem na verdade?) palavras soltas dos grandes mestres, dos clássicos, dos mais geniais que nós, com palavras tiradas da nossa existência quotidiana, com outras que nem se sabe de onde vieram, se dizem a verdade ou se mentem, ainda com recordações de uma vida passada (às vezes parece que com a vida toda condensada num grito e numa imagem apenas).











E qual o resultado? Seremos mesmo nós ou outros quaisquer? Será verdade ou mentira? Arte ou futilidade? Contradição ou sinónimo?
Talvez apenas a vontade de seguir em frente, de ser surpreendido mais uma vez, assim apenas, ao sabor do vento frio que entrou por essa janela, desse vislumbre fugidio de intimidade e impudícia e dessa espreitadela mal disfarçada de quem finge que não quer ser observada!

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

À atenção de dois casmurros que nunca hão de ler este post!

A minha avó Catarina, com a qual na maior parte dos assuntos passíveis de discussão discordo solenemente, tinha apesar de tudo, quando eu era mais novo, uma capacidade única para me desarmar, pela palavra, de certas birras - as que envolviam defender um qualquer ponto de vista indefensável ou do qual fosse impossível fazer prova irrefutável. Dizia ela: "um teimoso só não teima!" É difícil responder a isto, por muito casmurro que se seja, e só já não sinto necessidade de o fazer porque, entretanto e com a idade, acho que a mensagem fundamental por detrás do seu rifão foi interiorizada (e então tento lembrar-me dele - do rifão - e dela - da mensagem, não da minha avó - em momentos passíveis de virem a tornar-se teimosias). Mas enfim, imagino que nem toda a gente tenha uma avó Catarina, portanto por aí talvez não se chegue longe!
Eu sou teimoso, não me entendam mal, mas há uma diferença substancial entre teimar por ninharias, no dia-a-dia, e em ser-se conflituoso devido a teimosias ou casmurrices! Isso não sou; confesso até que às vezes me questiono com preocupação onde termina o ser-se conciliador e flexível e começa a personalidade fraca ou falta de "nervo"! Sinceramente, acho que é possível compatibilizar-se o ter-se princípios e convicções com fazer-se o máximo possível por compreender, respeitar, conviver com os princípios distintos dos outros. Até, quem sabe, questionar-se os nossos próprios princípios e certezas em função do que nos é dado a observar à nossa volta! Mas enfim, mais uma vez imagino que haja muita gente para quem os princípios são mais sagrados e importantes do que as outras pessoas (mesmo que uns sejam abstractos e as outras concretas e verdadeiras).
Outra pessoa também muito importante para mim tem um outro rifão interessante: "O homem evoluiu quando passou da agressão à ameaça, depois da ameaça ao insulto, do insulto à indiferença, e finalmente da indiferença ao diálogo" (é assim? se não for exactamente corrige-me, mas a ideia é esta!). Acontece que há muita gente presa na fase da indiferença, na do insulto, na da ameaça e, em casos extremos, no valente enxerto de porrada para resolver os seus diferendos! E há também muitas combinações possíveis destes vários estádios, em doses diferentes e com nuances, de acordo com as personalidades de cada um, com o género, com a forma como correu o dia... enfim, tudo o que se possa imaginar!
O pior é quando pessoas que se crêem inteligentes, que ainda por cima têm relações próximas e estreitas, decidem regredir na escala da evolução humana (e nesta eu acredito mais do que em qualquer Darwinismo, porque é uma perspectiva muito humanista!). A isso, para usar uma expressão "fedorenta", eu chamo parvoíce! Para usar uma expressão mais comum e que expressa muito melhor a minha estupefacção, é pura e simplesmente ESTUPIDEZ!
Mas a verdade é que os egos das pessoas, e esses em conjunção com géneros, hormonas, orientações sexuais, nacionalidades e muitos outros factores, provocam por vezes situações imprevisíveis e inusitadas. Absolutamente inesperadas e que são absolutos mistérios para uma mente tão limitadinha como é a minha (diga-se de passagem que nem sequer sei muito bem se deva averiguar ou não).
E pronto, tenho dito! Não resolvo nada, não ajudo, não clarifico, mas pelo menos está dito - e escrito que é muito mais vinculativo!
Ah... e também tinha saudades de escrever!

(sem título)

Não existe poeta verdadeiro,
existem somente Homens e poesia!
O Homem que é poeta é um embusteiro,
e se o não fosse nunca escreveria.

Existe vil miséria e atoleiro
e Homens que o descrevem com mestria,
mas poeta? Está por vir o primeiro
que não mude mau-estar em agonia.

Porque nunca se escreve o que se sente
ou sentem palavras, que nada são;
e por isso o poeta mente... mente:

Transforma um ai em pranto e depressão,
um passo numa epopeia eloquente,
e essa é a verdadeira ilusão.

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

Visões



























































Sábado, Fevereiro 03, 2007

Bach - Johannes Passion - Herr Unser Herrscher

Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

A paixão II

Obrigado a quem por aqui tem passado

Obrigado a quem desejou bom Natal, boas festas, boas entradas and so on and so on...
Obrigado a quem desejou feliz aniversário e também a quem se esqueceu!
Ainda bem que já passou a quadra e que se acabaram as férias e que voltei ao meu saboroso desterro!! Não que não tivesse sido tudo muito bom, mas tava a precisar de voltar à vida... a uma vida que conheço e me conhece a mim!

Além disso tirei férias da paixão e tinha mesmo saudades dela!!! Agora já andamos outra vez envolvidos em aventuras e sabe bem :P (só tenho um bocado de saudades do amor da minha vida!). Aliás uma das minhas new year's resolutions é alimentar uma outra paixão (a mais) antiga e passar a fazer "ménages a trois", para o qual tenho de me preparar bem!

Outra new year's resolution é deixar de perder tanto tempo em coisas acessórias... como por exemplo bloggar...
Por isso.
Tchau

Sábado, Dezembro 30, 2006

Diálogos imaginários (ou os parabéns a... mim)

"Então menino Zézinho, o que é que quer para os seus anos?"
"Bem, senhor George W., assim de repente, podia mandar enforcar o Saddam..."
"Ok"


É mesmo bom quando enforcam ditadores facínoras no nosso dia de anos!



P.S. (de 10/01/07) - só porque aparentemente muitos leitores não compreenderam bem o meu fino/macabro/de humor negro sentido de ironia...
Eu fiquei chocadíssimo com o acontecimento em causa... era das coisas mais tristes que podiam ter acontecido no meu dia de anos...
Enfim...

Sábado, Dezembro 16, 2006

A paixão!

Estou a apaixonar-me...
Não consigo evitá-lo...
Tenho um novo amor na minha vida e é bom voltar a sentir-me assim.
(não te preocupes que continuas a ser o amor da minha vida, mas não tocas...)
z ... to f

Domingo, Dezembro 10, 2006

Augusto José Ramón Pinochet Ugarte



À hora a que escrevo este post, faz precisamente duas horas que morreu Augusto José Ramón Pinochet Ugarte!
Há cerca de cinco minutos tomei conhecimento da notícia e, automaticamente (ou seja, sem ter pensado nisso, como se os meus dedos tivessem vontade própria), liguei a uma das minhas melhores amigas aqui em Haia.
Encontrei do outro lado da linha a Luciana - Chilena mas que nasceu na Suécia, onde viveu cerca de quinze anos, para onde a família emigrou perseguida pelo regime do ex-ditador - triste... abatida...
Liguei para lhe ouvir a voz, para lhe perguntar como estava, mas também, no meu impulso, convencido de que haveria algum motivo para celebração, ou pelo menos para um sentimento de alívio...
Em vez disso ouvi-a extremamente afectada e em baixo... porquê? Porque tudo o que aconteceu não pode ser apagado! Porque ter morrido Pinochet não pode ser nunca motivo de alegria, uma vez que aos milhares de pessoas (um número ainda não consensual de mortos - cerca de 4000 - e aproximadamente um milhão de emigrantes-forçados, refugiados poíticos) que sofreram por causa do regime no Chile nunca poderá ser restituido o que perderam nem apagado o seu sofrimento...

e eu compreendo... não fico mais triste com o acontecimento... mas também não fico mais feliz, porque esta morte não corrige nada do mal feito e que nunca poderá ser minimizado (já para não falar da questão de que Pinochet morreu impune e apoiado por cerca de um quarto (!!!!) da população actual do Chile).

talvez se fosse possível nunca mais haver (ex-)ditadores para morrer...

P.s. - Comemora-se hoje o Dia Internacional dos Direitos Humanos. (para pensar)

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

O Corno da Musa

O corno da musa que me desmusa,
neste cortejo de milhões de cornos.
Incrédulo dos ignóbeis adornos,
dos cornos velhos que ninguém mais usa.

No lamaçal desta harmonia obtusa
(em bafo d'Orco e nos seus quentes fornos),
em cruzes, em silícios, em transtornos,
me lança esta risível cornamusa.

Com mais ganas, ganância e menos arte,
seduz-me, enfim, o torpe desafio;
Musa, Corna, seja o que for, tocar-te:

E ronco e grasno e cacarejo e pio...
não há como amansar, como domar-te,
só a corna a musa que te pariu!

Sexta-feira, Dezembro 01, 2006

O Rato (parte 2... or should I say; "Epílogo")



TCHACK!

Tadinho... deixou-se levar pela manteiga de amendoim!
Não era tão pequenino como tava à espera... cinzentinho... gordinho... querido... e
MORTO
Vou ter saudades de o ouvir comer-me o interior das paredes... then again...
maybe not!!

Smoke Two Joints

Music from my youth...
Interesting thematics!
take care!
I like the 70's american high school aesthetic and the very cosy (in dutch we say Gezelig) ambience of the middle class family with the 3 year-old kid around the table!

Sábado, Novembro 25, 2006

Tributo

Menina estranha que comes chocolates:
À tua pergunta, estou bem, obrigado! A viver a vida ao máximo enquanto há!
O amor é aquilo que é, embora às vezes ele próprio não saiba bem aquilo que é!
Essa simplicidade é aparente; as coisas cada vez se desorganizam mais, se sujam e saem dos sítios onde originalmente tinham mais valor!
Máscaras? Eu já não me lembro é da minha cara real!
Se há quem não veja o teu sorriso, mesmo pálido, então vai à procura de a quem o mostres! Os sorrisos são para ser partilhados, não metidos dentro do baú das memórias!
Às vezes acontece é acordar-se não sendo ninguém, e ir-se dormir à noite sendo toda a gente, sendo mais do que todos juntos!
E isso é complicado, mas encantador! É Lindo! É a certeza de que os conteúdos hão-de brilhar sempre mais e de que o melhor de tudo estará sempre por vir!
Continua a brilhar!

Quinta-feira, Novembro 23, 2006

Comentário(s) avulso

"Tenho um contencioso com o tempo em tribunal! Ando a lutar, a lutar desesperadamente, mas sei que ando a perder o meu tempo (e apesar disso tenho de o continuar a fazer para dar paz à minha consciência), porque sei que o tempo me vai ganhar sempre, que não se rege por leis humanas e que todas as minhas queixas em tribunal não têm valor porque são feitas a homens que sofrem o mesmo jugo implacável do tempo que eu!"

z por aí

Sexta-feira, Novembro 17, 2006

Fotos by Nico Chaves




Requiem

I. Introitus
Requiem aeternam dona eis, Domine:
et lux perpetua luceat eis.
Te decet hymnus, Deus, in Sion,
et tibi reddetur votum in Jerusalem:
exaudi orationem meam ad te omnis caro veniet. -
Requiem aeternam dona eis, Domine:
et lux perpetua luceat eis.

II. Kyrie
Kyrie eleison.
Christe eleison.
Kyrie eleison.

III. Sequenz
1. Dies irae
Dies irae, dies illa
Solvet saeclum in favilla:
Teste David cum Sibylla.
Quantus tremor est futurus,
Quando judex est venturus,
Cuncta stricte discussurus!
2. Tuba mirum
Tuba, mirum spargens sonum
Per sepulcra regionum,
Coget omnes ante thronum.
Mors stupebit et natura,
Cum resurget creatura,
Judicanti responsura.
Liber scriptus proferetur
In quo totum continetur,
Unde mundus judicetur.
Judex ergo cum sedebit,
Quidquid latet, apparebit:
Nil inultum remanebit.
Quid sum mister tunc dicturus?
Quem patronum rogaturus,
Cum vix justus sit securus?
3. Rex tremendae
Rex tremendae majestatis
qui salvando salvas gratis
salva me, fons pietatis.
4. Recordare
Recordare, Jesu pie,
Quod sum causa tuae viae:
Ne me perdas illa die.
Quaerens me, sedisti lassus:
Redemisti Crucem passus:
Tantus labor non sit cassus.
Juste judex ultionis,
Donum fac remissionis
Ante diem rationis.
Ingemisco, tanquam reus:
Culpa rubet vultus meus:
Supplicante parce, Deus.
Qui Mariam absolvisti,
Et latronem exaudisti,
Mihi quoque spem dedisti.
Preces meae non sunt dignae:
Sed tu bonus fac benigne,
Ne perenni cremer igne.
Inter oves locum praesta
Et ab haedis me sequestra,
Statuens in parte dextra.
5. Confutatis
Confutatis maledictis,
Flammis acribus addictis:
Voca me cum benedictis.
Oro supplex et acclinis,
Cor contritum quasi cinis:
Gere curam mei finis.
6. Lacrimosa
Lacrimosa dies illa,
Qua resurget ex favilla
Judicandus homo reus.
Huic ergo parce, Deus:
Pie Jesu Domine,
Dona eis Requiem. Amen.

IV. Offertorium
1. Domine Jesu
Domine Jesu Christe, Rex gloriae,
libera animas omnium fidelium
defunctorum de poenis inferni
et de profundo lacu:
libera eas de ore leonis,
ne absorbeat eas tartarus,
ne cadant in obscurum:
sed signifer sanctus Michael
repraesentet eas in lucem sanctam:
Quam olim Abrahae promisisti
et semini ejus.
2. Hostias
Hostias et preces tibi, Domine,
laudis offerimus:
tu suscipe pro animabus illis,
quarum hodie memoriam facimus:
fac eas, Domine, de morte
transire ad vitam. -
Quam olim Abrahae promisisti
et semini ejus.

V. Sanctus
Sanctus, Sanctus, Sanctus
Dominus Deus Sabaoth.
Pleni sunt coeli et terra gloria tua.
Hosanna in excelsis

VI. Benedictus
Benedictus qui venit in nomine Domini.
Hosanna in excelsis.

VII. Agnus Dei
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi:
dona eis requiem.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi:
dona eis requiem.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi:
dona eis requiem sempiternam.

VIII. Communio
Lux aeterna luceat eis, Domine:
Cum Sanctis tuis in aeternum:
quia pius es.
Requiem aeternam dona eis, Domine:
et lux perpetua luceat eis. -
Cum Sanctis tuis in aeternum:
quia pius es.

Ahoy II

O branco; antes de tudo, o branco...
Depois as luzes!
Depois o som!
Depois as luzes com o som!
Depois estes sons que vivo, em que vivo, que me fazem viver!
E ver!
Oh ver!!!
Não dá pra descrever!
Não se descreve!
Não se escreve!
Vive-se
Assim, como o branco e os espelhos e os rais lazer!

O Rato

O Rato Roeu a Rolha da Garrafa de Rum do Rei da Rússia!
O meu Rato Roeu a Barriga...

Vá lá!

- Só um bocadinho mais!
- Não! Já te disse, já chega!
- Mas é mesmo só mais um bocadinho!!
- Mas porquê??
- Oh, Porquê?! Porque sim!!
- Mas não chega já?
- Não, apetece-me só mais um bocadinho... pequenino!
- Pequenino? Pois... tou a ver...
- A sério! Pequenino e suave!
- Mas que fixação...
- Não, tu sabes que eu gosto!
- Tá bem, mas o que é de mais enjoa...
- Mas não é demais!
- Dizes tu...
- Digo eu...
- ...
- Vá lá!
- ...
- ...
- Não faças isso!
- Isso o quê?
- Tu sabes!
- Sei? Não, não sei... só sei que...
- Só sabes o quê?
- Nada, esquece...
- Tá bem..
- Oh...
- ...
- ...
- Não tens de amuar!
- Não tou a amuar, apetecia-me mais um bocadinho.
- Outra vez?
- Tá bem esquece...
- ...
- ...
- ...
- Tás a dormir?
- Tou!
- Até amanhã...
- Até amanhã, gosto de ti!
- ...
- ...
- ...

