Quinta-feira, Maio 19, 2011
Quinta-feira, Dezembro 16, 2010
Terça-feira, Maio 25, 2010
Sem título "n" (vagamente vago)
perde-se em recessos escondidos do passado,
em feridas abertas na corrente dos dias
e em sons mortos perdidos na memória
Os ruídos da minha existência
querem organizar-se em música e não conseguem,
falham na passagem de conceitos a vibrações;
falham-se, perdem-se e ficam calados.
Falho eu que penso sempre e não acredito
no que penso ou que pense o que pensei,
falham os sons que não pensam, que esperam só
que alguém os faça soar - eu.
Falho e falha-me o coração que me trai.
Divagam também os orgãos e os sentidos que me pensam,
a razão que não me atende e as pulsões,
os tédios, as explosões, os esgotamentos
comandam tudo (como o sonho que se acorda) e dormem.
vagamente anacrónico
vagamente ultrapassado
e sempre vagamente actual
...vagamente vago)
Quarta-feira, Abril 28, 2010
Art'Antiga
enquanto se espera que algo aconteça,
de ter só coração como cabeça
e de às cegas seguir a via errada
Nem sempre é pela vida mitigada;
parece não haver como arrefeça
este fogo, esta luz, esta pressa
em vivê-la assim desequilibrada
Apaixonado logo pela paixão
não sei nem como nem se quero dar-te
algo menos que todo o coração
e como em relação à outra arte,
não há escolha, só uma solução:
aperfeiçoa-la e pô-la de parte
Terça-feira, Março 16, 2010
Original
Energized
just movements of something
bigger than any of us,
just gestures, words longing
for mouths to rest upon,
effects rushing to preceed the cause
of their own blossoming.
Light twirling particles
in eyes that relearnt to shine,
arms neither yours nor mine
but atoms renewed and intertwined.
Loneliness of two, now shared,
secrets and harmonies revealed,
energies and fireworks concealed
from those who cared.
Face, smiles, non-promisses,
virtues of vortexes slowed down,
scent of senses all around
in our burning bodies
like furnaces.
Peace, stillness, embrace,
rediscovering the pace
of slow, pure
energy
Felicidade
...não, não é de novo isto desta vez...
Reservo-me sim o direito a ser feliz
e sou, quase sempre, feliz à força
de o ser, de o repetir até à exaustão.
Assim, de nada, como um impulso
planeado, na espontaneidade oca,
feliz de fé, só, sem razão
aparente. Crença, desejo, religião
sem Deus, da vida, da teimosia,
feliz sem causa, sem motivo
(enfim, às vezes sim, outras vezes não).
Assim só, feliz, vivo,
à espera sem espera de um novo dia
feliz
Terça-feira, Março 02, 2010
Descrevo o quanto te desconheço
(já)
quando queria descrever o quanto te conhecia
(ainda, sempre)
Penso na certeza de estares em algum lado
que não sei onde seja
De seres de uma forma
que se dilui
em sombras, névoas, muros invisíveis
Distâncias de repente inalcançáveis
Proximidades inconcebíveis
Descrevo o cunho desse real tangível
muito mais nítido do que tudo
muito mais verdadeiro
(na dúvida de tudo...
que se esfuma)
Divago no tempo que me foge
Que me fugia
Que talvez nunca tenha existido
nunca tenha passado
ou tenha sido sempre
tudo
e não pare de passar
Como essas memórias que se diz que ficam
e não ficaram
Como certezas de poeira ao vento
que voaram
Como dúvidas
incertezas
vazios
Pretérito Presente
Sim, sei, sou, vivo
eu Auto-, entre, mim, meu
Nunca, sempre, para nunca
Nada
E tudo o que entre si medeia
Pretérito Futuro
Não foste ainda, és paradoxo do por-vir,
provavelmente não serás nunca aquilo que foste
enquanto fores sempre de novo construída.
Idealização do tempo que não murchou ainda,
viço do desejo intocado pela vida,
carregando o peso original de um pretérito desconhecido
que há-de ser, há-de cumprir-se em ti.
Futuro feito de turbilhões, de névoas, sombras
que não foram no tempo inexorável.
Carga desonesta de um futuro instável,
de um presente que não é, sendo,
de um pretérito parado, fugidio
e eterno
Terça-feira, Fevereiro 23, 2010
eixo gravitacional
...às vezes e nalguns sítios isso configura-se em tremores de terra...
...noutras e noutros apenas em tremores de alma...
Terça-feira, Novembro 24, 2009
Abraços vazios
Quando finalmente dormirmos nos braços um do outro
seremos futuro a fugir à nossa frente.
Quando finalmente dormirmos nos braços de um outro
seremos passado a correr atrás de nós.
Por enquanto continuamos indefinidamente a ser presente
e a dormir novamente de braços vazios.
Segunda-feira, Outubro 05, 2009
Agenda de concertos
- 16 Outubro - Amsterdam - WWQ - voorspeelavond oboé CvA - A. Reicha quintet
- 18 Outubro - Haarlem - Ensemble Rabaskadol - Erasmus Desiderius/Humanismus
- 19/20 Outubro - Haarlem - Ensemble Rabaskadol - (Gravação) Johannespassion van Jan Valkenstijn
- 24/25 Outubro - Hilversum/Amsterdam - Barokensemble De Swaen - J.S. Bach; BWV 100 e BWV 89 e J.S. Endler Ouverture in E
- 31 Outubro - Lisboa - Divino Sospiro (E. Onofri) - The power of music (Händel)
? - 3 Novembro - Utrecht - "Música Portuguesa sécs. XV a XVII"... lunch concert ?
- 7 Novembro - Amsterdam - WWQ - Museum Night - Sinagoga Portuguesa de Amsterdam - Reicha; Cambini; Danzi
- 8 Novembro - Haarlem - Barocco Locco
- 20/22 Novembro - Utrecht/Leiden - w/ choir Trajecti Voces - Officium defunctorum (Requiem) T. L. de Victoria
- 21 Novembro - Haarlem - Ensemble Rabaskadol - (Gravação) Nederlandse Passiemotetten van de 17e eeuw
- 26 Novembro - Den Haag - RIO @ Loos Studio
- 2 Dezembro - Amsterdam - Musica Amphion - Händel cantatas
- 6 Dezembro - Sneek - Ensemble Rabaskadol - Sinterklaas + Passiemuziek
- 11/13/16 Dezembro - Amsterdam/Heiloo/Amsterdam Concertgebow - projecto CvA - Water music, Telemann e Händel
- 19 Dezembro - Gröningen - Luthers Bach Ensemble - Händel Messiah
Bem, de falta de trabalho, pelo menos, não me posso queixar...
Apareçam!
Z
Domingo, Setembro 27, 2009
Herhaling
Citar de novo exactamente as mesmas palavras... e então, qual é o mal? Se afinal passou quase um ano e meio e as palavras parecem adequar-se tanto agora como em qualquer outra altura...
E sobretudo porque eu próprio não poderia ter falado com mais propriedade do z do que o Bernardo Soares, e por isso lhe tiramos, e à sua perspicácia e genialidade, o nosso chapéu imaginário...
Mas posso acrescentar, da minha lavra: "... nem sei mesmo quem sou nem o que posso reatar. Talvez tenha primeiro de desatar tudo, ficar sem nós e encontrar o fio à meada. E daí, talvez amanhã desperte para mim mesmo, talvez não. É que eu não sei mesmo nada, e não sei se alguém pode saber por mim e para mim."
Domingo, Julho 06, 2008
Vísceras
Segunda-feira, Abril 07, 2008
Há muito tempo que não escrevo
Há muito tempo que não só não escrevo, mas nem sequer existo. Creio que mal sonho. As ruas são ruas para mim. Faço o trabalho do escritório com consciência só para ele, mas não direi bem sem me distrair: por detrás estou, em vez de meditando, dormindo, porém estou sempre outro por detrás do trabalho.
Há muito tempo que não existo. Estou sossegadíssimo. Ninguém me distingue de quem sou. Senti-me agora respirar como se houvesse praticado uma coisa nova, ou atrasada. Começo a ter consciência de ter consciência. Talvez amanhã desperte para mim mesmo, e reate o curso da minha existência própria. Não sei se, com isso, serei mais feliz ou menos. Não sei nada. Ergo a cabeça de passeante e vejo que, sobre a encosta do Castelo, o poente oposto arde em dezenas de janelas, num revérbero alto de fogo frio. À roda desses olhos de chama dura toda a encosta é suave do fim do dia. Posso ao menos sentir-me triste, e ter a consciência de que, com esta minha tristeza, se cruzou agora - visto com ouvido - o som súbito do eléctrico que passa, a voz casual dos conversadores jovens, o sussurro esquecido da cidade viva.
Há muito tempo que não sou eu."
8-1-1931 - B.S. (L.d.D.) - (F.P.)
... z(?)
Quinta-feira, Janeiro 17, 2008
O longo inverno dos blogs
Enojei-me e deixei de escrever pra que me deixassem de ler!
Parece que resultou mais ou menos... acho que já posso voltar a escrever para que NÃO me leiam!
Porque me apetece que as coisas sem sentido que me passam pela cabeça voltem a existir depois do meu delírio!
E vou deixar de andar a plantar sementes... sementes são as da erva... e essa fuma-se!
Quarta-feira, Dezembro 05, 2007
Terça-feira, Outubro 30, 2007
XXX
(amor é fogo que arde sem se ver...
(amar
(.................foda
(.......................................anda
(......................................................................vir...
... e todas as combinações thereof...)
Terça-feira, Setembro 25, 2007
De redenen waarom
Porque nem sempre o que parece é
Porque nem sempre aquilo que tomamos como garantido é
Porque nem sempre o que não se parece não é
Porque nem sempre aquilo que não ponderámos não aparece...
Domingo, Setembro 16, 2007
Terça-feira, Julho 24, 2007
Domingo, Julho 08, 2007
Deve e haver
Tou é de férias!
Muito de férias!! e no entanto com muito trabalho! O que é ideal, porque consigo descansar enquanto trabalho!
Blogs continua a não me apetecer!
Apetece-me é tocar e ir prá borga!
Ah pois... porque tou na Terra-Mãe... pra quem ainda não tivesse percebido ou ainda não tenha estado comigo!!
Pra quem me quiser encontrar, passem pelo bairro onde vou estar na Borga! Ou na Póvoa de Varzim onde vou tocar dia 14/7, ou então nas Caldas da Rainha onde toco dia 21/7...
Depois disso faço férias ainda mais profundas e é provável não tar nem pra ler blogs (ou comentários, ou e-mails sequer) quase até Setembro!
Querem um conselho... façam o mesmo!
Cheers!
(se quiserem info sobre a Póvoa, ou as Caldas... ou mesmo sobre o BA... perguntem... mas ainda não porque, por enquanto, ainda não sei mais nada!!)
Quarta-feira, Junho 27, 2007
Pseudo-caliope-retrofírculo-vicioso
(Quer dizer... um bocadinho, mas não faz mal nenhum!)
Vai, vem, há-de ir e voltar mais vezes, mas não estou triste!
Tou só um bocado farto de blogs, é só isso! Não quero ofender ninguém, mas às vezes há destas fases em que não apetece andar aqui a participar nesta novela da blogosfera!
O que é um blog afinal? O meu já não sei bem! Foi uma coisa, outra e outra e outra ainda, mas agora já não sei se sei o que é... acho que ele próprio já tem dúvidas!
"Barroquista... o que és tu? Quem és tu!??"
"Eu sou tu!"
"Não, tu és tu... eu sou eu!"
"Não, {TU NÃO ÉS TU!} Tu és eu, eu sou tu e nós somos os dois um o outro!"
"Isso é o que tu pensas... querias lá saber quem eu sou!"
"Mas eu sei..."
"... Pensas que sabes"
"Penso logo existo!"
"Pois, pensas tu e penso eu... e se tu pensas, és... e se eu penso, sou... e por isso eu sou, tu és, ele é... mas nós... nós NÃO somos!"
"olha... vai à Merda!!"
"... vai tu..."
"Porra, que merda, nem imaginação tens pra inventar as tuas próprias ˝Punch-lines˝"
"Azarucho... tchau"
"Como assim tch................................................................
Domingo, Junho 17, 2007
Medo
... Mãe
12:39
Sexta-feira, Junho 15, 2007
Leva-me só... arrasta-me
Às vezes a vida parece que faz o mesmo e foge à minha frente... num jogo infantil de apanhada fica à espera que vá a correr atrás dela!
E eu vou!
Tenho-a apanhado sempre (excepto quando ela se lembra de começar a jogar às escondidas... aí fico baralhado quanto às regras do jogo e nunca a consigo reencontrar)
Às vezes peço ajuda para chegar a sítios onde não tinha pensado querer ir... e eu vou! corro atrás dos sítios e eles deixam-se descobrir!
Às vezes eu já estava nesses sítios há muito tempo quando a vida me chamou a atenção para a partida que me estava a ser pregada e para as diabruras do meu computador e das ajudas que, supostamente, me estava a dar!
Às vezes não sinto só a minha vida a seduzir-me mas também as dos outros, que se insinuam subrepticiamente como quem magnetiza!
Às vezes deixo as vidas envolverem-se livremente neste jogo de sedução e acabo por perder a noção de qual das vidas é a minha original, porque entretanto elas já se miscigenaram todas e já não há nenhuma vida pura!
Às vezes tenho uma banda sonora que me liga às vidas dos outros de uma forma irremediável e noutras a banda sonora é só a minha... e que nunca será de mais ninguém porque vive só dentro de mim!
Mas seja lá qual das bandas sonoras for, o som está sempre lá! Não me deixa só por mais que um instante e eu não posso passar sem ele!
Às vezes perco-me, chego a um beco desconhecido e, sem qualquer receio de qualquer espécie, deixo-me ficar por lá... perdido com prazer! Porque sei que uma outra música qualquer dentro de mim há-de fazer com que o beco afinal seja uma Avenida! Porque nesse som hei-de descobrir os passos que tenho de dar para seguir no caminho novo que acaba de abrir-se à minha frente!
Here's my new adress
615... oh I forget
That's all your evidence
so take it home and run with it
Sábado, Junho 02, 2007
a vida e a morte (I)
e no dia em que a chama se apagar vou chorar!
tentei em vão (e só eu sei quanto queria mesmo conseguir) que a morte verdadeira, a morte presente e não apenas a que espero que não chegue, me fosse indiferente. Que não me deixasse com a sensação amarga de que a vida é muito menos certa do que aquilo que imaginamos todos. Que me esquecesse de que às vezes a chama se apaga e às vezes se acende e leva com ela a vida!
Hoje estou feliz com a vida e não são estas mortes que a contradizem que me podem demover desta decisão!
Segunda-feira, Maio 28, 2007
Sexta-feira, Maio 18, 2007
One step closer to the edge

Quarta-feira, Maio 09, 2007
De ora em diante voltarei a ser apenas z (o José Gomes é o meu alter-ego).
Para os interessados e com quem não falei pessoalmente: o exame foi o melhor que fiz em quatro anos de estudos na Holanda, por isso sabe bem fechar esta página com distinção pra poder começar a escrever com mais leveza de espírito nas páginas brancas à minha frente!