Vandalismo

Vandalizar! Um desígnio irrestível! Anarquicamente rascunhar arte de baixa qualidade, ocupar espaço na parede, pintar coisas sem sentido, sem lógica, sem conteúdo!
Fazer um Graffiti de sons caóticos que se amontoem e que não deixem o pensamento desenvolver-se com coerencia! Coerencia? Verdade histórica? Apropriação de sentimentos? Dor verdadeira? Representação do inefável? Solilóquio frustrado! Tudo, tudo isso e muito mais! Agora esta busca da verdade última das coisas, depois fingir que as coisas não são roídas, corroídas, em seguida subir o volume para esquecer que nada faz sentido, finalmente descobrir o sentido da garatuja inventada.
E nada, muitas vezes mais nada!

Quinta-feira, Novembro 09, 2006

Oświęcim

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Ahoy

Tenho feito tanta coisa, tenho vivido tanto... tenho tanta coisa por fazer, tanta coisa por viver!
Seria possível, por isto tudo, escrever a minha vida sob a forma de post, mas não posso na verdade!
Ainda estou em divída para com os meus leitores, para comigo e, no caso do que hei-de escrever sobre Oświęcim, para com a humanidade - façam um google pra saber do que estou a falar - relativamente à postagem sobre "da road trip 2006"... mas também não posso!
O que posso é mandar por uns momentos a música erudita às urtigas (e mais a m**** dos relatórios das pedagógicas!!!) e voltar a ter 16 anos, no dia anterior a ir ouvir a minha banda favorita - quase a única que, a despeito da música erudita, ainda me faz vibrar a um nível superior e de quase fanatismo... não propriamente, mas enfim!

Amanhã vou a Roterdão ouvir Tool!

That's it

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

post mínimo

Ele disse: "Disfruta!"
E ela disse... "fruta?!?"

Sexta-feira, Novembro 03, 2006

huevos poetas 3

já agora... huevos, en america latina, são como os nossos "tomates"...
Na America latina, os homens têm (grandes ou pequenos... embora nenhum possa admitir tê-los pequenos!) HUEVOS!

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

Voltei

... e este post serve mesmo só para comunicar o facto e fazer saber que estou vivo! É que tenho tanto para fazer até (pelo menos) sexta-feira próxima, que não me posso permitir vir aqui passar o meu tempo. É que se aqui viesse falar do que quer que fosse das últimas duas semanas, ficava (pelo menos) até sexta, NON-STOP, a escrever!
Por isso é melhor nem começar. Só porque nem todos me conhecem pessoalmente e alguns leitores reclamam a falta de posts, aqui vai a explicação possível em formato telegrama:
Passei quatro dias em Chimay (Bélgica), em tournée (salvo seja), com a orquestra do conservatório, cheguei faz hoje oito dias e parti no mesmo dia para "da Road Trip 2006" com mais três cúmplices bagpackers, em 7 dias estivemos na Holanda, Alemanha, Polónia, Rep. Checa (e voltámos - Alemanha, Holanda). Vimos várias cidades, milhares de coisas, milhões de "filmes".
Deixo só a água na boca, não posso mesmo começar a desfiar o fio da meada, desculpem!
Mantenham-se atentos, porque esta(s) viagens dariam para escrever infinitos posts, e pelo menos muitos hão-de ser motivados por elas - assim eu sobreviva ao trabalho que tenho pela frente!
Se quiserem vão passando por www.cadernodosatrofios.blogspot.com porque a minha cara metade e cúmplice também por lá posta e hão-de aparecer lá coisas sobre a viagem!
Abraços e beijinhos
z muito mais iluminado e preenchido mas com muito menos energia física!

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

A Protecção Aeronautica adverte!

Mantendo-nos por terras do tio Sam.
Parece que uma avioneta se espetou contra um prédio de habitação em Manhattan (hmmm, porque é que isto me soa familiar)... malditos pilotos a voarem bêbados!!

Já sabem, se voar, não beba!

Domingo, Outubro 08, 2006

jesus camp trailer

... não tenho palavras...
... no comments...
mas espero reacções, perguntas, opiniões, discussão... ainda estou em choque!

Sexta-feira, Outubro 06, 2006

Ah... Bach

Ah... Bach


(este post é um work-in-progress, mas tenho curiosidade em saber se alguém se digna comentá-lo mesmo assim nesta fase embriónica... tenho curiosidade em saber o que pode daqui sair)

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(8-10-2006)
Sim senhor! Gostei muito dos resultados da experiência.
Tentei continuar este post e explicar a sua razão de ser... mas saiu-me tão mal que desisti!
Só tenho uma coisa inteligente a dizer... ouçam Bach (já agora, estou a falar de Johann Sebastian Bach - 1685-1750)
Se só conhecerem um compositor, se só ouvirem música de um compositor, que seja de Bach. Por todas as razões e mais algumas que decidi não escrever em palavras mas que talvez percebam através da música!
Estreei-me na 6a feira num projecto de orquestra como fagotista, com uma cantata de Bach e foi... mágico! Ando a tocar e a ensair Bach e é... mágico... é difícil explicar melhor!
Tenho urgentemente que aprender a pôr música no blog, porque é uma vergonha que um blog de um músico, com um nome que remete para música, esteja envolto em silêncio! Se me quiserem poupar o trabalho de ir investigar podem ajudar-me via comentários e nem sequer me ofendo se juntamentamente com a ajuda ofenderem a minha analfabrutice informática!
Até breve.
Boa Música!

Quarta-feira, Outubro 04, 2006

Escramalhanço

A minha vida está escramalhada (escaramalhada?)
Está escramalhada pelo chão do meu quarto em resmas de papel
Está escramalhada por resmas de papel povoadas por pentagramas e notas pretas e brancas
Está escramalhada entre duas cidades
Está escramalhada entre dois países
Está escramalhada entre dois mundos
Está escramalhada entre MUITOS mundos
Está escramalhada entre muita gente diferente
Está escramalhada por sons distintos e incompatíveis
Está escramalhada por instrumentos diferentes
Está escramalhada por demasiadas potencialidades e poucos resultados práticos
Está escramalhada entre realidades mais estranhas que a ficção e ficções que parecem ser reais
Está escramalhada entre o sono e a insónia
Está escramalhada entre a sobriedade e o alucínio
Está escramalhada entre a sanidade e a loucura
Está escramalhada...
por aí

Alguém me arranja um criado pra arrumar esta bagunça e pôr em ordem este escramalhanço?

Sexta-feira, Setembro 29, 2006

Quote Unquote

Citações das notas de programa do excelente exame final, que ouvi e vi na passada 2ª, de um grande compositor e amigo. Carlos Iturralde.

"Negation is no more possible than affirmation. It is absurd to say that something is absurd. That's still a value judgement. It is impossible to protest, and equally impossible to assent." (hence my not giving a damn about God)
"You have to work in an area where there are no possible pronouns or solutions, or reactions, or standpoints - that's what makes it so diabolically difficult" (I think we, musicians, had already had a glimpse of this evidence but it's conforting to read it like this, so bluntly expressed!)
"One does not have to look for distress. It is screaming at you" (Concordo e confesso que estou um pouco farto de, por exemplo, apenas alegria, equilibrio e proporcionalidade nas produções/criações artísticas... e blogs também, porque não?)
(todas as citações são de Samuel Beckett)


Bio-yeur
Voyageur
Voyeur

Crenças

Há dias a minha querida amiga Luciana, numa tarde de enorme produtividade modorrenta e num rasgo de génio, definiu na perfeição as suas crenças religiosas, e eu concordo e assino por baixo.
"You know, maybe there is a God, but... I couldn't care less! I'm a good person, I love my neighbours and all that, so if He exists I'm sure He won't punish me for not giving a damn about Him!"
Nunca me dei ao trabalho de esclarecer a minha posição religiosa. Respeito as crenças dos outros, mas sinceramente tenho melhores coisas que fazer com o meu tempo do que defenir as minhas orientações da fé. Acho que não sou ateu porque nem sequer me dei ao trabalho de NÃO acreditar em Deus!! Como disse a Lu: "I really couldn't care less"!


Frases soltas (não merecem um post só pra elas)
- os meus comentários nos blogs dos outros são uma espécie de associação livre de ideias, leio, vejo, escrevo, não penso, é o que sai!
- Nico, tenta escrever assim: livre associação de ideias, e vê o que sai.
- Banda sonora: Muffat (cortesia do blog do 0.0). Que música incrível que falta na minha discografia. É é obviamente uma gravação ao vivo, muitas notas desafinadas, mas interpretação incrível!!! (Carolina, vai lá à procura das sontas para violino do senhor!!)
- Este é o meu post 69...
- Vou estudar que é para isso que tou neste godforsaken país

Maturidade. Amor. Perdão

"... só a maturidade e o amor viabilizam o perdão (?)"

Eu amo
Tu amas
Ela ama
Nós amamos
Vós amais
Eles amam

O mundo está perdoado (se tiver a maturidade suficiente para isso)

d'algibeira

"(...) o quadro doméstico amarra-nos às pessoas que somos na vida quotidiana, mas que poderão muito bem não convir à essência do que somos."

com uma caligrafia distorcida.

num quadro caótico.

à beira de qualquer coisa de mau.

e se me deixasse cair? será que depois me levantava?

Domingo, Setembro 24, 2006

Epílogo e Post Scriptum (post 6)

Ainda tinha mais coisas pra escrever, mais posts para celebrar o aniversário do blog, mas se calhar ainda bem que não o fiz! Estava a ficar maçudo!! Além disso estava cansado, assim como um citrino bem espremido e que já tem pouco sumo, tinha já poucas palavras pra escrever, embora ainda muitas ideias!
Era já tarde e a vida lá fora - aquela que parece mais real, onde as pessoas são de carne e osso e as palavras não são só escritas mas têm som - chamou por mim. E eu fui!
Fui para Amesterdão e aqui estou, a fechar as comemorãções do 1º aniversário, espero que tenham gostado da festa e que contem aos amigos pra ela se poder repetir!
O P.s. é só porque, o pior de escrever tantos textos (e tão longos), é que depois eles aparecem pela ordem inversa pela qual foram escritos e às vezes segundo a qual faz mais sentido lê-los. Leiam como quiserem, mas leiam e comentem... se quiserem sigam a ordem (para isso escrevi post 1, 2, 3, 4, 5, 6), se preferirem sigam a desordem, a anarquia, ou criem a vossa própria! Como queiram.
Até já, vou ali viver mais um bocado!

Sábado, Setembro 23, 2006

Histórias pequenas (post 5)

O telefonema

Chovia lá fora, o ruído contínuo e surdo enervava, mas não mais do que a consciência de que, ali sentado na sua cadeira preferida - daquelas de escritório, que se ajustam para cima e para baixo com uma manivela que faz lembrar um sistema hidraulico, e com rodas para passear pela sala/escritório e ainda com a possibilidade de simplesmente girar em torno de si própria - estava sobretudo a perder tempo precioso, aquele de que se arrependeria quando, com muito mais stress e tensão em cima, se começasse a colocar a mesma velha questão: "mas porque é que eu não comecei isto mais cedo?"
Estava neste finge-que-faz havia já algumas semanas, e a modorra começava a inquietá-lo (por estranho que pareça alguém inquietar-se com a própria modorra, como se se estivesse a observar de fora). Há dias um telefonema inesperado despertara-lhe a curiosidade, mas apenas o suficiente para afastar os olhos e o pensamento daquilo que fingia-que-fazia durante não mais que uns segundos. Era um amigo - bem, era pelo menos um bom companheiro, bom colega, era o namorado de uma grande amiga - a ligar apenas para saber como ele estava, sem mais nada, apenas para conversar cinco minutos, imbuido duma curiosidade daquelas que não espera nada em retribuição. Mas a modorra era tanta que o interesse que lhe suscitou o telefonema não foi suficiente para quebrar o gelo, e a conversa decorreu sem fluidez, fora do contexto habitual da mesa com cervejas e discussões sobre música ou futebol, e terminou rapidamente apenas com a promessa - daquelas de conveniência que ambos os interlocutores sabem, no momento em que a fazem, que não vão poder nem querer cumprir - de manter mais contacto e combinar qualquer coisa para um dia destes.
Este telefonema perdeu-se e enevoou-se na memória do faz-que-faz, e as suas acções mecânicas voltaram à mesma rotina mais rapidamente do que teve tempo para se aperceber delas. Causava-lhe desconforto a percepção de que devia largar tudo aquilo imediatamente, escolher fazer outra coisa qualquer, ir passear à chuva se fosse preciso. Mas não era capaz, não era uma questão de escolha; era qualquer coisa de invisível e indefinido que o mantinha ali, repetindo os mesmos gestos até à exaustão, obstinadamente!
Chovia, chovia ininterruptamente (ou então aquele ruído já estava gravado no seu sistema auditivo como uma banda sonora opressiva) quando soou de novo o telefone. Um número desconhecido e um "Estou sim?", a princípio soturno e macambúzio pela interrupção da sua concentração abstraída, até ao momento em que reconheceu a voz do outro lado da linha. Era um amigo, não o mesmo, um telefonema tão inesperado como o primeiro, a mesma curiosidade desinteressada, a mesma conversa descontextualizada, os mesmos resultados no mesmo tempo - com a pequena nuance de que ambos os interlocutores faziam tenção de cumprir a promessa, apesar de saberem que o tempo provavelmente se encarregaria de lhes entorpecer a motivação e o entusiasmo - mas apesar de quase todas as circunstâncias idênticas, este telefonema fez um click, acendeu uma luz, desentorpeceu-lhe a mente e fê-lo acreditar que afinal ainda havia gente lá fora que tinha o condão e o poder de mudar o nosso estado de espírito num dia cinzento e de letargia.
Fim da chamada, um minuto de olhar no vazio e pensamentos despreocupados, e depois voltou a amodorrar-se, a anular-se no piloto automático do não-pensamento e a repetir as mesmas coisas que sabia lhe faziam mal. Mas Feliz.






Os 4 botões

O drama, a tragédia, o Horror! De ir um dia a passear pela rua e ficar com as calças na mão! Que situação embaraçosa. Um botão tinha caido havia já meses, mas as calças aguentavam-se bem com o que sobrara, mas agora, agora era o desespero. O segundo botão ficava lasso e dava tanto trabalho mudar de ideias e escolher outro par de calças! Um acto de fé, uma iluminação, um salto no vazio e no escuro; "vou pregar o botão" pensou! Agulha, linha, quase total inabilidade manual, voltas e mais voltas, em excesso, mas como não sabia nada sobre a qualidade do trabalho, preferiu apostar na quantidade. Um botão firme e seguro! Conseguira! E não contente com a façanha, pregou mais três de roupas velhas, abandonadas por falta do mecanismozinho para as apertar e que tanto teimava em cair!
Foi das maiores coroas de glória que alguma vez ostentou. Pregou 4 botões!

Noites filmáticas (post 4)

Quinta-feira à noite. Acabei de sair do KonCon, 1 hora no estúdio 1, sozinho, só para mim. A flauta nova soa bem, tem potencial. O Voorspeelavond foi curtíssimo e ainda bem, o Nico não apareceu e fez bem. Granda seca! Não toquei por razões que agora não vêm aqui ao caso (e se calhar ainda bem). Estou aborrecidíssimo, entediado (bored, porque foi em inglês que me senti). A Henrikke está em França. Ligo ao Nico, está mais perto, mas está do outro lado da cidade, não vamos sair. Hoje à noite não há nada. Espera, ontem o widget do dashboard dizia que sexta estavam 27! Claro, vamos à praia amanhã! Phones nos ouvidos, alucino até casa. Consulta rápida ao dashboard, a temperatura de amanhã já desceu para os 22 (enganaram-se de certeza, se acreditasse nisso agora rezava, pelo menos uma vez na vida enganem-se a nosso favor). Embezerro (a Ana entregou o projecto hoje). Um toque da Ana! Acto contínuo um telefonema de um +35121, não era quem esperava. Isto é outra história. Devolvo o toque à Ana. Vou resistir, hoje não! Embezerro um pouco mais. As minhas sementes deram frutos de que não estava à espera! Desembezerro um pouco, não foi mau de todo. Compromisso. Não é demasiado tarde. Última revista ao que há que fazer amanhã, prioridade, mail de parabéns ao João! Apago.
Sexta. Bem, sol está! Acordar devagar. Mail enviado. mais um bocadinho de colheita. O jornal desportivo. Merda, não falei com mais ninguém. Nico, vamos à praia? Si claro boludo! Falaste com mais alguém? Elena está deprimida, Luciana en el Conservatório y Tulio tiene ensayos! Vem cá ter! Ok bye hoore! O herpes arde-me! Merda! Mas o que tem de ser tem muita força! Duas horas de fagote! O herpes arde-me mais (porrra, já devia ter passado!!). Elena. I'm at Scheveningen and I'm going home, it's no weather for beach man, I'm depressed and I'm going home. Héla Kalé, vem ter a minha casa o Nico também vem! Well ok. Pois, de facto JÁ não está tempo pra praia! Já devíamos ter juízo, mas o desespero pelo sol é mais forte. Primeiro dia do Outono, não quer dizer nada, verão também não houve. Nico. blá blá blá. Conto-lhe o voorspeelavond. Primeira sessão de maledicência, mas é verdade, o que havemos de fazer? Elena. Afogou a depressão nas compras, tem dois anéis e dois pares de sapatos novos e só pagou um de cada! Vamos almoçar fora? Duas horas mais tarde, Vamos almoçar fora!
Bicicleta. Chinatown. Really nice cheap chinese place! Tá bem Elena. Mag ik éen biertje, en nog éen? Mischien éen Tjap Suoi of zo, met iets fried (a chinesa até fala inglês) rijst en noodles. Met alles? Met alles! Blá blá blá. Porque estamos deprimidos. Porque detestamos a Holanda. Porque é que a Elena está deprimida. Sexo. Drogas. Namorados. Namorada. Amantes. Falamos mal dos colegas de quem não gostamos (quer dizer, eu não sou o músico prototípico, mas caramba, sou músico, os músicos falam mal dos outros músicos, é assim, sempre foi e sempre será... também não posso ser completamente diferente). Muitas infantilidades. O que fazemos hoje à noite? Man I feel so much like going out to dance you have no Idea, why we don't ever go to Danzig, we could call Rui (pronunciado RGHRui)? Danzig? Yo iria a ver una pelicula, a tu casa, porque no? Pá, façam como quiserem, por mim tanto faz! O Nico ganha. (De rekkening alsublieft). Bem, tou cheio que nem um porco. Só como outra vez amanhã! Nico vai ter com o Ricardo. Zé e Elena vão à procura de Dvd's. Elena enterra um bocadinho mais da depressão no saldo negativo! Two joints for the way at Meneer Jansen. Vou a casa buscar os óculos e uns restos que também lá tenho (ainda são os do pequeno almoço com o Beto!!), até já.
Começamos a ver o filme ou esperamos pelo Nico? Call him! Que van a ver? Scarface! Ah ya lo he visto, empezén que llego en un rato! Ok we save the joint for when he comes. Tá bem. Scarface. Actually we could light the joint. Tá bem. Scarface, mas agora um bocadinho diferente. Telefonema da Sofia. Estamos a ver um filme em casa da Elena e da Luciana. Ah ok, até logo. Nico. Turkish pizza. Scarface mas cada vez mais intenso (meu deus tantos montes de cocaína!! mas o sotaque cubano é convincente!). Luciana. Últimos dez minutos do filme e começa a fazer perguntas sobre o princípio... hmmmm. Fim. Wow man, it's great huh? Mais uma volta mais uma viagem. Cornelius. Malaka kalé (e muito mais grego a partir daqui). Papas. Chocolate. Mais chocolate. Vla de chocolate. Bolo. Coca Cola. Do you roll one from your weed, I want to try it? Não o queres fazer tu? Ok! Blá blá blá. Porque é que o Cornelius está deprimido. Depois o amante da Luciana. o Nico está ausente. Eu às vezes.
Hey, let's see another movie, I bought two! Qual es? A night on Earth. Ok. Vla com bolo. Los Angeles. Joint. New York (eastern Germany caricaturada, ou não?). Telefonema para o Nico (a seguir é a minha mãe, não me ligou ontem). Pausa. Paris (pretos racistas e cegos visionários). Mãe. Tamos em casa da Elena a ver filmes. Roma (Roberto Benigni no seu melhor). Nico, come on, leave the phone already! Helsinki. Luciana, Ah, that's so much like Sweden man!! Frio. Muito frio. Muito muito frio. Distante. O vizinho destruído no passeio gélido. Olá vizinho... o quê, acabou assim? Great movie man. Pausa. Deep Throat. Hey, but not the movie man, it's disgusting, let's watch the documentary. Sim, por mim está bem. Cansaço. Desistências. Sono. Eu e a Elena sobrevivemos, não estamos de acordo, mas é tarde de mais (and three joints latter) pra discutir pontos de vista. Até amanhã
Casa. Phones nos ouvidos. Alucino. Mais um bocadinho de colheita. Acabo os restos (ficam prontos para a próxima). Embezerro. Não há net, vai e vem. Embezerro na mesma! CHEGA! Cama. São Banaboião. Resisto só três páginas, passa das cinco, desisto. Até amanhã

futilidade estética (post 3)

Ah, é verdade, o que é que acham do novo look do barroquista? Tenho pena de ser tão analfabruto no que a informática diz respeito, porque até me apeteceria criar o design do meu próprio blog - teria imaginação suficiente para criar qualquer coisa mais interessante do que estes templates pré-definidos, mas enfim, não tenho é as capacidades técnicas!!
É assim mais soft (não há nenhum template mesmo barroco, se não usava, é tudo muito "moderno"... yuck), mais light, mais tablóide, mais azul bébé (ou cueca se a outra referência puder ser interpretada como pedofilia!)
Digam de vossa justiça.
Eu sei que é fútil, mas, o que é que querem, eu sou assim... vaidoso (Porra, ainda bem que nasci gajo! Se fosse "gaija" seria insuportável!)

O diário (post 2)

Quando era mais pequeno – primeiro pré-adolescente, depois adolescência adentro – tinha um diário. Era-o na verdadeira acepção da palavra, sob diversos pontos de vista, tanto no que diz respeito à assiduidade (na entrada seguinte a um dia de ausência escrevia: “ontem não pude escrever porque...”), como no que diz respeito à minha forma de o encarar – era factual, um repositório das minhas acções, das acções dos outros, dos meus pensamentos e dos dos outros, mas sempre em relação a uma acção qualquer. Foi assim até tarde, até a um momento fatídico, até a um verão especial em que tudo aconteceu sem na verdade ter acontecido tanto quanto isso (não é assim que as coisas são sempre quando somos adolescentes?)
Curiosamente, o barroquismo sempre lá esteve, um pouco na maneira de pensar, um pouco na maneira de escrever, um pouco noutras pequenas características mais desviantes e desviadas da norma, mas não completamente expressas ou manifestas... digamos: latentes ;) . Por exemplo, nos seus três cadernos (dois e meio para ser mais exacto, porque na verdade ele ainda existe, não foi encerrado ou dado como terminado, embora agora, por exemplo, tenha ficado em Lisboa, por isso já se vê a distância que entretanto se criou entre nós) sempre foi impúdico e esquizofrénico, sempre quiz sair do anonimato e ser anónimo ao mesmo tempo, sempre foi sendo lido como um livro de contos, entrada a entrada, a alguma namorada, amiga mais próxima, ou simplesmente a um público inexistente que faria esgotar dezenas de edições do best-seller inesperado – mas enfim, isto era apenas a semente da minha sempre exacerbada megalomania barroquista a despontar; o meu animal de palco a decidir por mim; o exibicionismo contido a esforço para contrabalaçar uma timidez (mal) forjada e de conveniência.
Pelo meio houve uns cadernos dos atrofios – os originais, em papel – mas que nunca foram ideia ou projecto meus, por muita estima que lhes tivesse! E mesmo assim eram muito factuais, eram atrofios em sentido lato, eram públicos, mas eram reais, existiam. Não eram, como agora, apenas palavras encadeadas, muitas vezes exclusivamente com o critério de poderem ser encadeadas desta forma e não de outra. Apenas objectos quase artísticos com uma beleza intrínseca, som puro, harmonia, eufonia... independentemente do conteúdo que possam carregar e das coisas maravilhosas que possam dizer – e o recheio nem sempre tem de ser o principal ponto de atracção, como espero provar hoje durante o dia. Desviei-me, à grande: NÃO, NÃO eram isto, nem os cadernos dos atrofios nem o(s) meu(s) diário(s).
E depois aquele verão em que descobri tantas coisas novas. O verão de uma road-trip, de uma certa história com uma certa jante, do Tabu... o Tabu, que mais ou menos ainda o é apesar de já não termos idade para isso, mas que me disse muito sobre mim próprio e forjou a nossa relação da forma que tem agora. A descoberta do sexo e tudo o que isso muda, para o futuro e retrospectivamente, e mesmo o facto de que a nossa relação também foi interrompida e reinventada depois desse verão. E, claro, a Manta Rota, o móbil, o culpado! O Jamaica (por acaso estou a misturar verões, o Jamaica até foi em 1998, não em 99), os Fêos!, o Nando, o X, o Laia, o pessoal da cidade (incrível como mundos diferentes se cruzaram tanto em tempos... ATÉ o pessoal da cidade esteve na Manta Rota), o João de Beja, o carro do Mário, a Música, a perspectiva da faculdade (embora essa estivesse só no sub-consciente), a Ana a tornar-se a minha melhor amiga, e tantas tantas outras coisas mais! E tantas outras coisas de que me lembro apesar do êxtase em que andava, mas que não posso contar aqui, porque isto é um blog, sim, mas tenho de manter a ilusão de que há passados que são só meus e que existe uma coisa chamada privacidade!
Mas estava a falar do meu diário e fui parar à Manta Rota como? Não, não foi por engano, foi nesse verão que ele morreu e nasceu outra coisa qualquer dentro de mim (aliás esse verão matou e fez nascer muitas coisas dentro de mim!!). Foi depois desse verão que o barroquismo se tornou a corrente estética dominante e abafou o meu jornalismo infantil, que as metáforas se emanciparam, que os advérbios de modo se passaram a atropelar, que as reticências e os parêntesis foram elevados a estilo e que as figuras de estilo explodiram em sons e cores de novidade, que os dias deixaram de ter importância, que as entradas se tornaram escassas, que os conteúdos passaram a ter um significado com outro subjacente e outro ainda latente e outro ainda subentendido e outro ainda metafórico e outro ainda imaginado e outro ainda adivinhado e outro ainda criado por quem me lê e outro ainda... E mais: aconteceu isso tudo, mas primeiro de forma premeditada, como um esforço consciente, para ser assim, para pensar assim, para escrever assim, para me defender de mim mesmo e sobretudo dos outros. Mas foi inventado, primeiro difícil e anti-naturalmente e depois, gradualmente, à força da repetição, do estudo e da prática, tornou-se de tal forma em mim próprio que agora não seria capaz de escrever, pensar ou ser de maneira diferente (sempre assim às voltas, para trás e para a frente, em colunas e volutas, em rebiques e rapaqueques, em adornos e ornamentos, em testamentos, assim, barroco. Barroquista!).
Tudo aconteceu a 20 e qualquer coisa (2,3,4,5, por aí) de Agosto de 1999 – agora não tenho aqui os meus diários, não posso confirmar a data exacta, e talvez nem a Ana me saiba dizer, não foi com ela que se passou. O meu diário, muito impúdico, muito exibicionista, muito com vontade de ser lido... FOI LIDO. Foi devassado. Sem a minha autorização. Sem o meu consentimento. Para ser usado contra mim. Por desconfiança. E morreu!



Epílogo: (sobretudo dedicado a amenos)
O último paragrafo tinha de ser escrito assim por questões estilísticas e de força maior literária! O diário tinha de morrer depois desta história, e tive de matá-lo assim! (bem, ele morreu mesmo, mas a questão não é essa!). Não há absolutamente rancor nenhum, ressentimento 0, desconfiança ainda menos. Não é uma crítica nem uma reprimenda, não é para fazer ninguém sentir-se mal. É um conto baseado em factos reais (alguns mais irreais, outros mais surreais). Aliás o post é, quanto muito, uma homenagem e um agradecimento MUITO sincero por, ainda que involuntária e inadvertidamente, me teres lançado no caminho do barroquismo e do que sou hoje (e virei a ser amanhã). Por acaso naquela altura até estava a precisar daquela desconfiança e quem sabe como os caminhos da vida se teriam trilhado sem aquela guinada (nunca se pode saber, não é? Por isso não vale a pena pensar-se mais nisso). Obrigado amenos, pela preocupação ingénua e mais ou menos justificada e pela defesa acérrima de leoa da sua cria! Obrigado por te teres assustado tanto com um desvio tão pequenino (imagina se fosse agora que aqui estou, tão longe, e logo na Holanda... hahahaha!).
Obrigado pela parte que te toca no meu barroquismo (que não é amenos parte)



P.s. – faz parte do barroquismo, começar a escrever um post com um plano mais ou menos traçado, com três ideias pra elaborar, e terminar com uma pequena sonata do princípio do barroco italiano com os andamentos encadeados, ou uma mega-ricercata... à procura, à procura, à procura, até que descobre uma cadência e, pronto acabou... não há cá Dominante-Tónica- Dominante-Tónica- Dominante-Tónica- Dominante-Tónica- Dominante-Tónica-Dominaaaaaaaaaaaaaaaaante... Tóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóónica. Comecei com três linhas e acabei com... bem, ainda não acabei e já vou em mais de três páginas (o post está em documento word porque não tenho net, logo hoje que faço anos!!). O P.s. e o epílogo são uma coda... a música já acabou, mas não me apetece ceder já ao silêncio.
Logo agora que começava a ter leitores tenho de os afugentar comigo próprio. Quem é que vai ler o post até ao fim quem é? Eu sei! E comenta primeiro quem tiver a sorte ou azar de ligar a net mais cedo, mas sei quem é que vai comentar com mais entusiasmo e quem vai comentar com uma lágrima ao canto do olho e quem é que eu gostaria que comentasse e não o vai fazer!
Fim (tónica).

Parabéns (post 1)

3... 2... 1...
PARABÉNS (grande ruído indefinido nos bastidores, de festa, excitação, foguetes, foguetões, sinos a dobrar e mais foguetes, um orgasmo metafórico que é o que se pode mostrar no meio de toda esta censura explícita/implícita e moral/imoral).
O Barroquista faz um ano hoje e eu tenho para ele um projecto megalómano!
Fiquem por perto e vejam!

(inspiração: muitas, a vida toda, mas “Inside Deep Throat” – e o filme virá em breve – é sem dúvida uma das imediatas)

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

...

...
"E então, o que estiveste a fazer? Tocaste?
Não, andei a plantar sementes!
Para quê?
Não sei..."

Às Vezes.

Volta não volta vou mudar tudo.
Às vezes vou mudar o Mundo, o de lá de fora, outras vezes sou mais modesto e vou mudar apenas o de cá de dentro.
Volta não volta tenho reuniões editoriais e vou mudar a linha dominante; sei lá, tornar-me tablóide, ou generalista, ou intelectual, logo se vê.
Às vezes aborreço-me e vou tornar-me romancista, ou poeta.
Volta não volta desespero com o que os outros fazem melhor que eu, mas só aquilo em que me projecto nos outros, só aquilo que decido que podia fazer depois de os ver primeiro!
Às vezes parto, decidido, rumo a um lugar e pouco depois descubro que tomei a direcção errada e fui parar aos antípodas.
Volta não volta volta tudo ao mesmo.
Às vezes decido coisas até às 5, outras só até às 4.
Volta não volta durmo pouco, e às vezes quase nada.
Volta não volta vou mudar tudo, e depois?
Bem depois não muda quase nada!
Quer dizer, mudar sim, mas devagar!



P.s. (como morrer, ou talvez não, mas a esse assunto voltarei com mais calma)

Quarta-feira, Setembro 20, 2006

Dias cheios

Dias cheios de vida e de receios são altamente cansativos! Dias cheios de pequenos nadas aos quais tentamos dar mais significados do que aqueles que realmente têm para que possamos acreditar que afinal os nossos dias são cheios e significativos! Dias cheios de vazios e desculpas para que esses vazios sejam cada vez mais importantes e nos preencham! Dias cheios de coisa nenhuma sob a forma de tudo um pouco! Dias cheios das mesmas velhas coisas a que tentamos dar um ar de novidade! Dias cheios de coisas novas que afinal são sempre as mesmas repetidas! E no entanto dias e dias atrás de dias! E sempre algo de novo nas coisas velhas, e sempre algo de velho nas coisas novas, e sempre o plano de algo de novo e algo de velho, e sempre um dia cheio de vazios como certeza do próximo dia quando mais um dia cheio acaba!

HIP ... HAPPY

Are you HIP?
Are you HAPPY?
Are you Sad?
Are you Worried?

Come and join us, we are the ones.
We are the ones who grow Hemp outside our front doors.
We are the ones who inspire, who transpire!
We are the ones who expire, who exhile!

Are you HASH?
Are you HOP?
Are you Alive?
Are you Dead?

Come and joint us, we are the ones.
Who live in Bierkade and live of those.
Who plant our hapyness in a flower pot!
Who pot our future in a flower bud!

Transpire me...
Expire me...
Exhile me...
Inspire me!