A todos um até breve (para alguns mais virtualmente, para outros até daqui a três semanas, para uns quantos até à última semana de Julho - sabem, já estou a entrar em "modo-Caldas") e continuem a deixar dissonâncias das vossas passagens por aqui.
Beijinhos

"(...) procurámos os sons que a realidade não nos deu em realidades alternativas"
conteúdo latente
Ponderei bastante sobre pôr ou não o meu poster no blog, sobretudo por quebrar um pouco o sigilo da minha identidade. Até aqui tinha sido simplesmente "z" agora passo a ter um nome...
Mas enfim, quem me conhece já sabia, para os "virtuais" passei apenas a ter um nome próprio e um apelido, ambos vulgares, mas que juntos fazem o meu "nome artístico" de que me orgulho!
Assim ficam dadas todas as explicações para a minha ausência recente.
Agradeço muito as visitas do "habitués" e das novas caras/nomes que por aqui têm passado... em breve faço uma crónica do exame.
Até lá beijinhos, vou estudar!
Quarta-feira, Abril 18, 2007
Carlos Paredes - Verdes anos
Este post é uma homenagem, uma catárse, uma nostalgia, um aperitivo, um quarto andamento de uma suite portuguesa, a expressão de um sentir que rareia, uma inspiração sem limites e s tristeza infinita transformada em beleza e arte suprema. É algo que ainda não é meu, mas do qual vou fazer o máximo para me apropriar!
(P.s. este é o lado claro, em tons de verde e saudade... aconselho também uma visita ao lado escuro, em tons de branco e horror!... sem esse nada está completo ou faz o mesmo sentido!)
Domingo, Março 25, 2007
I need you to know...
Às vezes imagino que me vais surpreender,
que amanhã de manhã vais acordar ao meu lado,
chegar durante a noite, abrir a porta com a tua chave,
entrar sorrateiramente na cama e aqueceres-me e aos lençois!
To see you when I wake up...
Tenho a paixão à flor da pele e do desejo!
Ardo! Ardo muito, mesmo que não o saibas
- mas normalmente adivinha-lo facilmente -
Ainda estou aturdido da adrenalina, desta benção!
Saio pela rua fora e tenho uma banda sonora à espera
Acompanha-me os passos até casa, onde te espero!
O correio é de qualquer maneira sempre para ti,
estamos nós mas tu não estás... porquê?
é verão e sinto a areia ainda quente debaixo dos pés
e o ar frio a redemoinhar entre nós, o passado e o futuro.
E esta coisa estranha que é arder por ti em fogo eternamente novo...)
Dos sítios onde te levo e que não conhecias!
Dos sítios onde me fazes ir enquanto ardo em ti!
para arder nos teus braços ausentes que me tomam sempre,
mas encontro só o frio dos lençois com o teu cheiro,
e sinto o teu corpo, penetrando-me, quente!
Avisa-me quando estiver a ser inconveniente...
mas preciso de te ouvir gritar por mim!
Porque hoje apetece-me mais!
So would I be out of line...
a surpresa do que a tua ausência fez comigo,
e a necessidade de abrir a boca e cantar...)
Tenho os lençois frios à nossa espera... mas hoje não vens!
I MISS YOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOU!!
Neste momento vejo-te a dormir na tua cama vazia,
vejo-te perdida nesse sono e nesse colchão imenso,
vejo quando aí te viras para o meu lado e eu aqui,
vejo tudo isto quando fecho os olhos e não estás!
I see your picture, I smell your skin on...
nos caminhos que sempre descobrimos juntos,
no vazio das ausências e no calor dos corpos nus!
sei-te de cor como a palma da mão com que te acaricio,
sei o teu calor e a tua pele porque me queimam sempre que te toco,
sei-te com todos os sentidos mais alguns que ainda não foram inventados!
solta-se uma faísca que esperava a ignição,
e os teus olhos ardem como porta para a tua alma,
para a tua combustão completa, para sermos da mesma cinza!)
Aqueces noutra cama e eu queimo por dentro, só!
Invento só para ti uma palavra nova, saudade!
Chamo-te e de novo ao meu lado, dormes!
I know I'll see you again...
que os lençois estão quentes e podemos arder os dois juntos,
que entraste a meio da noite ou te vais juntar a mim no banho,
que a minha pele é tua e somos princípio, meio e fim de nós os dois!
sinto com todos os sentidos e sei-te de cor!
E não é que achasse que não sabes,
mas preciso que saibas...
e sou só eu quem te canta ao ouvido e mais ninguém,
porque fui eu quem inventou esta melodia,
e é a nossa esta música!)
Tenho os lençois frios à nossa espera... mas hoje não vens!
I MISS YOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOU!!
Quinta-feira, Março 15, 2007
Se uma arvore cair na floresta e não estiver lá ninguém para ouvir, será que faz barulho ao cair?
"diga-me então, sr. Insignificante, o que pretende fazer quando for assim Importante como eu?"
"Bem, para dizer a verdade ainda não pensei nisso, sr. Importante, mas provavelmente perguntarei a srs. menos-Importantes-do-que-eu o que farão quando forem assim menos-Insignificantes-como-eu"
Punk Music is a joke,
cause it's really just baroque!
Three blind mice, three blind mice... actually 7... errrrr... actually 8, as we speak!
All songs have the same damn chords
Alguém me ajuda a encontrar-me a mim próprio? É que me perdi numa sala e ninguém me devolve à proveniência! Estou à nora dentro de nada!
Todas as paixões são iguais: são um mar de rosas no início até que se lhe desvendam os espinhos!
Todos os posts são iguais: são uma coisa no início até que se lhes desvendam todas as outras coisas que são na verdade!
Todas as canções são iguais: têm todas os mesmos acordes (do princípio ao fim e outra vez!!)
Todas as fotos, textos, poemas, etc etc etc, são meus except stated otherwise!
Todos os patinhos sabem bem nadar!
Todos os ratinhos se deixam apanhar! (Bem talvez nem todos, mas que há uns muito estupidos, lá isso há)
Todos os poemas fáceis rimam em "ar" (e viva a primeira conjugação)
Não tenho paciência para quase nada do que vejo por aí, e no entanto aqui estou, e no entanto (quase) só não digo nada às pessoas que me dão a ver coisas de que gosto...
Quase não como e ainda não desapareci!
Quase que sei o que queria dizer...
Quase que já não tenho palavras.
Quase que acabei...
Fim
Terça-feira, Março 13, 2007
Pachelbel Rant
Estive na dúvida... caderno dos atrofios ou barroquista?... mudei várias vezes de opinião, mas acabei por me decidir por este (assim aproveito também pra fazer publicidade ao www.cadernodosatrofios.blogspot.com) porque a temática não deixa de ser música (e barroca!! Ah, já agora, chama-se mesmo Johann, mas acho que o tipo já sabia!)
Quanto ao resto, bem, não tenho tempo nem pra postar! A vida é assim, quando se decide viver a verdadeira, a virtual fica pra trás (e vice-versa)
Até um dia destes!
Terça-feira, Fevereiro 27, 2007
Os posts dos outros
...transforma-se a vida real numa ode de prosa poética!
Misturam-se na escrita (no caderno vindo do Ganjes, nas linhas azuis, ou noutro caderno qualquer, de sonhos, de atrofios, tanto faz - às vezes até nuns cadernos demasiado pessoais para serem desvendados, quem sabe sequer se existem na verdade?) palavras soltas dos grandes mestres, dos clássicos, dos mais geniais que nós, com palavras tiradas da nossa existência quotidiana, com outras que nem se sabe de onde vieram, se dizem a verdade ou se mentem, ainda com recordações de uma vida passada (às vezes parece que com a vida toda condensada num grito e numa imagem apenas).
E qual o resultado? Seremos mesmo nós ou outros quaisquer? Será verdade ou mentira? Arte ou futilidade? Contradição ou sinónimo?
Talvez apenas a vontade de seguir em frente, de ser surpreendido mais uma vez, assim apenas, ao sabor do vento frio que entrou por essa janela, desse vislumbre fugidio de intimidade e impudícia e dessa espreitadela mal disfarçada de quem finge que não quer ser observada!
Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007
À atenção de dois casmurros que nunca hão de ler este post!
Eu sou teimoso, não me entendam mal, mas há uma diferença substancial entre teimar por ninharias, no dia-a-dia, e em ser-se conflituoso devido a teimosias ou casmurrices! Isso não sou; confesso até que às vezes me questiono com preocupação onde termina o ser-se conciliador e flexível e começa a personalidade fraca ou falta de "nervo"! Sinceramente, acho que é possível compatibilizar-se o ter-se princípios e convicções com fazer-se o máximo possível por compreender, respeitar, conviver com os princípios distintos dos outros. Até, quem sabe, questionar-se os nossos próprios princípios e certezas em função do que nos é dado a observar à nossa volta! Mas enfim, mais uma vez imagino que haja muita gente para quem os princípios são mais sagrados e importantes do que as outras pessoas (mesmo que uns sejam abstractos e as outras concretas e verdadeiras).
Outra pessoa também muito importante para mim tem um outro rifão interessante: "O homem evoluiu quando passou da agressão à ameaça, depois da ameaça ao insulto, do insulto à indiferença, e finalmente da indiferença ao diálogo" (é assim? se não for exactamente corrige-me, mas a ideia é esta!). Acontece que há muita gente presa na fase da indiferença, na do insulto, na da ameaça e, em casos extremos, no valente enxerto de porrada para resolver os seus diferendos! E há também muitas combinações possíveis destes vários estádios, em doses diferentes e com nuances, de acordo com as personalidades de cada um, com o género, com a forma como correu o dia... enfim, tudo o que se possa imaginar!
O pior é quando pessoas que se crêem inteligentes, que ainda por cima têm relações próximas e estreitas, decidem regredir na escala da evolução humana (e nesta eu acredito mais do que em qualquer Darwinismo, porque é uma perspectiva muito humanista!). A isso, para usar uma expressão "fedorenta", eu chamo parvoíce! Para usar uma expressão mais comum e que expressa muito melhor a minha estupefacção, é pura e simplesmente ESTUPIDEZ!
Mas a verdade é que os egos das pessoas, e esses em conjunção com géneros, hormonas, orientações sexuais, nacionalidades e muitos outros factores, provocam por vezes situações imprevisíveis e inusitadas. Absolutamente inesperadas e que são absolutos mistérios para uma mente tão limitadinha como é a minha (diga-se de passagem que nem sequer sei muito bem se deva averiguar ou não).
E pronto, tenho dito! Não resolvo nada, não ajudo, não clarifico, mas pelo menos está dito - e escrito que é muito mais vinculativo!
Ah... e também tinha saudades de escrever!
(sem título)
existem somente Homens e poesia!
O Homem que é poeta é um embusteiro,
e se o não fosse nunca escreveria.
Existe vil miséria e atoleiro
e Homens que o descrevem com mestria,
mas poeta? Está por vir o primeiro
que não mude mau-estar em agonia.
Porque nunca se escreve o que se sente
ou sentem palavras, que nada são;
e por isso o poeta mente... mente:
Transforma um ai em pranto e depressão,
um passo numa epopeia eloquente,
e essa é a verdadeira ilusão.
Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007
Sábado, Fevereiro 03, 2007
Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
A paixão II
Obrigado a quem desejou bom Natal, boas festas, boas entradas and so on and so on...
Obrigado a quem desejou feliz aniversário e também a quem se esqueceu!
Ainda bem que já passou a quadra e que se acabaram as férias e que voltei ao meu saboroso desterro!! Não que não tivesse sido tudo muito bom, mas tava a precisar de voltar à vida... a uma vida que conheço e me conhece a mim!
Além disso tirei férias da paixão e tinha mesmo saudades dela!!! Agora já andamos outra vez envolvidos em aventuras e sabe bem :P (só tenho um bocado de saudades do amor da minha vida!). Aliás uma das minhas new year's resolutions é alimentar uma outra paixão (a mais) antiga e passar a fazer "ménages a trois", para o qual tenho de me preparar bem!
Outra new year's resolution é deixar de perder tanto tempo em coisas acessórias... como por exemplo bloggar...
Por isso.
Tchau
Sábado, Dezembro 30, 2006
Diálogos imaginários (ou os parabéns a... mim)
"Bem, senhor George W., assim de repente, podia mandar enforcar o Saddam..."
"Ok"
É mesmo bom quando enforcam ditadores facínoras no nosso dia de anos!
P.S. (de 10/01/07) - só porque aparentemente muitos leitores não compreenderam bem o meu fino/macabro/de humor negro sentido de ironia...
Eu fiquei chocadíssimo com o acontecimento em causa... era das coisas mais tristes que podiam ter acontecido no meu dia de anos...
Enfim...
Sábado, Dezembro 16, 2006
A paixão!
Não consigo evitá-lo...
Tenho um novo amor na minha vida e é bom voltar a sentir-me assim.
(não te preocupes que continuas a ser o amor da minha vida, mas não tocas...)
z ... to f
Domingo, Dezembro 10, 2006
Augusto José Ramón Pinochet Ugarte
À hora a que escrevo este post, faz precisamente duas horas que morreu Augusto José Ramón Pinochet Ugarte!
Há cerca de cinco minutos tomei conhecimento da notícia e, automaticamente (ou seja, sem ter pensado nisso, como se os meus dedos tivessem vontade própria), liguei a uma das minhas melhores amigas aqui em Haia.
Encontrei do outro lado da linha a Luciana - Chilena mas que nasceu na Suécia, onde viveu cerca de quinze anos, para onde a família emigrou perseguida pelo regime do ex-ditador - triste... abatida...
Liguei para lhe ouvir a voz, para lhe perguntar como estava, mas também, no meu impulso, convencido de que haveria algum motivo para celebração, ou pelo menos para um sentimento de alívio...
Em vez disso ouvi-a extremamente afectada e em baixo... porquê? Porque tudo o que aconteceu não pode ser apagado! Porque ter morrido Pinochet não pode ser nunca motivo de alegria, uma vez que aos milhares de pessoas (um número ainda não consensual de mortos - cerca de 4000 - e aproximadamente um milhão de emigrantes-forçados, refugiados poíticos) que sofreram por causa do regime no Chile nunca poderá ser restituido o que perderam nem apagado o seu sofrimento...
e eu compreendo... não fico mais triste com o acontecimento... mas também não fico mais feliz, porque esta morte não corrige nada do mal feito e que nunca poderá ser minimizado (já para não falar da questão de que Pinochet morreu impune e apoiado por cerca de um quarto (!!!!) da população actual do Chile).
talvez se fosse possível nunca mais haver (ex-)ditadores para morrer...
P.s. - Comemora-se hoje o Dia Internacional dos Direitos Humanos. (para pensar)
Segunda-feira, Dezembro 04, 2006
O Corno da Musa
neste cortejo de milhões de cornos.
Incrédulo dos ignóbeis adornos,
dos cornos velhos que ninguém mais usa.
No lamaçal desta harmonia obtusa
(em bafo d'Orco e nos seus quentes fornos),
em cruzes, em silícios, em transtornos,
me lança esta risível cornamusa.
Com mais ganas, ganância e menos arte,
seduz-me, enfim, o torpe desafio;
Musa, Corna, seja o que for, tocar-te:
E ronco e grasno e cacarejo e pio...
não há como amansar, como domar-te,
só a corna a musa que te pariu!