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

911

É verdade... hoje é 9-11...
Enfim, tenho muita pena e respeito pelas vítimas do atentado. Mas no Tsunami morreram muitos milhares mais e também não tinham culpa nenhuma. E volta e meia há um terramoto no médio oriente ou noutro sítio qualquer que provoca o mesmo número de mortos (ou menos, não importa! provoca uma quantidade astronómica de mortos) e nem por isso se criam correntes de solidariedade para com as vítimas. Por isso o luto e a confusão que nos faz esse tipo de calamidades (sejam naturais ou provocadas por terroristas) é sempre relativa! Como dizia a minha amiga Ana numa perspectiva bizarra recente, vivemos rodeados de violência, por isso é impossível sermos sensíveis a tudo quanto é aberração e horror!! Acabamos por ser sensíveis a umas quantas coisas seleccionadas, que nos servem de amostra, e que na maior parte dos casos nem sequer são escolhidas por nós mas nos são impingidas pela comunicação social e por orientações editoriais!
Mas o pior o pior (sic.) é que à pala de um atentado terrorista bárbaro (nem sequer me passa pela cabeça defender qualquer hipotética razão ou justificação para os fundamentalistas islâmicos), em 5 anos foram iniciadas directamente guerras que mataram muito mais do que as vítimas das torres gémeas, foram criadas as condições de instabilidade para que muitas mais guerras se iniciassem, mesmo sem a participação directa nem dos Estados Unidos (agredido) nem de um hipotético agressor fantasma! E o Mundo é um lugar muito mais inseguro do que era há 5 anos, mesmo depois dos ataques às torres gémeas!!
Não percebo nada de política global - estou a pensar em macro-política, em história política e não em decisões políticas individuais - nem sequer de economia global... nem de nada global, por isso não consigo entender a fundo as questões mais complexas de toda esta história! Apenas consigo seguir com atenção os resultados visíveis e os mais ou menos faits-divers que se sucederam nestes 5 anos... mas, na minha ignorância e pequenês, remeto-me a observações simplistas, e a conclusão que tiro é que me parece aberrante a maior parte das acções e reacções tomadas por ambas as partes (partes? quais partes? os Estados Unidos contra... hmmm deixa cá ver... O bin Laden, a Al-quaeda, os Taliban, o Afeganistão, o Sadamm, o Iraque, o Irão, a Coreia do Sul, o Hezbollah, os palestinianos... alguém mais quer por-se na fila??) e me parece impossível e inaceitável que o mundo seja um lugar tão mais perigoso e restritivo do que há 5 anos!
E a culpa não é (nem só nem talvez principalmente) dos fundamentalistas islâmicos... e mais não digo (porque não quero e porque não sei!)
Oix!
Propx po meu ppl! Taxe bem
Ixtu aki taxe +- na mexma u k e fix purke n xe xta pior! Lollolololol
Axu ke exta xena dux blogx e mta loucax! O ppl devexe encontrar aki pa faxer gandax fextanxax, xo n xei ainda muitux blogx de ppl ke eu kunhexa! Nao kerem avixar de blogx fiches pa eu pexkixar? Obrigadoex e fikamux em kontaktu pur akix!!
Xau xau
(maix uma LOLADA po kaminhux)




...




...




...




Eu até posso escrever assim porque não tenho nada a provar a ninguém quanto ao meu domínio escrito da língua de Camões... é uma opção estilística para servir um determinado propósito mas, devo assegurar-vos, que é bem maix komplikadu e toma-me muitíssimo mais tempo do que escrever normalmente!
Serve isto pra chamar a atenção para o quê? Bem, isso é óbvio, mas o que me levou a escrever o post foi a perplexidade! É que a literacia entre o ppl de uma geração tão próxima da minha já é tão fraquinha que acho que não há nexexidade nenhuma de ainda andar a fomentar mais este tipo de escrita críptica e cuja utilidade eu não consigo alcançar (a não ser talvez a escrever SMSs e, mesmo assim, apenas alguns k e x kuando isso poupa caractéres e os sons são iguais!!!).
É que a iliteracia anda a ser fomentada por todo o lado e por entidades públicas que, provavelmente, deveriam ter obrigações de, pelo menos, não contribuir para a ignorância e a deseducação, mesmo que a sua função principal não seja propriamente educar!!!
Estou perplexo! Então não é que a caixa geral de depósitos (ou Kaicha!!) lançou agora uma Konta para jovens, que vem com um Kartão e uma Kaderneta...

Faz-me confusão o k é k kerem??

E o xlogan devia xer:

Kuando pedex pa Xair à noitex elx dixem ke inda ex krianxa
Kuando nao arrumax o kuarto elex dixem ke ja ex 1 adultu
e kuando pedirex pa ter 1a konta nu banku,
VAO DIXER U KE??

Fax a Konta à tua independenxia

(se quiserem vão ver como é o slogan... tem um bocadinho menos de k e x... mas perdoem-me a hiperbole literária... serve os meus propóstios! E não tou menos perplexo por as letras pequeninas estarem correctas, porque as letras garrafais estão lá e a Konta vem kom um Kartão e uma Kaderneta...

Viva a Kaixa!!

tijayx!

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Veronika light II

"(...) Nos seus últimos dias de vida, realizara finalmente o grande sonho - tocar com alma e coração, o tempo que quisesse, na altura que achasse melhor. Não tinha importância se a sua única plateia era um rapaz esquizofrénico, ele parecia entender a música, e isso era o que contava."

Idem


Deve ter sido sorte, tiro no escuro que acertou no alvo... mas acertou-lhe em cheio... não deixa de ser light e pesado ao mesmo tempo.

Terça-feira, Setembro 05, 2006

Veronika light I

"(...) A senhora já imaginou um mundo onde, por exemplo, não fossemos obrigados a repetir todos os dias das nossas vidas a mesma coisa? Se resolvessemos, por exemplo, comer só quando tivessemos fome, como é que as donas de casa e os restaurantes se organizavam?"

P.C.

Terça-feira, Agosto 22, 2006

Estou vivo

Estou vivo!
Vou escrever um post, que se vai chamar MRCM, porque... porque sim! Porque tem mesmo de ser!!!
Mas não vai ser agora porque gastei demasiado tempo (atenção: gastei, não perdi. Fez-me bem, fez-me feliz) a comentar os blogs dos outros e por isso agora não tenho tempo para escrever no meu. Quer dizer, ter tenho, mas ainda acho que há coisas mais importantes do que o blog!
Estou vivo e nem acredito nisso!
Tenho é de recomeçar a viver mas nem sei muito bem por onde... por que ponta lhe pegue!
Por enquanto ainda estou a tomar consciência de estar vivo!
doei

Quinta-feira, Julho 06, 2006

Está na hora!

As bandeiras drapejaram uma vez mais...
drapejaram tristes e choraram.
O vento épico que fez mover caravelas
transformou-se numa simples brisa
e as bandeiras ondularam... tristes.
Está na hora, meus amigos:
de arrumar os cachecóis,
de dobrar as bandeiras, em 2, em 4 ou em 8,
até daqui a 2, 4 ou 8 anos, ou mais alguns;
de nos esquecermos até daqui a um par de anos
da melodia do hino nacional
(porque a letra nunca soubemos);
das quinas e dos castelos que às vezes são pagodes...
De que volte tudo ao normal,
porque isto foi só ilusão e afinal...
a final...
Algumas bandeiras estavam desbotadas
e empalideceram,
algumas rubras desbotaram,
alguns optimistas gritaram,
mas o vento acalmou e as bandeiras ondularam apenas...
drapejaram lentamente,
tristes, num adeus.

Quarta-feira, Junho 28, 2006

Post for my friends

Not that I only have friends in Den Haag... not that some of my friends here wouldn't deserve this, or some other kind, of public recognition of their support and of the value I give to their friendship, but somehow, strangely enough (yes, it really makes me feel weird), the tables have turned and now it's you (plural) that are furthest away!! And I miss you people!

I miss saying "ok Bye"; "do you feel like a muffin?"; "Oh my god, is that a Louis Vuiton?"; "Oh my god, is there any potato in those chips?"; "Thank you god for the colour blue"...
I could spend here the whole day and I wouldn't remember half of these... but actually sometimes a portuguese friend says "see you later" and my brain thinks "OK BYE!" (and in english!!!), before it can actually ponder "No... that's from another time and place!"

I don't have much more to tell for now, honestly life here moves slowly, very slowly and in some different directions. I feel nostalgic, happy but nostalgic, and I'll be thinking a lot about you people during the next two months! I'll be thinking "Argentina plays Germany on friday"; "Henrikke moves to weimarstraat this weekend"; "Elena is growing a new thumbnail as we speak"; "Nico... hmmm... Nico is probably not reading this anyway because he can't (Perdon por no haver puesto dibujitos, pero ya sabes como va la relaccion entre yo y los computadores), and he's going for a walk in the Haagsebos", etc etc etc...
AND ALL THESE LITTLE THINGS AND THOUGHTS ARE IMPORTANT, MEANINGFULL AND BEAUTIFULL!!

Doei... HOOOORES

From Portugal w/ love

Segunda-feira, Junho 26, 2006

Foi...

Foi, na minha opinião, o pior jogo do Mundial até agora...
Foi feio, mal jogado, com falta de fair-play de parte a parte, muita porrada e pouco futebol!
Foi... enfim, foi como todos pudemos ver...
MAS...
Estou na Hoanda...
Vou amanhã pra Portugal...
Durante 96 minutos gritei, celebrei, desesperei, lutei (interior e psicologica e empaticamente)...
e no final...

GANHÁMOS!!!

Não me importa que tenha sido o jogo mais feio. Foi o jogo em que, no final, ganhámos (ganharam eles, os jogadores, e eu que sofri durante 96 minutos!)! É aquela parte irracional que não posso explicar e que me faz comungar de um sentimento de quase êxtase que, na verdade, é praticamente fictício porque para mim o dia de amanhã será basicamente o mesmo do que seria se Portugal tivesse perdido o jogo!
Mas não, GANHOU! E amanhã vai deixar de haver Wupiies e Hup Holland e Laranja e laranja e laranja e we gaan naar de cupiie wupiie! E EU VOU PRA PORTUGAL!

Finalmente:


HERÓIS DO MAR, NOBRE POVO,
NAÇÃO VALENTE E IMORTAL,
LEVANTAI HOJE DE NOVO
O ESPLENDOR DE PORTUGAL.
ENTRE AS BRUMAS DA MEMÓRIA
OH PÁTRIA SENTE-SE A VOZ,
DOS TEUS EGRÉGIOS AVÓS
QUE...



Ah ah...
And the million dollar question is...
como é que continua a letra do hino nacional???

A) Há-de guiar-te à vitória
B) Hádes guiarte há vitória
C) Hão-de guiar-te à vitória


Por curiosidade: O Figo não sabe a resposta certa!! (Nos 2 jogos em que cheguei a horas pra ouvir cantar o hino, cantou errado); O Scolari nem a letra sabe (mas no jogo contra o México cantou "às armas, às armas, Lálálálálálálá")...

Serão os egrégios avós ou a sua voz que há-de guiar-nos à vitória?? Eu sei a resposta, e você??

Segunda-feira, Junho 19, 2006

Third eye

Third eye é algo pelo qual tenho uma especial predilecção!
Para quem conheça Tool parte desta admiração fica desde já explicada e quem conheça o meu percurso musical e reacções ao som compreende ainda mais certos mistérios!
Para quem não conheça talvez seja demasiado trabalhoso explicar... e por isso não me vou deter muito tempo nisso!

Mas Third eye (ou o terceiro olho - e estou a falar de um que se situa algures entre os outros dois, os que vêm) é, aparentemente, algo que todos temos. Sou demasiado preguiçoso para ir confirmar as minhas fontes e acrescentar as informações anatómicas correctas, mas trata-se de uma célula (ou conjunto de células, ou outra coisa qualquer) fotosensível que temos dentro do nosso cérebro. Esta célula capta a quantidade de luz/sol e produz (ou manda produzir) substâncias químicas capazes de alterar o nosso estado de humor.
É claro que não era precisa esta incrivelmente incompleta explicação científica para constatar que o estado do tempo influencia o nosso humor, mas apoiada em dados científicos esta constatação ganha mais força e deixa de ser apenas resultado da experiência empírica.
O meu Third eye está cada vez mais sensível, sobretudo desde que emigrei! Cada vez mais compreendo a importância da luz na nossa vida. A sua presença é algo que em geral não questionamos e tomamos por garantido, e fazemo-lo tanto mais quanto mais luz houver e quanto menos dias por ano ela faltar. Estou no Norte (pelo menos mais a Norte do que o meu habitat) e a luz é maioritaramente difusa. O meu Third eye e a sua pupila imaginária ajustam-se por forma a captar toda a luz que possam e depois, num dia de sol a sério, ficam ofuscados e simplesmente provocam embriaguez no meu corpo e no resto do cérebro, inundando-me de hormonas e euforia!

Sim, e também estou (praticamente) de férias e a "overdosar-me" de bola...
Hehehe
Vou para o sol que brilha esplendorosamente.

Domingo, Junho 18, 2006

Um dia surreal (parte 1 - o presente)

Ui que surrealismo!
Ui que desvario!

Serei só eu, será algo mais?
Devem ser as férias, o excesso de futebol, o calor e talvez algo mais!
E depois hoje, este dia que começa e que tenho de aproveitar ao máximo. Com alguns episódios mais ou menos surreais - digamos, pelo menos pelo menos, heterodoxos, sui generis - alguma música mais ou menos surreal e de improviso, uma boa dose de amizade e desejo de que o próximo seja bem sucedido, esperar que tudo corra bem e... bola prá frente!
E finalmente um pouco mais de música aos ouvidos, um pouquinho alta demais (mas "da outra", bem entendido), e talvez um pouco mais do mesmo, um pouco mais de excesso de futebol e de outras coisas mais, um pouco mais de férias e de... ooops, tenho de voltar à terra porque ainda há muito pra fazer (mesmo que seja apenas fingir que se é um porteiro renascentista/barroco e deitar-se uma pedra num balde por uma amiga)

E o desvario fica com quem o teve e quem o lê

Pim

Oh my (p)od

Eye

Me

(pryant open my third i)

.2

THIS!

.3

bring some

.1

sense into

Mathemathics

What's the chance of 1+1 = 2


And that creativity is still me



And that Music comes to haunt me again, and that all of this is to blame on my new toy??!??!?!?!??!??!??!?!??!?!??!?!?!?!??!??!??!??!?!??!??!?!??!?!??!?!?!?


CA-THASSSS--------TRRROOOOOOOOOOOOOOO--------------------FFFFFFIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII-------------------------------------------------------------------------------KÁÀ`ÀÀAÀÀÀ`ÀÀÀÀ`À``ÀÀ`ÀAAÀÀÀ``À``´ÀÀ`À´`ÀÀÀ`ÀÀÀ`ÀÀAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

ha Ah

I'm back



Thought You'd get away from me so soon!!




I'm still me! And I'm still here And I'm........WAAAAAAAAAAAA

crea...

... tio ...










n












IS CREATING SPACE!







This is may place ... my creation









(pryant open my third eye!)

Hi

HI






Hi





(Pryant open my third eye!)





i






Hi!

i ..... i ....... i

the i effect


Is it i ?




Or is it eye?







Eye













EYE?















i?
















IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII?
























MY GO









OOOOO












OOO









O












D?











!!!!!!!!!!!!






iiiiiiiiiiiii









ii
!!

My imagination

I refuse to believe that my imagination is any less fertile than anyone else's and I refuse to believe that i'm any less creative and unique than anyone else!!!

I'm so much more than anything you think I am!!!


I am gOD and there is no stopping me!!!!!!!!!!!

The "oh Me" again!

It's my worthy prize, I'm worthy of being praised in it!!
I'm worthy of bathing!
I'm worthy that everything else praises me and so I'm freeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

Me and... oh me again

Been uptaded to myself... been introduced to a new me

Love it's my most precious being!


I love it so!


It's come from me it's... MEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!



Love it!

Terça-feira, Maio 16, 2006

O primeiro violoncelista da orquestra!

De súbito, a orquestra calou-se, apenas se ouve o som de um violoncelo, chama-se a isto um solo, um modesto solo que não chegará a durar nem dois minutos, é como se das forças que o xamã havia invocado se tivesse erguido uma voz, falando porventura em nome de todos aqueles que agora estão silenciosos, o próprio maestro está imóvel, olha aquele músico que deixou aberto numa cadeira o caderno com a suite número seis opus mil e doze em ré maior de johann sebastian bach, a suite que ele nunca tocará neste teatro, porque é apenas um violoncelista de orquestra, ainda que principal do seu naipe, não um daqueles famosos concertistas que percorrem o mundo inteiro tocando e dando entrevistas, recebendo flores, aplausos, homenagens e condecorações, muita sorte tem por uma vez ou outra lhe saírem uns quantos compassos para tocar a solo, algum compositor generoso que se lembrou daquele lado da orquestra onde poucas cousas costumam passar-se fora da rotina.


Idem

Salvo se.

(...) há sempre a possibilidade de que (...) um suave acorde de violoncelo, um ingénuo trilo de piano, ou apenas que a visão de um caderno de música aberto sobre uma cadeira te faça lembrar aquilo em que te recusas a pensar, que não havias vivido e que, faças o que fizeres, não poderás viver nunca, salvo se.


Idem

A morte, o Violoncelista e o cão.

A morte afagou as cordas do violoncelo, passou suavemente as pontas dos dedos pelas teclas do piano, mas só ela podia ter distinguido o som dos instrumentos (...)

O homem moveu-se, talvez sonhasse, talvez continuasse a tocar as três peças de Schumann e lhe tivesse saído uma nota falsa, um violoncelo não é como um piano, o piano tem as notas sempre nos mesmos sítios, debaixo de cada tecla, ao passo que o violoncelo as dispersa a todo o comprido das cordas, é preciso ir lá buscá-las (...)

Muito mais tarde, o cão levantou-se do tapete e subiu para o sofá. Pela primeira vez na sua vida a morte soube o que era ter um cão no regaço.


José... Saramago

Terça-feira, Abril 25, 2006

Preâmbulo (FFF)

Preâmbulo ao post sobre o 25 de Abril que teve de ser interrompido por um ensaio que vai começar dentro de 10 mins. (sim porque nesta terra 25 de Abril é dia de comemorar... a maravilha que é a Música... através de aulas, ensaios... enfim, o costume!

Preâmbulo, portanto:

Flauta, Fagote e... Fado?
NÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!
Flauta, Fagote e... FUTEBOL!!!... outra vez...
Mas desta vez sou eu a jogar... peladinhas... com os amigos...
Muito bom!

25 de Abril (sempre... mesmo que seja a 11 de Maio)

25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!!

Faço parte de uma geração para quem esta palavra de ordem é, sobretudo, algo que se ouve gritar uma vez por ano, em manifestações menos numerosas a cada ano que passa, por ocasião das comemorações do aniversário da nossa revolução.
Faço parte de uma geração para quem o significado desta palavra de ordem - como, de resto, tudo o que diz respeito à revolução e seus antecedentes e consequentes mais próximos - é, em grande parte, um exercício de imaginação e abstracção, cabendo a cada indivíduo desta geração (chamemos-lhe "pós-Abril") estar mais ou menos informado e iluminado acerca do sentido do chavão tão conhecido, de acordo com o ambiente familiar, social e cultural de cada um!
Eu, pessoalmente, pertenço a uma família que, não tendo propriamente um historial de activismo político (salvo honrosas excepções) - sobretudo não antes de 74 - viveu oprimida durante o regime salazarista e foi afectada por ele, nomeadamente com a guerra ultramarina.
É um pouco triste constatar a mudança gradual de sentimento da generalidade das pessoas em relação ao significado desta data, triste mas nada surpreendente! Esta mudança não tem nada a ver com um sentimento geral mais ou menos revolucionário ou reacionário, tem única e exclusivamente a ver com a passagem do tempo e com o envelhecimento das pessoas!
...

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A elaboração deste post foi interrompida no dia 25 de Abril, a meio da tarde, porque aqui onde me encontro o dia não é feriado e tive de ir ensaiar!
O facto de agora me ter decidido publicá-lo é uma espécie de afirmação... de várias coisas, umas mais pessoais, outras mais (ou menos) ideológicas.
Não consigo sequer tentar concluir o que estava a escrever antes, até porque na altura, lembro-me, estava a começar a perder a fluidez, e a embrenhar-me numa confusão intelectual, conceptual, artística, literária, mental... em suma, estava a perder o fio à meada e a não dar conta do recado! Além disso, se o tentasse retomar agora, não antevejo que pudesse escrever algo minimamente mais claro ou relevante, tanto mais que me tenho andado a sentir extraordinariamente desinspirado (pelo menos, pelo menos (sic.) do ponto de vista literário), como se nota pela ausência de posts.
Portanto direi apenas que acho que o "bottom line", o cerne da questão que me apetecia abordar, é que dou uma enorme importância à data em causa, porque me foi ensinado o seu significado, e (pelo menos assim quero crer) porque pessoalmente me apercebo da importância fulcral que teve na nossa história nacional e nas vidas dos portugueses - dos que nasceram antes de 1974; dos que, como eu, nasceram relativamente pouco tempo depois e, porque não dizê-lo, dos que nascem hoje!!!
Esta teria sido a minha contribuição exclusivamente pessoal. Quanto a uma questão um pouco mais complexa - a de meditar acerca dos significados, consequências, extrapolações e possíveis malefícios de um certo "apagamento da memória" - talvez não me caiba a mim abordá-la e não tenha sequer ninguém com quem discuti-la. Assim como assim não me parece que tenha as competências - académicas, culturais, científicas, intelectuais, etc - necessárias ou suficientes para acrescentar verdadeiro conhecimento à sociedade (ainda que seja uma sociedade composta apenas pelos 2... 3 leitores do meu blog), e portanto acho que ficará por discutir... talvez para uma outra ocasião - pessoalmente espero celebrar o 33º aniversário, o 34º, talvez no 35º já esteja de novo em Portugal e espero que o 50º não me seja indiferente!!

Quanto ao que a publicação deste post possa ter de mais ou menos significativo... bem, quanto a conteúdos de carácter ideológico-social e a questões mais exteriores a mim próprio acho que não preciso de me alongar mais. Quanto ao que pode dizer sobre a minha pessoa... enfim, duas semanas de atraso dão para tirar muitas ilações! É um hábito: de vida, de trabalho, de abordar as responsabilidades; mas o post aqui está, tarde, mas está!!
É sintomático dos meus últimos meses (esta moleza... esta preguiça... esta letargia... que não é de agora, mas tem fases... às vezes está mais activa, outras vezes menos, ora parece que desaparece, ora que me paralisa. É assim como uma espécie peculiar de Herpes... corre-me no sangue, mas nem sempre está em chaga!) e não é por ser o 25 de Abril que foi mais ou menos negligenciado ou adiado. Quem me conhece melhor sente que ando ausente, até de me entregar às relações com as pessoas que me são verdadeiramente importantes, por exemplo - além de fisicamente, também na energia que lhes dedico!
Não sei nem se posso nem se devo fazer algo em relação a isto... mas pelo menos ao 25 de Abril aqui está o meu sincero pedido de desculpas sob a forma de um post egocêntrico!
E, para terminar, acho que este post também celebra, de uma - quiçá duas - maneiras muito particulares o espírito de Abril. Para já, fazendo um paralelo com outro feriado bem conhecido, acho que o 25 de Abril é (ou devia ser) quando um homem quiser!... ou uma mulher, que para alguma coisa se fez a revolução!! Finalmente, este post é a aplicação prática das conquistas de Abril (será que existiria a internet e os blogs sem o 25 de Abril?): este post é a afirmação da minha liberdade individual para celebrar a data quando bem me apetecer... mesmo que seja a 11 de Maio!
Viva a liberdade e viva o 25 de Abril!

Sábado, Abril 15, 2006

Hilariante!!

"Deus no céu Eusébio na Terra! Todos os benfiquistas e portugueses estao te eternamente grátis!"
(Sic)

É o meu primeiro post vagamente relacionado com futebol...
Não quero fazer insinuações clubísticas de nenhuma espécie - embora não seja segredo para ninguém que me conheça que sou um Sportinguista convicto, ferrenho e a roçar o limite do fanatismo saudável (quem não me conhecia fica a saber desta minha faceta da qual me orgulho) - e por isso devo abordar este post com cautela!
Não quero generalizar acerca do nível cultural do benfiquista médio (ou do nível médio cultural dos benfiquistas, que talvez vá dar ao mesmo!), até porque tenho demasiados amigos lampiões bem mais inteligentes que a ave rara anónima que deixou o comentário que acabo de citar na página do record, e também porque deve haver muitas outras aves raríssimas, adeptos do meu Sporting, que poderiam prodizir outros tantos momentos brilhantes de literatura como a que acabo de citar.
Mas, o que é que querem, não consigo deixar de partir o coco a rir com o lampião que, em nome de todos os outros portugueses, se sente eternamente GRÁTIS ao Eusébio (ou "para com o Eusébio", se não quisermos ofender a nossa lingua de Camões!!!)!!

Já agora, se não acreditam, dêem uma vista de olhos pela página do record!

Já agora, se duvidas existirem, eu esclareço: "sim, estou com azia por o meu primeiro post sobre futebol não ser para mencionar a vitória do Sporting, pelo menos, no campeonato nacional..."
Tenho de dar os parabéns aos tripeiros pelo campeonato merecido, ficar à espera da mais que certa vitória do Sporting para o ano, e, entretanto, ir-me entretendo com as coisas nas quais serei sempre - a título individual e enquanto Sportinguista - superior à lampianagem!!

Estou-lhes eternamente grátis por serem hilariantes!!!

Quinta-feira, Abril 13, 2006

Estranhas menencolias

As "feridas psicológicas" saram da mesma forma que as físicas. Umas demoram mais, outras menos, mas todas ficam melhor com o tempo! Às vezes temos de as proteger do contacto com tudo o que possa ser agressivo, outras vezes convém deixarmo-las ao ar ou tomarmos um banho no mar e esperar que o sal ajude a curar!
Nem sempre o que arde ou o que doi cura, mas às vezes esse adágio popular é mesmo verdade. Não escondas essa dor, aceita-a se ela não for lancinante, e em breve ela passará!
Às vezes as feridas psicológicas deixam cicatrizes, outras vezes não! Uma ferida física, bem tratada, com atenção, até carinho (por estranho que seja tratar com carinho algo que doi), se não for muito profunda, não deixa marcas... mas mesmo que deixe, nem sempre essas marcas são más. Essas pequenas cicatrizes são pedaços de nós, lembranças de qualquer coisa.
Passa-se a mesma coisa com as feridas da alma... às vezes já nem nos lembramos delas quando deixam de doer, outras vezes a marca fica lá para nos recordar daquilo que nos aleija... e nem sempre isso é mau. Se a alma conseguir encontrar outras coisas com que se entreter, se não guardarmos rancores de nenhum tipo, se tivermos uma atitude de calma contemplação perante o nosso próprio passado, estas cicatrizes até podem suscitar tanta nostalgia como as recordações das melhores coisas por que passámos!

Abraço a toda a gente (D'A Haia, num dia em que o autor se encontrou tomado de estranhas menencolias)

P.s. - já vi um grande amigo afastar-se, outro menos grande... enfim... sei exactamente do que estou e estás a falar!

Sábado, Abril 08, 2006

O misterio do Nº de BI

Este Post é mais ou menos redundante, porque a única pessoa que eu tenho a certeza que o vai ler e comentar (pelo menos a que, aposto, vai ser mais rápida a comentar), foi precisamente quem me mandou a parte mais fundamental do mail que vou passar a transcrever!

Basicamente, esta é a minha humilde contribuição para o avanço e evolução da espécie humana... para acabar com o obscurantismo, com a ignorância e, finalmente, para combater um mito urbano no qual, até há umas horas, também eu acreditava!!... bem, mais ou menos, porque nunca me pareceu muito convincente a explicação!

O Mistério do algarismo suplementar no Nº de BI!!!!

Tomo a liberdade de transcrever um texto que me enviaram por e-mail, para servir de introdução à problemática! Aqui vai:



"Jorge Buescu

Com grande probabilidade o leitor terá já assistido, no meio de um jantar com amigos, à seguinte discussão. A certa altura alguém se pronuncia sobre o algarismo suplementar que os Bilhetes de Identidade passaram a ter de há uns anos para cá mais ou menos nos seguintes termos: "O algarismo suplementar que se segue ao número do BI indica o número de pessoas em Portugal que têm um nome exactamente igual ao do portador do BI".

Quando confrontado com o absurdo de tal afirmação (por exemplo, o algarismo suplementar do meu BI é 9 e eu posso comprovar que sou a única pessoa no Mundo, não apenas em Portugal, com o nome de Jorge Buescu; e que pensar dos casos em que o algarismo é 0?), talvez o interlocutor diga algo do género "Mas eu fui informado por fonte seguríssima de que é assim". Ou talvez prefira mudar de assunto. Uma coisa é certa: não vai mudar de opinião, e na próxima vez em que se falar do assunto lá estará a repetir a mesma afirmação, que depois será eventualmente repetida por novos crentes acríticos e assim sucessivamente. Assistimos assim à geração e propagação oral de uma lenda urbana genuinamente portuguesa, com certeza.

Afinal de contas, o que representa o misterioso algarismo suplementar que se segue ao número do nosso BI? Em primeiro lugar, ele não representa o número de pessoas com o mesmo nome, ou o número de multas de estacionamento que o portador apanhou, ou qualquer outra pueril e disparatada hipótese deste tipo. O algarismo suplementar é (ou seria, se as autoridades portuguesas não tivessem cometido um patético erro matemático!) apenas um algarismo de controle que detecta se o número do BI está correctamente escrito ou não.

Esta história começa nos anos 50, com o nascimento simultâneo, por um lado, da Teoria de Códigos, baseada na Teoria da Informação de Shannon (1948), e por outro da cada vez maior necessidade de tratamento e transmissão em massa de dados de identificação numéricos. Suponha o leitor que é, por exemplo, caixa num supermercado na era pré-leitores ópticos, ou que trabalha numa agência de viagens onde tem de emitir centenas de bilhetes de avião por dia, ou que trabalha numa livraria onde tem de expedir por correio centenas de livros encomendados por dia. Em qualquer destes casos será obrigado a digitar, para cada item em questão (pacote de manteiga, bilhete de avião ou livro) um longo número, talvez com 10 algarismos, que identifica o produto em questão. E tem de o fazer depressa, para que os outros clientes na bicha não se impacientem.

Os seres humanos lidam claramente mal com problemas deste tipo. Escrever diariamente centenas de números com 10 algarismos, sem qualquer padrão aparente, leva inevitavelmente (uma interrupção, uma piada do colega do lado…) a que o operador mais tarde ou mais cedo se engane a escrever um dos números. E as consequências podem ser bastantes desagradáveis: cobrar 20 contos por um pacote de manteiga, emitir um bilhete de avião para a Sibéria em vez de para o Rio, expedir o livro errado. Os custos para corrigir estes erros a posteriori podem, evidentemente, ser muito elevados.

Coloca-se então o seguinte problema: quando se lida sistematicamente com grandes quantidades de números compridos, em que mais tarde ou mais cedo se verificarão erros, há que identificar quais são os erros mais frequentes e encontrar uma forma automática de detectar, assim que o número é escrito, se ele integra erros ou não.

A resposta à primeira pergunta é do domínio da Estatística; sabe-se hoje que mais de 90% dos erros ocorridos na transmissão de dados numéricos são de dois tipos: erros singulares (alteração de um único algarismo, o que levaria por exemplo 2357 a ser escrito como 2358) ou transposições (troca de pares de algarismos adjacentes, como na passagem de 2357 a 2375).

O segundo passo é conceber um algoritmo que detecte, com eficiência 100%, a presença ou ausência destes erros. Se o conseguirmos teremos um mecanismo de detecção de erros com eficiência superior a 90%.

E é aqui que entra a Teoria de Códigos. Existem muitos algoritmos de detecção de erros, com aplicação tecnológica num número infindável de indústrias, assente na ideia básica de aritmética modular, proveniente da Teoria de Números. A ideia é a seguinte: ao número básico em questão acrescenta-se um algarismo suplementar, o algarismo (ou dígito) de controle. Realizando uma operação adequada (e vamos já descrever o que se deve entender por isto) sobre o número original, devemos obter o algarismo de controle. Se isso não acontecer, é porque ocorreu algum erro na escrita do número original.

A ideia de implementar sistemas de identificação com dígitos detectores de erros encontra aplicações quase infindáveis na indústria. É utilizada hoje nos cartões de crédito, nos cheques, na Via Verde, na correspondência postal, nos códigos de barras (UPC-EAN), nos livros (ISBN), nas publicações periódicas (ISSN), etc. Estes sistemas funcionam com variações de pormenor; para dar do seu funcionamento vamos tomar um exemplo: o ISBN (International Standard Book Number), utilizado na identificação de livros.

O ISBN é um número, que em geral aparece nas costas do livro, constituído por 10 algarismos que identificam o livro. Por exemplo, o livro de Hill A first course in coding theory tem o ISBN 0-19-853803-0; o livro de Kato et al. Number Theory I tem o ISBN 0-8218-0863-X (os traços são meramente convencionais). A maneira como o código ISBN funciona é simples: se o número ISBN for

x1x2x3x4x5x6x7x8x9x10,

onde cada xi representa um algarismo, os 9 primeiros algarismos identificam o livro; o 10º algarismo, o dígito de controle, é escolhido por forma a que a soma

x1+2x2+3x3+ … +10x10

seja divisível por 11 (tecnicamente, seja congruente com 0 (mod 11)). O leitor pode convencer-se facilmente de que, se alterar qualquer um dos algarismos (erro singular) ou se trocar dois quaisquer deles (transposição), o resultado já não será divisível por 11. Ou seja, o dígito de controle do ISBN detecta, com eficiência 100%, estes erros!