Sexta-feira, Dezembro 01, 2006
O Rato (parte 2... or should I say; "Epílogo")
TCHACK!
Tadinho... deixou-se levar pela manteiga de amendoim!
Não era tão pequenino como tava à espera... cinzentinho... gordinho... querido... e
MORTO
Vou ter saudades de o ouvir comer-me o interior das paredes... then again...
maybe not!!
Sábado, Novembro 25, 2006
Tributo
À tua pergunta, estou bem, obrigado! A viver a vida ao máximo enquanto há!
O amor é aquilo que é, embora às vezes ele próprio não saiba bem aquilo que é!
Essa simplicidade é aparente; as coisas cada vez se desorganizam mais, se sujam e saem dos sítios onde originalmente tinham mais valor!
Máscaras? Eu já não me lembro é da minha cara real!
Se há quem não veja o teu sorriso, mesmo pálido, então vai à procura de a quem o mostres! Os sorrisos são para ser partilhados, não metidos dentro do baú das memórias!
Às vezes acontece é acordar-se não sendo ninguém, e ir-se dormir à noite sendo toda a gente, sendo mais do que todos juntos!
E isso é complicado, mas encantador! É Lindo! É a certeza de que os conteúdos hão-de brilhar sempre mais e de que o melhor de tudo estará sempre por vir!
Continua a brilhar!
Quinta-feira, Novembro 23, 2006
Comentário(s) avulso
z por aí
Sexta-feira, Novembro 17, 2006
Requiem
Requiem aeternam dona eis, Domine:
et lux perpetua luceat eis.
Te decet hymnus, Deus, in Sion,
et tibi reddetur votum in Jerusalem:
exaudi orationem meam ad te omnis caro veniet. -
Requiem aeternam dona eis, Domine:
et lux perpetua luceat eis.
II. Kyrie
Kyrie eleison.
Christe eleison.
Kyrie eleison.
III. Sequenz
1. Dies irae
Dies irae, dies illa
Solvet saeclum in favilla:
Teste David cum Sibylla.
Quantus tremor est futurus,
Quando judex est venturus,
Cuncta stricte discussurus!
2. Tuba mirum
Tuba, mirum spargens sonum
Per sepulcra regionum,
Coget omnes ante thronum.
Mors stupebit et natura,
Cum resurget creatura,
Judicanti responsura.
Liber scriptus proferetur
In quo totum continetur,
Unde mundus judicetur.
Judex ergo cum sedebit,
Quidquid latet, apparebit:
Nil inultum remanebit.
Quid sum mister tunc dicturus?
Quem patronum rogaturus,
Cum vix justus sit securus?
3. Rex tremendae
Rex tremendae majestatis
qui salvando salvas gratis
salva me, fons pietatis.
4. Recordare
Recordare, Jesu pie,
Quod sum causa tuae viae:
Ne me perdas illa die.
Quaerens me, sedisti lassus:
Redemisti Crucem passus:
Tantus labor non sit cassus.
Juste judex ultionis,
Donum fac remissionis
Ante diem rationis.
Ingemisco, tanquam reus:
Culpa rubet vultus meus:
Supplicante parce, Deus.
Qui Mariam absolvisti,
Et latronem exaudisti,
Mihi quoque spem dedisti.
Preces meae non sunt dignae:
Sed tu bonus fac benigne,
Ne perenni cremer igne.
Inter oves locum praesta
Et ab haedis me sequestra,
Statuens in parte dextra.
5. Confutatis
Confutatis maledictis,
Flammis acribus addictis:
Voca me cum benedictis.
Oro supplex et acclinis,
Cor contritum quasi cinis:
Gere curam mei finis.
6. Lacrimosa
Lacrimosa dies illa,
Qua resurget ex favilla
Judicandus homo reus.
Huic ergo parce, Deus:
Pie Jesu Domine,
Dona eis Requiem. Amen.
IV. Offertorium
1. Domine Jesu
Domine Jesu Christe, Rex gloriae,
libera animas omnium fidelium
defunctorum de poenis inferni
et de profundo lacu:
libera eas de ore leonis,
ne absorbeat eas tartarus,
ne cadant in obscurum:
sed signifer sanctus Michael
repraesentet eas in lucem sanctam:
Quam olim Abrahae promisisti
et semini ejus.
2. Hostias
Hostias et preces tibi, Domine,
laudis offerimus:
tu suscipe pro animabus illis,
quarum hodie memoriam facimus:
fac eas, Domine, de morte
transire ad vitam. -
Quam olim Abrahae promisisti
et semini ejus.
V. Sanctus
Sanctus, Sanctus, Sanctus
Dominus Deus Sabaoth.
Pleni sunt coeli et terra gloria tua.
Hosanna in excelsis
VI. Benedictus
Benedictus qui venit in nomine Domini.
Hosanna in excelsis.
VII. Agnus Dei
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi:
dona eis requiem.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi:
dona eis requiem.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi:
dona eis requiem sempiternam.
VIII. Communio
Lux aeterna luceat eis, Domine:
Cum Sanctis tuis in aeternum:
quia pius es.
Requiem aeternam dona eis, Domine:
et lux perpetua luceat eis. -
Cum Sanctis tuis in aeternum:
quia pius es.
Ahoy II
Depois as luzes!
Depois o som!
Depois as luzes com o som!
Depois estes sons que vivo, em que vivo, que me fazem viver!
E ver!
Oh ver!!!
Não dá pra descrever!
Não se descreve!
Não se escreve!
Vive-se
Assim, como o branco e os espelhos e os rais lazer!
Vá lá!
- Não! Já te disse, já chega!
- Mas é mesmo só mais um bocadinho!!
- Mas porquê??
- Oh, Porquê?! Porque sim!!
- Mas não chega já?
- Não, apetece-me só mais um bocadinho... pequenino!
- Pequenino? Pois... tou a ver...
- A sério! Pequenino e suave!
- Mas que fixação...
- Não, tu sabes que eu gosto!
- Tá bem, mas o que é de mais enjoa...
- Mas não é demais!
- Dizes tu...
- Digo eu...
- ...
- Vá lá!
- ...
- ...
- Não faças isso!
- Isso o quê?
- Tu sabes!
- Sei? Não, não sei... só sei que...
- Só sabes o quê?
- Nada, esquece...
- Tá bem..
- Oh...
- ...
- ...
- Não tens de amuar!
- Não tou a amuar, apetecia-me mais um bocadinho.
- Outra vez?
- Tá bem esquece...
- ...
- ...
- ...
- Tás a dormir?
- Tou!
- Até amanhã...
- Até amanhã, gosto de ti!
- ...
- ...
- ...
Vandalismo
Fazer um Graffiti de sons caóticos que se amontoem e que não deixem o pensamento desenvolver-se com coerencia! Coerencia? Verdade histórica? Apropriação de sentimentos? Dor verdadeira? Representação do inefável? Solilóquio frustrado! Tudo, tudo isso e muito mais! Agora esta busca da verdade última das coisas, depois fingir que as coisas não são roídas, corroídas, em seguida subir o volume para esquecer que nada faz sentido, finalmente descobrir o sentido da garatuja inventada.
E nada, muitas vezes mais nada!
Quinta-feira, Novembro 09, 2006
Ahoy
Seria possível, por isto tudo, escrever a minha vida sob a forma de post, mas não posso na verdade!
Ainda estou em divída para com os meus leitores, para comigo e, no caso do que hei-de escrever sobre Oświęcim, para com a humanidade - façam um google pra saber do que estou a falar - relativamente à postagem sobre "da road trip 2006"... mas também não posso!
O que posso é mandar por uns momentos a música erudita às urtigas (e mais a m**** dos relatórios das pedagógicas!!!) e voltar a ter 16 anos, no dia anterior a ir ouvir a minha banda favorita - quase a única que, a despeito da música erudita, ainda me faz vibrar a um nível superior e de quase fanatismo... não propriamente, mas enfim!