Apenas duas questões técnicas. Primeiro, porquê exigir que a soma acima seja divisível por 11 e não, por exemplo, por 10? A resposta está na Teoria de Números: estes algoritmos modulares só funcionam se o módulo for um número primo. Ora o nosso sistema de numeração tem base 10; o primo mais próximo de 10 é precisamente 11, o primeiro para o qual o sistema pode funcionar. Esta é também a resposta à segunda questão: o que significa o dígito de controle X? Como o dígito de controle é o complemento para 11 da soma ponderada dos 9 primeiros algarismos, ele pode tomar o valor 10. Para cobrir esta possibilidade introduz-se o caracter X, que tem a valor 10.

Regressemos então ao mistério do BI. Sendo o algarismo suplementar um dígito de controle para detecção de erros, torna-se necessário saber qual o algoritmo utilizado pelo Ministério da Justiça para efectuar esta detecção.

E aqui entra o herói desta história, o Prof. Jorge Picado, da Universidade de Coimbra. A sua curiosidade por esta questão levou-o a pedir os números de BI de algumas dezenas de colegas seus. Introduziu-os num pequeno programa em Pascal que fazia a busca dos vários algortimos num sábado de manhã e foi para casa.

Ao chegar ao seu gabinete, na segunda-feira de manhã, qual não foi o seu espanto ao verificar que… não existia nenhum algoritmo que funcionasse!

Intrigado com este surpreendente resultado, o Prof. Picado teve então uma ideia luminosa. Constatando que o dígito de controle do seu BI era 0, retirou o seu número de BI da lista e pôs o programa a correr. Bingo: em 5 minutos, tinha a resposta. O algoritmo de detecção de erros do Ministério da Justiça é igual ao do ISBN, com ligeiras adaptações: o dígito de controle tem peso 1, o dígito mais à direita do número de BI tem peso 2, o seguinte peso 3, etc. Faça o leitor a experiência com o seu próprio número de BI. Se fizer esta soma o resultado terá de ser múltiplo de 11.

Nesta altura, cerca de 1/11 dos leitores da Ingenium, e cerca de 50% daqueles cujo dígito de controle é 0, estarão a pensar que estou a enganá-los. É que, afinal, fizeram as contas e obtiveram um número que não é divisível por 11. Pelo contrário: é um múltiplo de 11 mais 1! E, afinal, porque é que o Prof. Picado teve de retirar o seu número de BI da lista para descobrir o algoritmo de detecção?

A resposta a estas perguntas é apenas uma, e completamente patética. Como se disse acima, no ISBN (e no BI) o dígito de controle tem de estar entre 0 e 10, para que se possa assegurar resto 0 ao dividir por 11. É essa a razão de ser do caracter alfanumérico X, que vale 10, no dígito de controle do ISBN.

Ora, muito provavelmente alguma mente burocrática da Direcção-Geral dos Registos e Notariado deve ter achado muito desagradável que alguém visse um "X" escrito à frente do seu número de BI, enquanto que outras pessoas tinham apenas um algarismo. Talvez pudesse ser considerado politicamente incorrecto… e a pessoa pudesse pensar que isso teria um significado estranho… talvez cadastro? Ficha no SIS?

Para abreviar: alguém no Ministério da Justiça, na sua reconfortante ignorância matemática sobre códigos, teve a brilhante ideia de substituir o dígito de controle X, quando ocorresse, por 0. Ou seja, quando 0 ocorre como dígito de controle, pode ter na realidade dois valores: 0 ou 10! Ou seja, em metade dos casos em que ocorre o 0 (como no caso do Prof. Picado), esse dígito está errado. Ou seja, o próprio Arquivo de Identificação emite um BI cujo número, se controlado pelo seu algoritmo, estaria errado.

A ignorância pode custar muito caro. Neste caso, custou a inoperância do sistema de detecção de erros que se pretendia implementar! E repare-se que teria sido muito fácil não cometer esta barbaridade: bastava, por exemplo, adoptar como dígito de controle sempre uma letra, digamos as 11 primeiras letras do alfabeto, A a L…

E haveria outras soluções matematicamente correctas, mas mais profundas. O Prof. Picado mostra como, a partir da Teoria de Grupos elementar, usando o grupo diedral D5, se podem construir sistemas de detecção de erros (diferentes dos sistemas modulares, e mesmo melhores do que eles) que permitem usar apenas os algarismos 0 a 9, e com eficiência 100%. Em Novembro passado, o Prof. Picado escreveu para o Ministério da Justiça (responsável pela emissão dos BI) expondo a situação e a sua solução. Até hoje ainda não obteve resposta.

Há pouco tempo, o Prof. Picado foi renovar o seu BI. Na página de instruções do impresso, o ponto 2 afirma "se já tem BI, indique o respectivo nº, incluindo o dígito mais à direita (chamado dígito de controlo e que serve para verificar se a ordem dos algarismos está correcta)". Quando entregou os documentos, disse com toda a razão à funcionária que o atendeu, "Olhe que isto no meu caso não é verdade". A funcionária não disse nada, dirigiu-lhe um olhar estranho, e limitou-se a aceitar os papéis e a atender o mais rapidamente possível aquele utente tão especial…"



End of quote!
Dou um segundo aos leitores para recuperarem o fôlego...
Espero não vir a ser processado por infringir leis de direito de autor, mas acho que a minha modesta tentativa de tentar tornar acessível esta informação ao maior número possível de pessoas justifica o risco!!

Enfim, como devo confessar que me deu um enorme trabalho perceber a parte da explicação matemética (aliás, a teoria explicativa continua a ser um mistério para mim), foquei a minha atenção apenas no processo através do qual cada um pode fazer o "controlo" do seu próprio Nº de BI, e passo agora a explicá-lo numa versão hiper-simplificada... para leigos (ainda hesitei sobre se deveria escrever "para burros" porque não quero ofender ninguém... mas como eu próprio me incluo no lote dos que precisam desta explicação, talvez já não seja tão ofensiva a referência aos asnos... esses animais tão queridos... e Inteligentes!).

A operação aritmética é a seguinte:
(peguem numa máquina de calcular, é mais simples!)

(Algarismo de controlo x 1)
+
(Último algarismo do Nº de BI x 2) ... atenção - têm de somar o resultado da operação "último algarismo x 2"... se somarem o último algarismo ao Nº de controlo e DEPOIS multiplicarem por 2 DÁ ERRADO!!!
+
(segundo algarismo do BI, a contar da direita, x 3)
+
(terceiro alg., a contar da direita, x 4)
+
etc etc etc

no final, dará um número qualquer, que têm de dividir por 11! (e de preferência não demorar demasiado tempo a questionar "mas, dividir por 11 porquê??")... depois de dividir por 11 o resultado será um Nº QUALQUER... INTEIRO!!!
Ou seja, se for um Nº inteiro, o controlo está feito e o Nº é correcto (meaning: não se enganaram a escrever o vosso número de BI)
Se o resultado for qualquer coisa vírgula qualquer coisa, significa, das duas uma: ou se enganaram a fazer as contas, ou o algarismo de controlo é 0 quando na verdade deveria ser 10 (que não existe), ou X (como nos códigos ISBN!!)
Esclarecidos?

Acho que, basicamente, para 10/11 da população (todos aqules cujo número de controlo é entre 1 e 9 mais os que têm 0 e cujas contas batem certo) isto serve, na prática, para, depois de fazer esta operação uma vez, podermos ir todos dormir descansados e, eventualmente, fazer como eu - espalhar o conhecimento da verdade sobre este assunto tão relevante para o nosso dia-a-dia. Para os restantes 1/11, esta informação é uma pequena tragédia que vai abalar o vosso mundo e nunca mais vos deixará ser os mesmos... é que a partir de agora sabem que são uns proscritos da sociedade e que as autoridades escreveram um 0 no vosso BI, onde deviam ter escrito um X... ou um 10 (o X vale dez... aliás podem fazer de novo as contas com 10 como algarismo de controlo e vão ver que bate certo)!!!
Mas, neste engano, há aspectos positivos para todos vós, ALEGREM-SE!!!
Para já significa que não são um 0!! (à direita, mas mesmo assim não é bom ser-se um 0... as minhas desculpas àqueles cujo algarismo é MESMO 0!) e depois significa que, uma vez que o vosso número correcto de BI, com o algarismo de controlo errado é... INCONTROLÁVEL!!! Logo, mantendo o 0, podem dar-se ao trabalho de fazer as contas de modo a que, com pequenas alterações de alguns algarismos ao vosso número actual de BI, a operação bata certo... pensem só nas possibilidades de ter um Nº de BI novinho em folha!!! Que em princípio é CORRECTO!!

Bom, uma vez que me estou a desviar para o campo da ilegalidade e isso não é muito compatível com as minhas intenções de propagar o conhecimento e a verdade, acho que é melhor terminar por aqui, até porque quem quer que seja que se tenha dado ao trabalho de ler isto até ao fim, merece um prémio!!!
Enfim, espero que esta informação tenha sido útil, se tiverem dúvidas, perguntem!
Um apelo final: Comentem!! e, sobretudo, espalhem a palavra!!!
Quero acabar com o mito de que existem por aí mais 8 Jxxx xxnxxx xxdxxxxxx xxxxs... É MENTIRA!!!
Abraços!!

Sábado, Março 25, 2006

Blog adormecido

Post sobre nada... nada mesmo... apenas para desentorpecer e, quem sabe, prenunciar dias mais produtivos em termos de escrita...
A(s) música(s) e a vida de "casal" não permitem mais... será sempre assim?
Espero voltar em breve... se não passa de adormecido para hibernado!
Dug

Sexta-feira, Janeiro 27, 2006

Che boludo

Eran seis hermanos Jerte cuando Paco se murió
Eran seis hermanos Jerte cuando Paco se murió,
Paco Jerte se murió de sarampión,
y quedaron cinco Jerte cuando Paco se murió!

Quarta-feira, Janeiro 25, 2006

O valor da mudança!

Não, já não é de política que estou a falar! A "mudança" do título do post não tem nada a ver com a recente novidade política - quanto a esta já me consciencializei de que o melhor a fazer é habituarmo-nos, resignarmo-nos aceitando a alternância democrática, esperar que a(s) pior(es) característica(s) do nosso novo presidente sejam "apenas" aquelas que já são sobejamente conhecidas: incapacidade para exprimir ideias clara e incisivamente; enormíssimo défice de presença, do dom da palavra (creio que esta ideia não é tão fútil quanto isso na avaliação de um Presidente da República); duvidosas intenções relativamente ao papel que deve ter o chefe de estado no quadro do nosso sistema democrático... enfim, não me quero alongar mais quanto a defeitos e espero que sejam só estes e que o nosso Cavaco não se meta a fazer disparates. Finalmente, em relação a esta mudança não tenho mais nada a dizer, a não ser talvez "pra melhor está bem está bem, pra pior já basta assim".

Portanto, depois desta dissertação sobre o que o que o post não vai (ia) ser, volto ao "valor da mudança".
Mudança pessoal e individual! Mudança de atitudes, mentalidades, maneira de estar na vida, perante nós próprios e os outros, maneira de lidarmos com as nossas qualidades, mas sobretudo com os nossos defeitos. É essa a mudança que tem um valor incalculável!
Nem vale a pena falar do que mudar, como mudar, ou porquê mudar. Essa é a parte da mudança que é tão pessoal que nem sequer vale a pena ser abordada por alguém exterior (Porquê mudar? Porque está mal! O que mudar? O que está mal! Como mudar? Sei lá! Depende do que estiver mal!! Mas qualquer um destes pares pergunta/resposta só é verdadeiramente relevante se for colocado por cada um de nós, candidatos à mudança, individualmente e com seriedade!)! O que é que sobra então acerca de mudança? Umas quantas constatações e algumas considerações pessoais!

Constatação - As pessoas mudam pouco!
Não tenho complexos em afirmá-lo assim peremptoriamente! Para mim é uma evidência! As pessoas mudam pouco, pouco de cada vez, poucas vezes profundamente, poucas vezes com verdadeira intenção de manter essas mudanças ou de que elas sejam mais do que pequenas operações de cosmética destinadas a encobrir alguma falha e não a corrigi-la de facto, e muito, muito poucas vezes por vontade própria ou sem que a mudança seja despoletada por algum acontecimento exterior!
Já não posso afirmar tão peremptoriamente o porquê desta constatção. Não sei se faz parte da natureza humana o imobilismo, e nesse caso se é por egoísmo, preguiça, inércia, maldade, opurtunismo, um pouco de todas estas características ou outras quaisquer! Mas enfim, acho que qualquer que seja a razão, é bastante negativo que a esmagadora maioria das pessoas seja tão avessa à mudança, ainda que deva dizer que compreendo pelo menos algumas das razões e atenuantes para esta aversão.
Por exemplo, compreendo perfeitamente que não seja fácil identificar, ou conviver pacificamente, ou confrontar, ou ter a força de espírito e a coragem suficientes para mudar os nossos defeitos. É sem dúvida muito mais fácil e confortável (mas incomparavelmente pior para nós próprios e normalmente também para os outros) simplesmente tentar ignorar as nossas falhas - e conheço tanta gente que não sabe fazer outra coisa, alguns inconscientemente, mas outros com absoluto despudor, o que ainda é pior!
Claro que também há quem quem identifique as próprias falhas e não faça grande coisa para se aperfeiçoar, sem contudo ser mal intencionado! Mas atenção, não quero com isto fazer crítica a ninguém, aliás sinto por vezes que me insiro nesta nobre categoria e a maneira como entendo esta posição é qualquer coisa do género: "eu faço introspecção; se me perguntarem eu sei dizer quais são os meus defeitos porque estou bem consciente deles; isto é muito mais do que faz a maioria das pessoas e, além disso, os meus defeitos nem sequer prejudicam substancialmente as pessoas que me rodeiam, por isso talvez um dia eu faça por mudá-los, corrigindo-os para melhor... mas não agora!"

Constatação - Não é fácil mudar!
Parece uma contradição com o que acabei de dizer, mas a verdade é que eu acho mesmo que é difícil mudar verdadeiramente; seja porque se identificaram coisas que não nos agradam em nós próprios mas não se sabe como mudá-las, ou porque se tenta mas não se consegue abandonar velhos hábitos; seja porque não se consegue identificar ou ter a verdadeira noção de quais são os problemas; ou seja ainda por não se ter a noção de que, às vezes, há características nossas e maneiras de estar com os outros e encarar a vida que, não sendo problemas no imediato, exigem mudança, evolução, adaptação, porque mantendo-se imutáveis acabam por se tornar não só em problemas, mas em defeitos enraizados na maneira de ser apenas por força do hábito (características que as pessoas têm "porque sim" ou, muito redundantemente, "sou assim porque sou assim")

Consideração pessoal - Acho mau e triste não se mudar!
Não se pode forçar ninguém a mudar e talvez nem se possa ou deva sequer interferir na mudança de cada um porque é uma escolha individual! Mas acho que é uma pena que muita gente não mude por não sentir, ou negligenciar e menosprezar esse impulso de mudança que, quanto a mim é também um sinal de inteligência (será que daqui se podem tirar ilações acerca da inteligência de cada um, ou será que contemplar e meditar ou não sobre estas questões é mesmo só um traço de personalidade e eu estou a extrapolar demasiado, ou como se diz em bom português, a tirar nabos da púcara?)

Consideração pessoal - Acho ainda pior escolher não se mudar (seja por que razões for: comodismo, receio, teimosia, egoísmo, etc, etc, etc.

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Este post foi interrompido há mais de um mês e nunca mais me dei ao trabalho de o concluir... aliás, negligenciei o meu blog durante um mês, e por isso nem me lembrei do post! Lembro-me de, na altura, ter mais coisas a dizer sobre o assunto, mas é evidente que já não faço ideia do que fosse, nem me apetece voltar a pensar nisso! O que está dito é o que eu penso, e o que não escrevi, para a quem este post é destinado (sim, acho que és a única pessoa que está à espera da publicação deste post!!!), não precisa de ser escrito!

tot volgende keer!

Domingo, Janeiro 22, 2006

Presidenciais - II

*suspiro*

2745491... repito para dar mais ênfase: DOIS MILHÕES, Setecentos e quarenta e cinco mil, quatrocentas e noventa e uma almas, acharam que Cavaco Silva era a melhor alternativa para presidente de Portugal...

*suspiro*

Ainda não estou preparado para fazer mais declarações sobre o assunto... mas o meu silêncio é fácil de ler e as minhas opiniões sobre o mesmo estão facilmente subentendidas!

Presidenciais - I

Para mais tarde uma reflexão mais séria!
Uma vez que estou um pouco abalado começo por um fait-divers que é, também, um piscar de olho à minha amiga Ana:

Se nestas eleições, à semelhança do que acontece nas legislativas, os votos brancos e nulos entrassem nas "contas" finais, Cavaco Silva, em vez de 50,6% dos votos, teria obtido 49,6% e, consequentemente, NÃO teria sido eleito à primeira volta! (cometo um lapso propositado, mas às vezes têm de se adaptar os números às nossas expectativas, mesmo distorcendo-os ligeiramente para servir os nossos propósitos, quando eles não são o que estavamos à espera. É que, apesar dos votos brancos e nulos entrarem para as contas das outras eleições que não as presidenciais, evidentemente NÃO são contados na atribuição dos mandatos, apenas são contadas as suas percentagens... logo a situação é semelhante às eleições presidenciais, uma vez que um voto branco ou nulo não elege ninguém - nem sequer um presidente "branco" ou "nulo".
Ainda assim, aqui ficam os resultados do OMO - 1,06% correspondentes a 58700 e picos (estão 3 freguesias por apurar) e dos nulos 0,79%, 43329 votos... a brincar a brincar ainda são mais de 100000 pessoas!!)
tijay

Sábado, Janeiro 21, 2006

No meio de nada

A minha vida está aqui... está cada vez mais aqui; inapelavelmente, progressivamente e sem eu dar conta foi-se mudando para cá!
E no entanto está lá também, uma parte importante dela, pelo menos!
Cá está quase tudo e, no entanto parece que faltam algumas coisas bastante importantes, fundamentais, diria mesmo! O lá parece que se constroi cada vez mais em oposição ao cá (parece que quanto mais tempo se passa mais se vão tornando mutuamente exclusivos) - mais ou menos pelo mesmo processo através do qual se constrói a identidade por oposição ao "outro".
Acontece que, ao contrário da questão da formação da identidade, na questão da formação deste "espaço virtual" que sou eu, esse cá e lá que se excluem são ambos "eu"... não são "eu" vs. o "outro", o que se me configura como um problema!
Quando cá estou faltam-me as coisas de lá, embora a um nível muito subconsciente, porque me sinto muito bem e enquadrado cá - se não enquadrado com o que me rodeia, pelo menos comigo mesmo e com os que me são próximos, ou com um pedaço de mim que criei independentemente do que está à volta. Mas, simultaneamente, quando lá estou, as coisas que cá criei não podem nem de longe nem de perto ser recriadas e tenho de me reinventar demasiado, quase por completo.
Começo a sentir que se calhar não estou nem cá nem lá, estou algures... no meio de nada!

Segunda-feira, Janeiro 09, 2006

Hemophiliac 50-6

O caos tem regras... uma certa consonância, uma certa inevitabilidade, que me ultrapassa e me reduz a uma insignificância que já sabia ter! O caos sonoro tem um poder que move mesmo os menos fluentes na linguagem peculiar em que se expressa! Para aqueles que dominam um tipo de linguagem sonora (seja ele qual for), o caos sonoro, mediado pela criatividade infinita e que brota em jorros incontroláveis do artista, tem uma força e um poder que são sublimes, assim a mente os saiba utilizar e canalizar na direcção certa, direcção essa em que caos, som, poder, força, se tornam inapelavelmente em energia vital, em energia criadora, em absoluto!!
A criação artística está cheia de regras, a inspiração não! A divagação é um dos expoentes do caos! O caos pode ser sonoro, mental, pictórico, aquilo que se quiser e para o qual cada indivíduo tenha mais inclinação! Eu devo confessar que sou um adepto do som e dos devaneios da mente, mas se os sinto com esta intensidade consigo conceber que ele - o caos - se manifeste sob inúmeras formas, INFINITAS, consoante os sujeitos que o percepcionem e o sublimem! Faço uma apologia do caos inesperada! Inesperada porque o ponto de partida e de chegada deste devaneio são tão díspares como o som que o originou, os percursos sinuosos da mente que o amplificaram, ou a própria existência artística que o justifica e comprova!
Ainda assim; e com pouca vergonha ou complexos perante a evidente falta de nexo e fio condutor... ou talvez precisamente pela beleza que nestes dois pontos encontro; faço, uma vez mais, com energias renovadas e um frémito sensorial a percorrer-me a alma...
o Elogio do Caos!
Caos
Caos
Caos

Quinta-feira, Dezembro 15, 2005

Nome de Rua

Deste-me nome de rua,
de uma rua de Lisboa.
Muito mais nome de rua
do que nome de pessoa
Um desses nomes de rua
que são nomes de canoa!

Nome de rua quieta,
onde, à noite, ninguém passa,
onde o ciúme é uma seta,
onde o amor é uma taça.
Nome de rua secreta,
onde, à noite, ninguém passa,
onde a sombra de um poeta
de repente nos abraça.

Com um pouco de amargura,
com muito da Madragoa.
A rua de quem procura
e o riso de quem perdoa.
Deste-me nome de rua
Numa rua de Lisboa

Nome de rua quieta,
onde, à noite, ninguém passa,
onde o ciúme é uma seta,
onde o amor é uma taça.
Nome de rua secreta,
onde, à noite, ninguém passa,
onde a sombra de um poeta
de repente nos abraça.


(P.s. - seguindo o conselho de um dos leitores do meu blog convém mencionar que este poema não é meu... mas é a letra de um fado já existente que pode vir a ser o meu primeiro passo nesta aventura "fadística" em que me vou meter... logo se vê!!)

Quarta-feira, Dezembro 14, 2005

Cinismo

É estranho ser apenas agora que publico o meu primeiro post directamente relacionado com música, ainda para mais um que não vai ser tão extenso como eu creio que o assunto mereceria, mas enfim, foi um pensamento que me ocorreu há uns minutos e que não se podia perder no nada do esquecimento e, assim, fica registado (a importância que possa vir a ter logo se vê)

Assistindo a um "voorspeelavond" (vulgo "audição" em Português) de Traverso numa sala muito pequenininha do KonCon e, distraido, enquanto ouvia, a olhar pela janela (a sala era num quinto andar, já agora) que dá para um amontoado de prédios enormes, uma autoestrada, várias linhas de comboio e de tram (eléctrico), etc, etc, etc, dei por mim a divagar e devanear acerca do sentido, se não da vida, pelo menos do meu rumo na vida, nomeadamente enquanto músico.
Vou explicar melhor.
A dicotomia e desfasamento entre 2005 - com a autoestrada, os prédios, o comboio, etc, que, por si só já são um pouco "chocantes", mas funcionam aqui só como amostra e metáfora do nosso tempo, do nosso século, com o que tem de bom mas, sobretudo, com o que tem de mau - e uma Cantata de Telemann, uma Sonata de Bach, uma Suitte de Hotteterre, Uma Sonata de Leclair ou outra de Händel, enfim aquilo que eu escolhi fazer na vida, esse desfasamento, dizia eu, é demasiado grande, diria quase monstruoso, para que, pelo menos, não valha a pena eu me deter um bom bocado a pensar sobre a questão!
E a questão é... porquê? qual o sentido? de ouvir e sobretudo de fazer música escrita há 400, 350, 300 anos!!??
É evidente que a resposta simples a esta questão complexa está na Música, ela própria, em geral e em cada uma das peças individualmente! Mas há mais, tem de haver mais (de outro não me teria dignado a passar estes pensamentos para palavras escritas!)
E esse extra de dúvida e problemática reside noutra questão... COMO? como fazer música, como tocá-la, como viver perante ela, que papel e participação lhe atribuir na vida!? Este post chama-se cinismo porque essa é uma das maneiras de responder a esta questão: como? com cinismo! Sim, exactamente, não é engano! É cínico tentar tocar-se a música (pelo menos esta música) com uma autenticidade que será sempre inatingível!!!
A esta conclusão não cheguei eu em primeira mão, longe disso! Mesmo os puristas e mais fervorosos adeptos da autenticidade na interpretação de música antiga, se forem minimamente inteligentes e/ou não estiverem já completamente desligados do mundo real, do séc. XXI já devem ter vislumbrado algo semelhante a isto - embora duvide de que lhes passe pela cabeça usar a palavra cinismo - por estas ou por outras palavras, pelas mesmas ou por razões ligeiramente diferentes.
Se eu sei o que é um comboio, um arranha-céus, uma autoestrada ou, muito mais significativamente, uma bomba atómica, não posso aspirar a tocar a minha suite de Philidor como ela seria tocada por um músico do séc. XVIII em França que, obviamente, ficaria tão estupefacto se, por acidente, viesse parar ao século XXI como eu, se fosse parar ao XVIII!
Um purista diria que, não sendo um objectivo atingível, é um ideal a perseguir... eu (pelo menos hoje) chamo-lhe cinismo! Se eu nunca tocarei a música como ela soava há 300 anos - por todas as razões e mais uma - se eu sei disso, se os outros sabem disso e se sabem que eu sei disso, então, se eu o tentar fazer obstinadamente, isso é cinismo!
Esto no departamento de "Early Music and Historical Performance Practice" - música antiga e interpretação histórica... na Música Antiga acredito... da Interpretação Histórica reservo-me o direito de duvidar (enfim, resta saber QUE interpretação histórica... DE QUEM... QUE Interpretação... QUE História????).
Não posso tocar essa música dessa maneira, mas se calhar NÃO QUERO tocar essa música dessa maneira! Quero tocar essa música da melhor forma possível, mas será sempre a minha maneira... À MINHA MENEIRA!
Em relação à minha escola... bem, continuo a achar as vantagens incomparavelmente maiores do que as desvantagens (com interpretação histórica à mistura e tudo), e acho que o melhor que tenho a fazer é aprender o mais e melhor possível a tocar esta múscia, mesmo nesta corrente estilística... se não o conseguir não vou ter legitimidade para depois dizer... não, não é isto que eu quero!
Por isto mesmo e porque o post já vai mais longo do que eu estava à espera, tenho de me despedir, já estou atrasado para um ensaio!
Vou fazer música antiga...

Sexta-feira, Dezembro 02, 2005

A boca do inferno

Quem me conhece melhor sabe que sou um fã confesso (entre outros) do tipo de humor do Gato Fedorento.
A minha namorada não gosta, eu sei, tento compreender mas é-me complicado, e já desisti até de a tentar convencer. Acho que é aquele "je ne sais quoi" de "non-sense", com umas influências longínquas de Monty Python, mas muito menos britânico, muito mais tuga, que é capaz de ser o que me atrai a mim e a deixa indiferente a ela (a porTUGAlidade escarrapachada)! É pateta até dizer basta e acho que é esse o único segredo, se é que é segredo: é, enfim, RIDÍCULO (vide as origens etimológicas da palavra).
Mas o assunto do post é outro, é um dos membros "gone solo". É como se de um consort ou ensemble, se retirasse apenas um elemento e se o atirasse às feras. Esse elemento é o Ricardo Araujo Pereira que, para quem não saiba ainda, é um dos mais recentes colunistas da Visão (esse elo de ligação deste emigrante que aqui escreve entre Portugal e um enclave que existe aqui na Holanda - o meu quarto), que acho que se dá muito bem com esse tipo de número, sem rede.
O tipo de humor d'A boca do inferno é refinada e subtilmente diferente de, por exemplo, o do gato fedorento (e de outros tipos de humor mais boçais que não deixo de apreciar... assim tipo Manuel João Vieira - deixem-me fazer um pouco de (pré)-campanha (pré)-presidencialista: "Um Banana para uma república" e "Só desisto se for eleito", etc. etc. etc., se não conhecem deviam ir pesquisar em www.vieira2006.com). Falta lá precisamente a porTUGAlidade escarrapachada e é simultaneamente mais soft, menos hilariante, mas mais sério, um pouco mais intelectual e, em momentos de genialidade, muito mais pertinente (ou impertinente).
É desses momentos de génio que me apetece falar, sobretudo porque, como leitor assíduo que sou das suas crónicas, consigo seguir também as oscilações de forma do cronista (a linguagem e metáfora futeblística encaixa-se aqui bem, acho eu). A verdade é que, apesar de continuar a ler as suas crónicas semanalmente, acho que o Ricardo andava fora de forma. 'Tá bem, arrancava-me de vez em quando uma garagalhada esporádica, mas nada que alterasse substancialmente o meu estado de espírito e humor. Estava já a ficar preocupado porque acho que isto vinha acontecendo já há algumas semanas ou até meses... até esta quinta feira!
Amigos, aconselho vivamente a leitura da crónica desta semana. Mas Atenção: se nunca leram uma "crónica" do também colaborador da visão António Lobo Antunes (não sei bem se são crónicas, o que publica o escritor na visão) provavelmente nem vão rir sequer... mas se fizerem a experiência de ler umas quantas crónicas do António, mais umas quantas do Ricardo e por fim a desta semana do último, então vão perceber a síntese entre António, Ricardo, Visão e Gato Fedorento.
Acho que é precisamente assim que se deve parodiar uma pessoa (se alguém alguma vez escrever assim sobre mim, ou imitar o meu estilo, a fazer seja o que for, da mesma forma que a "caricatura" do António pelo Ricardo, eu vou rir a bandeiras despregadas e vou sentir-me honrado!). Sinceramente nunca li nada de Lobo Antunes (que eu saiba, por exemplo um sobrinho dele que eu cá sei também nunca leu, por isso não deve ser muito grave a minha ignorância, porque o sobrinho é um músico fantástico e uma pessoa porreiríssima), mas tenho respeito pelo senhor apesar da sua crónica bi-mensal ser das poucas coisas que nunca ou raramente leio na Visão. Mas acho que o Sr. Lobo Antunes, se tiver sentido de humor, se sentirá honrado pel'A boca do inferno desta semana... tinha curiosidade em saber, por acaso... mas se não, aí é que eu nunca me meteria a ler um livro dele!
Z dixit, mas já chega. Basta também de posts telegráficos, mas se calhar este passou um pouco do barroquista para o lado do "testament-like"
Não sei se hei-de escrever sobre as minhas orientações políticas, mormente na questão das presidênciais que se aproximam... vou pedir aos meus pouquíssimos leitores assíduos (eu sei quem vocês são e que estão aí desse lado do computador... até vos estou a ver as caras e tudo) que me dêem algum feed-back sobre o assunto e depois decido se torno ou não públicas as minhas opiniões bastante básicas sobre política.
Tijay

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

Sonetos e sotenoS - I

Dois-me mais aqui onde não te vejo,
fico num estado de melancolia,
faz-me falta essa tua energia,
o teu calor, conforto e o teu beijo.

Ensinas-me a saudade dia-a-dia,
enquanto não te tenho e te desejo.
Aqui não há colinas nem há Tejo,
não há deslumbramento nem magia,

não há nem miradouros nem calçadas,
não há nada com o mesmo sabor,
todas as coisas são acinzentadas.

Amar, onde eu nasci, tem outra cor,
é azul e tem telhas encarnadas
e se não veio de lá não é amor.

Sonetos e sotenoS - II

Quero pintar palavras com pincel,
ou descrever pintura num papel,
poder ser por um dia genial.

Contar histórias com uma melodia,
transformar essa Música em poesia
e descobrir aquilo que me inspira.

Mas tenho medo de ser só banal,
de não ser nada mais que uma mentira,
ser só alguém por quem ninguém suspira,
ou pior: ser simplesmente normal!

Sonetos e sotenoS - III - Gastronomia musical

Não sei se é um soneto ou uma sonata,
é-me igual, sou muito pouco exigente.
Por mim podia ser uma batata,
era-me mais ou menos indiferente.

Adagio, Allegro, Andante, tanto faz,
não tenho autonomia musical.
Bacalhau cozido, frito ou à bráz,
se for bem temperado, é-me igual!

Parece brincadeira mas é sério;
aquilo que me vem parar à boca
é para mim quase sempre um mistério.

E Música; Romântica ou Barroca,
é uma escolha quase sem critério,
pois personalidade tenho pouca.

Sonetos e sotenoS - IV - Rifão (quase) quotidiano

Não há duas sem três, já diz o povo
e eu acrescento um provérbio novo:
"quem fez três também pode fazer quatro"

Assim faço sonetos à pressão,
agora é só carregar no botão
e sai-me esta métrica ao desbarato

Sonetos sem conteúdo e sem sentido,
sobre tudo, mas sobretudo nada,
'inda por cima com a forma errada;
é um soneto, sim, mas invertido!

Som

Uma roda rodava pela rua,
redonda, rodopiava no asfalto.
As folhas afastavam-se, num susto,
à espera de serem esmagadas.

O céu cinzento sussurrava
ameaças de chuva sazonais
e os pássaros piavam, perdidos,
pelas portas dos prédios sempre iguais.

Um dia de Dezembro desinteressante,
de dor, de dormência e de tédio,
esperando, esquecido nesta estupidificação,
um estado de espírito que me desperte.

Conquanto continue a querer ficar aqui,
questiono-me constantemente
sobre o porquê desse querer,

tudo é tão triste, tétrico até,
totalmente contrário a tantas espectativas
que durante tanto tempo fui criando...

O céu é cinzento e chove sempre;
a comida cinzenta e sempre sem sabor,
e na rua a roda roda, roda...
as folhas afastam-se, fogem...
os pássaros piam...
Dormente, durmo, cá dentro
e deixo a dor lá fora quando desço
os cortinados sobre as janelas


A Haia - 7/VI/MMV

Terça-feira, Novembro 22, 2005

hard work, life, the universe and everything!