Amanhã vou a Roterdão ouvir Tool!
That's it
Segunda-feira, Novembro 06, 2006
Sexta-feira, Novembro 03, 2006
Segunda-feira, Outubro 30, 2006
Voltei
Por isso é melhor nem começar. Só porque nem todos me conhecem pessoalmente e alguns leitores reclamam a falta de posts, aqui vai a explicação possível em formato telegrama:
Passei quatro dias em Chimay (Bélgica), em tournée (salvo seja), com a orquestra do conservatório, cheguei faz hoje oito dias e parti no mesmo dia para "da Road Trip 2006" com mais três cúmplices bagpackers, em 7 dias estivemos na Holanda, Alemanha, Polónia, Rep. Checa (e voltámos - Alemanha, Holanda). Vimos várias cidades, milhares de coisas, milhões de "filmes".
Deixo só a água na boca, não posso mesmo começar a desfiar o fio da meada, desculpem!
Mantenham-se atentos, porque esta(s) viagens dariam para escrever infinitos posts, e pelo menos muitos hão-de ser motivados por elas - assim eu sobreviva ao trabalho que tenho pela frente!
Se quiserem vão passando por www.cadernodosatrofios.blogspot.com porque a minha cara metade e cúmplice também por lá posta e hão-de aparecer lá coisas sobre a viagem!
Abraços e beijinhos
z muito mais iluminado e preenchido mas com muito menos energia física!
Quarta-feira, Outubro 11, 2006
A Protecção Aeronautica adverte!
Parece que uma avioneta se espetou contra um prédio de habitação em Manhattan (hmmm, porque é que isto me soa familiar)... malditos pilotos a voarem bêbados!!
Já sabem, se voar, não beba!
Domingo, Outubro 08, 2006
Sexta-feira, Outubro 06, 2006
Ah... Bach
(este post é um work-in-progress, mas tenho curiosidade em saber se alguém se digna comentá-lo mesmo assim nesta fase embriónica... tenho curiosidade em saber o que pode daqui sair)
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(8-10-2006)
Sim senhor! Gostei muito dos resultados da experiência.
Tentei continuar este post e explicar a sua razão de ser... mas saiu-me tão mal que desisti!
Só tenho uma coisa inteligente a dizer... ouçam Bach (já agora, estou a falar de Johann Sebastian Bach - 1685-1750)
Se só conhecerem um compositor, se só ouvirem música de um compositor, que seja de Bach. Por todas as razões e mais algumas que decidi não escrever em palavras mas que talvez percebam através da música!
Estreei-me na 6a feira num projecto de orquestra como fagotista, com uma cantata de Bach e foi... mágico! Ando a tocar e a ensair Bach e é... mágico... é difícil explicar melhor!
Tenho urgentemente que aprender a pôr música no blog, porque é uma vergonha que um blog de um músico, com um nome que remete para música, esteja envolto em silêncio! Se me quiserem poupar o trabalho de ir investigar podem ajudar-me via comentários e nem sequer me ofendo se juntamentamente com a ajuda ofenderem a minha analfabrutice informática!
Até breve.
Boa Música!
Quarta-feira, Outubro 04, 2006
Escramalhanço
Está escramalhada pelo chão do meu quarto em resmas de papel
Está escramalhada por resmas de papel povoadas por pentagramas e notas pretas e brancas
Está escramalhada entre duas cidades
Está escramalhada entre dois países
Está escramalhada entre dois mundos
Está escramalhada entre MUITOS mundos
Está escramalhada entre muita gente diferente
Está escramalhada por sons distintos e incompatíveis
Está escramalhada por instrumentos diferentes
Está escramalhada por demasiadas potencialidades e poucos resultados práticos
Está escramalhada entre realidades mais estranhas que a ficção e ficções que parecem ser reais
Está escramalhada entre o sono e a insónia
Está escramalhada entre a sobriedade e o alucínio
Está escramalhada entre a sanidade e a loucura
Está escramalhada...
por aí
Alguém me arranja um criado pra arrumar esta bagunça e pôr em ordem este escramalhanço?
Sexta-feira, Setembro 29, 2006
Quote Unquote
"Negation is no more possible than affirmation. It is absurd to say that something is absurd. That's still a value judgement. It is impossible to protest, and equally impossible to assent." (hence my not giving a damn about God)
"You have to work in an area where there are no possible pronouns or solutions, or reactions, or standpoints - that's what makes it so diabolically difficult" (I think we, musicians, had already had a glimpse of this evidence but it's conforting to read it like this, so bluntly expressed!)
"One does not have to look for distress. It is screaming at you" (Concordo e confesso que estou um pouco farto de, por exemplo, apenas alegria, equilibrio e proporcionalidade nas produções/criações artísticas... e blogs também, porque não?)
(todas as citações são de Samuel Beckett)
Bio-yeur
Voyageur
Voyeur
Crenças
"You know, maybe there is a God, but... I couldn't care less! I'm a good person, I love my neighbours and all that, so if He exists I'm sure He won't punish me for not giving a damn about Him!"
Nunca me dei ao trabalho de esclarecer a minha posição religiosa. Respeito as crenças dos outros, mas sinceramente tenho melhores coisas que fazer com o meu tempo do que defenir as minhas orientações da fé. Acho que não sou ateu porque nem sequer me dei ao trabalho de NÃO acreditar em Deus!! Como disse a Lu: "I really couldn't care less"!
Frases soltas (não merecem um post só pra elas)
- os meus comentários nos blogs dos outros são uma espécie de associação livre de ideias, leio, vejo, escrevo, não penso, é o que sai!
- Nico, tenta escrever assim: livre associação de ideias, e vê o que sai.
- Banda sonora: Muffat (cortesia do blog do 0.0). Que música incrível que falta na minha discografia. É é obviamente uma gravação ao vivo, muitas notas desafinadas, mas interpretação incrível!!! (Carolina, vai lá à procura das sontas para violino do senhor!!)
- Este é o meu post 69...
- Vou estudar que é para isso que tou neste godforsaken país
Maturidade. Amor. Perdão
Eu amo
Tu amas
Ela ama
Nós amamos
Vós amais
Eles amam
O mundo está perdoado (se tiver a maturidade suficiente para isso)
d'algibeira
com uma caligrafia distorcida.
num quadro caótico.
à beira de qualquer coisa de mau.
e se me deixasse cair? será que depois me levantava?
Domingo, Setembro 24, 2006
Epílogo e Post Scriptum (post 6)
Era já tarde e a vida lá fora - aquela que parece mais real, onde as pessoas são de carne e osso e as palavras não são só escritas mas têm som - chamou por mim. E eu fui!
Fui para Amesterdão e aqui estou, a fechar as comemorãções do 1º aniversário, espero que tenham gostado da festa e que contem aos amigos pra ela se poder repetir!
O P.s. é só porque, o pior de escrever tantos textos (e tão longos), é que depois eles aparecem pela ordem inversa pela qual foram escritos e às vezes segundo a qual faz mais sentido lê-los. Leiam como quiserem, mas leiam e comentem... se quiserem sigam a ordem (para isso escrevi post 1, 2, 3, 4, 5, 6), se preferirem sigam a desordem, a anarquia, ou criem a vossa própria! Como queiram.
Até já, vou ali viver mais um bocado!
Sábado, Setembro 23, 2006
Histórias pequenas (post 5)
Chovia lá fora, o ruído contínuo e surdo enervava, mas não mais do que a consciência de que, ali sentado na sua cadeira preferida - daquelas de escritório, que se ajustam para cima e para baixo com uma manivela que faz lembrar um sistema hidraulico, e com rodas para passear pela sala/escritório e ainda com a possibilidade de simplesmente girar em torno de si própria - estava sobretudo a perder tempo precioso, aquele de que se arrependeria quando, com muito mais stress e tensão em cima, se começasse a colocar a mesma velha questão: "mas porque é que eu não comecei isto mais cedo?"