Problems are meant to be overcomed!
Limits are made to be pushed!
Rules are meant to be broken!

Keeping the head above the water line!
Easyer said than done...

-//-

Os problemas existem para serem resolvidos!
Os limites existem para serem ultrapassados!
As regras existem para serem quebradas!


Tantos pensamentos e posts em potência na minha cabeça, e tão pouco tempo para os fazer existir.
É a minha eterna angústia e batalha interminável contra Kronos!

Quinta-feira, Novembro 10, 2005

No Problem

I was competing in the 2nd-freestyle-transatlantic-cross over on my ultra sonic jetmachine... after 2 days and 4 hours I was right behind an American powerboard-rider... He tried to attack me. But I got my machine ready to dive and fly... when he nearly hit me with 90 miles an hour I dived down and immediately launched myself skyhigh. I JUMPED 120 YARDS AHEAD OF HIM... that day I was the winner and I have this picture to prove it!

That's what you get when you have no problem - everything seems so special just for no reason and in a way you don't recognize the day after!

Truth or dare?

Do I dare or do I stick with the truth?

I guess I'll go for the easy solution... I love it anyway!

THC

Telegráfico

Mais uma adenda para a colecção de posts telegráficos:
Fado, Futebol e Fátima?
Nááááááá
Flauta, Fagote e... Fado!!!
Viva a emigração, viva Portugal e viva ao ecletismo!
E já agora, parafraseando alguém com bastante bom senso:
Manuel (por favor) Alegre-nos!
Doei

Quinta-feira, Novembro 03, 2005

Blogs

Quando a minha mãe (vou repetir: A MINHA MÃE!) me comunica que vai criar um blog, tenho de acreditar que este em que escrevo está a ter mais efeitos e mais estranhos do que estava à espera quando o criei!
Way to go mum!!
Aguardo ansiosamente!
Beijinhos pra Portugal

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Ingredientes

O fumo contém benzeno, nitrosaminas, formaldeído e cianeto de hidrogénio.
...
...
e isso é bom ou mau???

Terça-feira, Outubro 25, 2005

7 anos

7 anos é muito tempo... é IMENSO tempo!
Não passam a correr, de modo algum, mas estes últimos 7, parece que passaram depressa!
Parece que tudo o que aprendemos foi aprendido depressa, agora que já o sabemos!
Parece, de uma forma estranha, que há 7 anos e um dia foi ontem, e que tudo se passou, como num sonho, rapidamente e como se fosse magia, durante uma noite de sono e sonhos bons! Como se de ontem para hoje tivesse aprendido todas estas coisas contigo e não pudesse sequer ter sido de outra forma!
Estes 7 anos sabem-me bem! Melhor do que qualquer coisa que possa definir ou tenha alguma vez provado! Sabem muito melhor do que a soma dos seus ingredientes...
Agora que penso nisso, sabem muito melhor do que os 84 meses que passaram, do que os 2557 dias, do que as 61368 horas, os 3682080 minutos ou os 220924800 segundos que passámos juntos, pelo menos como estamos agora, em que me tornei um bocadinho de ti e tu um bocadinho de mim!
7 anos é muito tempo, ou se calhar é apenas uma noite e amanhã, quando acordarmos, podemos começar a contar outra vez!

Terça-feira, Outubro 18, 2005

Tibetan peace garden

We Human beings are passing through a crucial period in our development. Conflict & mistrust have plagued the past century, which has brought immesurable human suffering & environmental destruction. It is in the interest of all of us on this planet that we make a joint effort to turn the next century into an era of peace & harmony.
May this PEACE GARDEN become a monument to the courage of the tibetan people & their commitment to peace. May it remain as a symbol to remind us that human survival depends on living in harmony & on always choosing the path of non-violence in resolving our differences.
The XIV Dalai Lama of Tibet.
13-May-1999

...

...

...

Well, it may not be the most inspired message ever, but it's a good, simple, honest, usefull urge for peace, love, understanding and tolerance!
Problem is, the beggining of our new century, insofar, has been everything but an auspicious one - to say the least! - in what concerns peace, love, understanding or tollerance!
Even worse is my guess (and I think it doesn't take a genious to guess this) that this message will be even more urgent in 10, 20, maybe 50 years - that is assuming that there will still be someone with good sense on this planet to whom the message may be directed at!!
And by the way... it got me wondering; why on earth was the peace garden built precisely next to the huge and somewhat oppressive Imperial WAR Museum!!?? Maybe that's the whole point... but still I wonder!

(notes from London - cheers)

Terça-feira, Outubro 11, 2005

...

...and sometimes it's just a big misunderstanding!
sorry!

Silence

Sometimes slience hurts more than the worst, ill-intentioned, wrong-doing or insult!
Sometimes silence stings like needles pushed deeper and deeper inside your guts!
Sometimes silence means despise, sometimes it means absence, but worst of all
Sometimes silence means (I guess) just cold and sheer indiference,
and that just makes you deeply deeply sad...
the kind of sadness which feels like you could die from!
Please... just speak!

Terça-feira, Outubro 04, 2005

Amizade e Comunicação

To P.M.
Amizade e comunicação têm bastante em comum. São fenómenos estranhos, misteriosos, difíceis de definir; parece não se saber muito bem como começam e onde deixam de funcionar, porque resultam ou não, como se estabelecem diferentes dinâmicas ao longo da sua existência e, sem dúvida, há muito de uma na outra - seja qual for a ordem dos factores que se escolha, mas principalmente parece-me ser indispensável uma boa dose de comunicação numa boa amizade, enquanto que, por outro lado, é mais agradável comunicar-se com alguém por quem se sente, pelo menos, alguma empatia!
Acho que é possível fazer um esforço, conscientemente, para criar, manter, melhorar e aprofundar tanto amizades como comunicações com outras pessoas, mas também acho que as mais gratificantes são aquelas que parece que simplesmente acontecem, sem mais nada, sem aviso, sem esforço, sem demasiadas expectativas, sem explicação aparente, enfim, sem problemas (não tenho a certeza de que isto exista, na verdade... pelo menos estas características todas ao mesmo tempo)!
Mas essas também são as mais difíceis de compreender, porque muitas vezes são quase ilógicas. Pessoalmente tenho experiência de pessoas com quem tanto a comunicação como a amizade que temos são absolutamente bizarras, e no entanto são as que mais prezo e pelas quais faria (e tenho feito) qualquer coisa para as manter, incluindo esforços para resolver quaisquer problemas que sinta que se lhes deparam!
Não tenho muitas amizades a sério e não sei explicar porquê. Há muita gente com quem comunico com uma facilidade incrível (talvez às vezes até com demasiada facilidade para a confiança que tenho com elas); depois um número um pouco mais pequeno de pessoas por quem posso pôr as mãos no fogo e que acho que fariam o mesmo por mim (mesmo assim aqui ainda está muita gente porque acho que sou um bocado crédulo); um círculo mais restrito de pessoas que me conhecem MUITO bem e que eu sei que estarão sempre lá para mim e vice-versa.
Talvez a estes últimos já possa chamar amigos, mas a verdade é que quando penso na palavra ocorrem-me sempre duas pessoas, bastante diferentes entre si e, sobretudo, com quem comunico de formas diametralmente opostas! Com uma comunico por palavras, por imagens, por pensamentos, por tudo e mais alguma coisa e às vezes até por nada; com a outra [que és tu, no caso de ficares com dúvidas] ainda não percebi se comunico ou não, nem como, mas a verdade é que a amizade continua sempre lá, estranha, forte, como um pano de fundo, uma camada subjacente, arcaica e primordial, uma energia... daí que tenha que pressupor que exista entre nós uma comunicação de qualquer tipo que eu não compreendo bem. É uma comunicação invisível, inaudível e impalpável. É etérea!
É talvez por isso que, chegado a este ponto da minha divagação e sem ter ponderado que isso pudesse acontecer, tenho de admitir que se calhar os dois sujeitos do meu texto não andem sempre a par, ao mesmo tempo e sob as mesmas formas; ou então há ainda mais formas de cada uma do que eu tinha suposto e são impossíveis sequer de catalogar, quanto mais de compreender, pelo menos para mim e para o meu pequeno intelecto!
O mais curioso de tudo, no entanto, é que este texto não é mais claro no fim do que o era no princípio, muito pelo contrário, e que não há ponto nenhum a provar, nem a defender, só a certeza da amizade... uma amizade estranha... uma comunicação estranha... mas que não trocava por nada!
Um grande abraço amigo, de longe, e já agora desculpa por já passar da hora, mas demorou-me mais tempo a atinar com os pensamentos e com os acentos num teclado alemão do que estava à espera... mas em Portugal ainda são 23:12 de dia 3!!!!!!!!!!!!!!

Sábado, Outubro 01, 2005

Renascentismo, Barroquismo, Modernismo, Especialismo. (!??!)

Para além de todos os outros, há um pequeno mal da nossa sociedade - dita contemporânea, moderna, desenvolvida, ocidental - que me atormenta e aflige um pouco.
Assim, como me é extraordinariamente difícil ter sequer pretensões a escrever algo relevante sobre, por exemplo: Conflitos Internacionais; Terrorismo; Pandemias; Calamidades Naturais; Questões Sociais; Problemas Políticos e eleições autárquicas, que não são bem a mesma coisa!; etc, etc, etc (ena, só assim fazendo uma enumeração, mesmo não exaustiva, é que uma pessoa se apercebe de quão mal vai o nosso Mundo), limito-me, portanto, a focar-me na terrível tendência, não tão actual quanto isso, para a hiper-especialização e "tecnicalização" deste nosso mundo competitivo.
Vivemos numa sociedade, rápida, desenvolvida, competitiva, feita de, para e por especialistas - sim, até no nosso cantinho chamado Portugal, para o efeito não faz diferença: se se tem um computador para ler este texto então também tem de se estar incluido. Cada um de nós sente, e é encorajado cada vez mais nesse sentido, que tem de ser o MELHOR (possível), seja lá no que for que cada um faça; temos de ser criativos, competitivos, produtivos e aspirar sempre a melhorar todos estes parâmetros da nossa actividade!
Quero já deixar claro que não tenho nada em concreto contra a competitividade e produtividade, nada em absoluto contra a criatividade, e que seguramente acho positivo que se procure melhorar, evoluir! O que me faz confusão é mais o processo através do qual é suposto serem atingidos estes resultados, é o "como", é o grau de excelência, levado ao paroxismo e à obsessão, necessário para dominar as máquinas com que trabalhamos - e as máquinas são: as propriamente ditas, mas também as instituições, as circunstâncias, as especificidades e idiossincracias de realidades cada vez mais complexas!
Eu tenho de saber tudo o que há para saber, dominar, estar à vontade, "baralhar e voltar a dar", os aspectos específicos da minha área de actividade, que por acaso são cada vez mais e que, felizmente para mim, até nem têm tanto a ver com produtividade ou competitividade quanto isso (mas isso é apenas uma feliz coincidência para mim e que não altera substancialmente o ponto que estou a demosntrar, em geral, uma vez que decidi ser músico e tenho de desenvolver mais a parte criativa). O problema é que, ou somos todos super-homens, ou quando finalmente soubermos o suficiente para sermos úteis à sociedade naquilo que decidimos fazer, tragicamente, já será demasiado tarde para aprender seja lá o que for sobre outra coisa qualquer!
Exagero? Talvez, mas a verdade é que a tendência vai cada vez mais no sentido de aparecerem cada vez mais técnicos hiper-competentes-especializadíssimos-maquinais-infalíveis e IGNORANTES, do que leigos-cultos-honestos-curiosos, enfim pessoas... Homens!
Mas o mais subversivo, na minha opinião, é que também há quem tente encapotar e amenizar esta tendência, proclamando que se deve aspirar é precisamente ao oposto. Não sei exactamente se se chama pós-modernismo ou não (sou suficientemente ignorante em epistemologia e Ciência Social para poder cometer destas gaffes), mas como é dos meus odiozinhos pessoais preferidos vou partir do princípio de que sim.
Não raras vezes se ouve falar de interdisciplinariedade, complementaridade dos saberes, de aprofundamento de conhecimentos em áreas distintas, como se fossem ideais a atingir, ou mesmo condições sine qua non para se ser produtivo, etc.
Mas a verdade é que nunca consegui deixar de sentir, ao ouvir representantes desta corrente, que talvez os próprios nem sequer acreditem muito bem no que apregoam! Parece que eles são os responáveis precisamente pelo contrário, pela especialização, pelo afunilamento, mas que depois, por um qualquer tipo de peso na consciência, por terem consciência dos malefícios do mundo complicado que criaram, aparentam encorajar que se lute contra essa visão redutora e que se seja "pós-moderno"!
Faz-se festinhas com uma mão e com a outra bate-se com o cinto! É que se alguém se aventura a sério neste "iluminismo" - chamemos-lhe assim - é relativamente fácil ficar-se proscrito, fora do circuito dos especialistas, e é-se logo acusado de se ser demasiado vago, disperso, pouco correcto tecnicamente, por parte dos professores-especialistas que, se calhar, noutra ocasião e contexto se afadigaram a incentivar precisamente esta pluridisciplinaridade!
Imagino que haja uma minoria destes resistentes, anacrónicos Homens do Renascimento, no limbo da excomungação desta nossa comunidade técnica (eu, por exemplo, conheço um e consigo conceber que haja mais... tal como as bruxas, ou os O.V.N.I.s). Depois há um grupo, não sei se minoritário ou não, daqueles que, não tendo a perseverança suficiente para resistir contra o tempo em que vivem, não têm outro remédio senão "irem-se especializando", enquanto mantêm, mais ou menos em segredo e esperando que ninguém repare nisso, uma certa admiração e uma pontinha de inveja salutar por essa estirpe cuja existência, às vezes, parece assemelhar-se à dos gambuzinos!
Pessoalmente não me considero nem super-homem, nem super-máquina. Posto perante o dilema de apostar mais em saber tudo sobre o meu ofício, e nada mais; ou em saber um pouco mais sobre tudo, para além do meu ofício; como diria o outro (não sei quem, mas gosto de usar esta expressão): "Entre les deux, mon coeur balance!".
Não consigo evitar sentir a angústia da ignorância quando finalmente, à custa de muito porfiar e obsecar com a minha música, começo a ter lampejos de compreender, por exemplo, a essência do estilo da música francesa por oposição à alemã e como exprimi-las, ou ainda mais especificamente, o significado daquele acorde obtuso e dissonante naquela peça de Brahms (podia ser ainda pior!). Da mesma forma que quando me dou ao trabalho de saber algo mais sobre o mundo que me rodeia, o que posso fazer por ele, por mim e pela nossa relação um com o outro, não me consigo livrar do receio da incapacidade técnica para exprimir seja lá o que for através de sons!
Para mim acho que resulta ir passando o peso do dilema de um pé para o outro... balançando, mas não faço ideia se funciona sempre e para qualquer um, ou se é uma coisa pessoal. É como se dentro de mim coexistissem um Renascimento e um Pós-modernismo que vou tentando conciliar. Se calhar é isso mesmo que quer(o) dizer - é o BARROQUISMO!
É certo que o Renascimento e o Iluminismo são anciães de 500 anos de idade, que o Barroco tem 300 e que não me passa pela cabeça que 500 anos depois ainda devessemos andar a (re-)descobrir o que esses homens notáveis conseguiram inventar. Acredito no progresso (pelo menos em algum dele), e acho que não viveria melhor se tivesse nascido em 1481 ou 1681, mas não imagino que possa aparecer um Leonardo da Vinci ou um Johann Sebastian Bach (AH, Bach!) no século XXI - daqui a alguns séculos a História se encarregará de me contradizer ou não - e esta nostalgia ninguém ma pode tirar.

Sexta-feira, Setembro 23, 2005

Perder a virgindade!

Com este post estou a perder a virgindade na blogosfera! Exactamente, "as I speak", em directo e ao vivo, no preciso momento em que inauguro o Barroquista!
Porquê Barroquista?
Bem, em primeiro lugar porque não pude criar o alta, estúpida e irritantemente egoísta/narcisista blogue "eu eu eu"!
Porquê? porque acho que sou um pouco egoísta/narcisista enquanto mantenho a esperança de não o ser nem estúpida nem irritantemente, mas mais vale não contrariar (demasiado) aquilo que se é, desde que isso não chateie demasiado os outros!
Em segundo lugar: porque acho que esta palavra que espero ter inventado diz algo sobre mim. Sobre o meu "je ne sais quoi" de Barroco, mas reinventado, "barroquisticamente"!!
Acho que já chega de explicações: para quem não me conhece é suficiente e quem me conhece pode ler nas entrelinhas o que prefiro não escrever!
Conteúdo, conteúdo, apenas os parabéns atrasados ao meu primão "brazuca"!!