Estava neste finge-que-faz havia já algumas semanas, e a modorra começava a inquietá-lo (por estranho que pareça alguém inquietar-se com a própria modorra, como se se estivesse a observar de fora). Há dias um telefonema inesperado despertara-lhe a curiosidade, mas apenas o suficiente para afastar os olhos e o pensamento daquilo que fingia-que-fazia durante não mais que uns segundos. Era um amigo - bem, era pelo menos um bom companheiro, bom colega, era o namorado de uma grande amiga - a ligar apenas para saber como ele estava, sem mais nada, apenas para conversar cinco minutos, imbuido duma curiosidade daquelas que não espera nada em retribuição. Mas a modorra era tanta que o interesse que lhe suscitou o telefonema não foi suficiente para quebrar o gelo, e a conversa decorreu sem fluidez, fora do contexto habitual da mesa com cervejas e discussões sobre música ou futebol, e terminou rapidamente apenas com a promessa - daquelas de conveniência que ambos os interlocutores sabem, no momento em que a fazem, que não vão poder nem querer cumprir - de manter mais contacto e combinar qualquer coisa para um dia destes.
Este telefonema perdeu-se e enevoou-se na memória do faz-que-faz, e as suas acções mecânicas voltaram à mesma rotina mais rapidamente do que teve tempo para se aperceber delas. Causava-lhe desconforto a percepção de que devia largar tudo aquilo imediatamente, escolher fazer outra coisa qualquer, ir passear à chuva se fosse preciso. Mas não era capaz, não era uma questão de escolha; era qualquer coisa de invisível e indefinido que o mantinha ali, repetindo os mesmos gestos até à exaustão, obstinadamente!
Chovia, chovia ininterruptamente (ou então aquele ruído já estava gravado no seu sistema auditivo como uma banda sonora opressiva) quando soou de novo o telefone. Um número desconhecido e um "Estou sim?", a princípio soturno e macambúzio pela interrupção da sua concentração abstraída, até ao momento em que reconheceu a voz do outro lado da linha. Era um amigo, não o mesmo, um telefonema tão inesperado como o primeiro, a mesma curiosidade desinteressada, a mesma conversa descontextualizada, os mesmos resultados no mesmo tempo - com a pequena nuance de que ambos os interlocutores faziam tenção de cumprir a promessa, apesar de saberem que o tempo provavelmente se encarregaria de lhes entorpecer a motivação e o entusiasmo - mas apesar de quase todas as circunstâncias idênticas, este telefonema fez um click, acendeu uma luz, desentorpeceu-lhe a mente e fê-lo acreditar que afinal ainda havia gente lá fora que tinha o condão e o poder de mudar o nosso estado de espírito num dia cinzento e de letargia.
Fim da chamada, um minuto de olhar no vazio e pensamentos despreocupados, e depois voltou a amodorrar-se, a anular-se no piloto automático do não-pensamento e a repetir as mesmas coisas que sabia lhe faziam mal. Mas Feliz.
Os 4 botões
O drama, a tragédia, o Horror! De ir um dia a passear pela rua e ficar com as calças na mão! Que situação embaraçosa. Um botão tinha caido havia já meses, mas as calças aguentavam-se bem com o que sobrara, mas agora, agora era o desespero. O segundo botão ficava lasso e dava tanto trabalho mudar de ideias e escolher outro par de calças! Um acto de fé, uma iluminação, um salto no vazio e no escuro; "vou pregar o botão" pensou! Agulha, linha, quase total inabilidade manual, voltas e mais voltas, em excesso, mas como não sabia nada sobre a qualidade do trabalho, preferiu apostar na quantidade. Um botão firme e seguro! Conseguira! E não contente com a façanha, pregou mais três de roupas velhas, abandonadas por falta do mecanismozinho para as apertar e que tanto teimava em cair!
Foi das maiores coroas de glória que alguma vez ostentou. Pregou 4 botões!
Noites filmáticas (post 4)
Sexta. Bem, sol está! Acordar devagar. Mail enviado. mais um bocadinho de colheita. O jornal desportivo. Merda, não falei com mais ninguém. Nico, vamos à praia? Si claro boludo! Falaste com mais alguém? Elena está deprimida, Luciana en el Conservatório y Tulio tiene ensayos! Vem cá ter! Ok bye hoore! O herpes arde-me! Merda! Mas o que tem de ser tem muita força! Duas horas de fagote! O herpes arde-me mais (porrra, já devia ter passado!!). Elena. I'm at Scheveningen and I'm going home, it's no weather for beach man, I'm depressed and I'm going home. Héla Kalé, vem ter a minha casa o Nico também vem! Well ok. Pois, de facto JÁ não está tempo pra praia! Já devíamos ter juízo, mas o desespero pelo sol é mais forte. Primeiro dia do Outono, não quer dizer nada, verão também não houve. Nico. blá blá blá. Conto-lhe o voorspeelavond. Primeira sessão de maledicência, mas é verdade, o que havemos de fazer? Elena. Afogou a depressão nas compras, tem dois anéis e dois pares de sapatos novos e só pagou um de cada! Vamos almoçar fora? Duas horas mais tarde, Vamos almoçar fora!
Bicicleta. Chinatown. Really nice cheap chinese place! Tá bem Elena. Mag ik éen biertje, en nog éen? Mischien éen Tjap Suoi of zo, met iets fried (a chinesa até fala inglês) rijst en noodles. Met alles? Met alles! Blá blá blá. Porque estamos deprimidos. Porque detestamos a Holanda. Porque é que a Elena está deprimida. Sexo. Drogas. Namorados. Namorada. Amantes. Falamos mal dos colegas de quem não gostamos (quer dizer, eu não sou o músico prototípico, mas caramba, sou músico, os músicos falam mal dos outros músicos, é assim, sempre foi e sempre será... também não posso ser completamente diferente). Muitas infantilidades. O que fazemos hoje à noite? Man I feel so much like going out to dance you have no Idea, why we don't ever go to Danzig, we could call Rui (pronunciado RGHRui)? Danzig? Yo iria a ver una pelicula, a tu casa, porque no? Pá, façam como quiserem, por mim tanto faz! O Nico ganha. (De rekkening alsublieft). Bem, tou cheio que nem um porco. Só como outra vez amanhã! Nico vai ter com o Ricardo. Zé e Elena vão à procura de Dvd's. Elena enterra um bocadinho mais da depressão no saldo negativo! Two joints for the way at Meneer Jansen. Vou a casa buscar os óculos e uns restos que também lá tenho (ainda são os do pequeno almoço com o Beto!!), até já.
Começamos a ver o filme ou esperamos pelo Nico? Call him! Que van a ver? Scarface! Ah ya lo he visto, empezén que llego en un rato! Ok we save the joint for when he comes. Tá bem. Scarface. Actually we could light the joint. Tá bem. Scarface, mas agora um bocadinho diferente. Telefonema da Sofia. Estamos a ver um filme em casa da Elena e da Luciana. Ah ok, até logo. Nico. Turkish pizza. Scarface mas cada vez mais intenso (meu deus tantos montes de cocaína!! mas o sotaque cubano é convincente!). Luciana. Últimos dez minutos do filme e começa a fazer perguntas sobre o princípio... hmmmm. Fim. Wow man, it's great huh? Mais uma volta mais uma viagem. Cornelius. Malaka kalé (e muito mais grego a partir daqui). Papas. Chocolate. Mais chocolate. Vla de chocolate. Bolo. Coca Cola. Do you roll one from your weed, I want to try it? Não o queres fazer tu? Ok! Blá blá blá. Porque é que o Cornelius está deprimido. Depois o amante da Luciana. o Nico está ausente. Eu às vezes.
Hey, let's see another movie, I bought two! Qual es? A night on Earth. Ok. Vla com bolo. Los Angeles. Joint. New York (eastern Germany caricaturada, ou não?). Telefonema para o Nico (a seguir é a minha mãe, não me ligou ontem). Pausa. Paris (pretos racistas e cegos visionários). Mãe. Tamos em casa da Elena a ver filmes. Roma (Roberto Benigni no seu melhor). Nico, come on, leave the phone already! Helsinki. Luciana, Ah, that's so much like Sweden man!! Frio. Muito frio. Muito muito frio. Distante. O vizinho destruído no passeio gélido. Olá vizinho... o quê, acabou assim? Great movie man. Pausa. Deep Throat. Hey, but not the movie man, it's disgusting, let's watch the documentary. Sim, por mim está bem. Cansaço. Desistências. Sono. Eu e a Elena sobrevivemos, não estamos de acordo, mas é tarde de mais (and three joints latter) pra discutir pontos de vista. Até amanhã
Casa. Phones nos ouvidos. Alucino. Mais um bocadinho de colheita. Acabo os restos (ficam prontos para a próxima). Embezerro. Não há net, vai e vem. Embezerro na mesma! CHEGA! Cama. São Banaboião. Resisto só três páginas, passa das cinco, desisto. Até amanhã
futilidade estética (post 3)
É assim mais soft (não há nenhum template mesmo barroco, se não usava, é tudo muito "moderno"... yuck), mais light, mais tablóide, mais azul bébé (ou cueca se a outra referência puder ser interpretada como pedofilia!)
Digam de vossa justiça.
Eu sei que é fútil, mas, o que é que querem, eu sou assim... vaidoso (Porra, ainda bem que nasci gajo! Se fosse "gaija" seria insuportável!)
O diário (post 2)
Curiosamente, o barroquismo sempre lá esteve, um pouco na maneira de pensar, um pouco na maneira de escrever, um pouco noutras pequenas características mais desviantes e desviadas da norma, mas não completamente expressas ou manifestas... digamos: latentes ;) . Por exemplo, nos seus três cadernos (dois e meio para ser mais exacto, porque na verdade ele ainda existe, não foi encerrado ou dado como terminado, embora agora, por exemplo, tenha ficado em Lisboa, por isso já se vê a distância que entretanto se criou entre nós) sempre foi impúdico e esquizofrénico, sempre quiz sair do anonimato e ser anónimo ao mesmo tempo, sempre foi sendo lido como um livro de contos, entrada a entrada, a alguma namorada, amiga mais próxima, ou simplesmente a um público inexistente que faria esgotar dezenas de edições do best-seller inesperado – mas enfim, isto era apenas a semente da minha sempre exacerbada megalomania barroquista a despontar; o meu animal de palco a decidir por mim; o exibicionismo contido a esforço para contrabalaçar uma timidez (mal) forjada e de conveniência.
Pelo meio houve uns cadernos dos atrofios – os originais, em papel – mas que nunca foram ideia ou projecto meus, por muita estima que lhes tivesse! E mesmo assim eram muito factuais, eram atrofios em sentido lato, eram públicos, mas eram reais, existiam. Não eram, como agora, apenas palavras encadeadas, muitas vezes exclusivamente com o critério de poderem ser encadeadas desta forma e não de outra. Apenas objectos quase artísticos com uma beleza intrínseca, som puro, harmonia, eufonia... independentemente do conteúdo que possam carregar e das coisas maravilhosas que possam dizer – e o recheio nem sempre tem de ser o principal ponto de atracção, como espero provar hoje durante o dia. Desviei-me, à grande: NÃO, NÃO eram isto, nem os cadernos dos atrofios nem o(s) meu(s) diário(s).
E depois aquele verão em que descobri tantas coisas novas. O verão de uma road-trip, de uma certa história com uma certa jante, do Tabu... o Tabu, que mais ou menos ainda o é apesar de já não termos idade para isso, mas que me disse muito sobre mim próprio e forjou a nossa relação da forma que tem agora. A descoberta do sexo e tudo o que isso muda, para o futuro e retrospectivamente, e mesmo o facto de que a nossa relação também foi interrompida e reinventada depois desse verão. E, claro, a Manta Rota, o móbil, o culpado! O Jamaica (por acaso estou a misturar verões, o Jamaica até foi em 1998, não em 99), os Fêos!, o Nando, o X, o Laia, o pessoal da cidade (incrível como mundos diferentes se cruzaram tanto em tempos... ATÉ o pessoal da cidade esteve na Manta Rota), o João de Beja, o carro do Mário, a Música, a perspectiva da faculdade (embora essa estivesse só no sub-consciente), a Ana a tornar-se a minha melhor amiga, e tantas tantas outras coisas mais! E tantas outras coisas de que me lembro apesar do êxtase em que andava, mas que não posso contar aqui, porque isto é um blog, sim, mas tenho de manter a ilusão de que há passados que são só meus e que existe uma coisa chamada privacidade!
Mas estava a falar do meu diário e fui parar à Manta Rota como? Não, não foi por engano, foi nesse verão que ele morreu e nasceu outra coisa qualquer dentro de mim (aliás esse verão matou e fez nascer muitas coisas dentro de mim!!). Foi depois desse verão que o barroquismo se tornou a corrente estética dominante e abafou o meu jornalismo infantil, que as metáforas se emanciparam, que os advérbios de modo se passaram a atropelar, que as reticências e os parêntesis foram elevados a estilo e que as figuras de estilo explodiram em sons e cores de novidade, que os dias deixaram de ter importância, que as entradas se tornaram escassas, que os conteúdos passaram a ter um significado com outro subjacente e outro ainda latente e outro ainda subentendido e outro ainda metafórico e outro ainda imaginado e outro ainda adivinhado e outro ainda criado por quem me lê e outro ainda... E mais: aconteceu isso tudo, mas primeiro de forma premeditada, como um esforço consciente, para ser assim, para pensar assim, para escrever assim, para me defender de mim mesmo e sobretudo dos outros. Mas foi inventado, primeiro difícil e anti-naturalmente e depois, gradualmente, à força da repetição, do estudo e da prática, tornou-se de tal forma em mim próprio que agora não seria capaz de escrever, pensar ou ser de maneira diferente (sempre assim às voltas, para trás e para a frente, em colunas e volutas, em rebiques e rapaqueques, em adornos e ornamentos, em testamentos, assim, barroco. Barroquista!).
Tudo aconteceu a 20 e qualquer coisa (2,3,4,5, por aí) de Agosto de 1999 – agora não tenho aqui os meus diários, não posso confirmar a data exacta, e talvez nem a Ana me saiba dizer, não foi com ela que se passou. O meu diário, muito impúdico, muito exibicionista, muito com vontade de ser lido... FOI LIDO. Foi devassado. Sem a minha autorização. Sem o meu consentimento. Para ser usado contra mim. Por desconfiança. E morreu!
Epílogo: (sobretudo dedicado a amenos)
O último paragrafo tinha de ser escrito assim por questões estilísticas e de força maior literária! O diário tinha de morrer depois desta história, e tive de matá-lo assim! (bem, ele morreu mesmo, mas a questão não é essa!). Não há absolutamente rancor nenhum, ressentimento 0, desconfiança ainda menos. Não é uma crítica nem uma reprimenda, não é para fazer ninguém sentir-se mal. É um conto baseado em factos reais (alguns mais irreais, outros mais surreais). Aliás o post é, quanto muito, uma homenagem e um agradecimento MUITO sincero por, ainda que involuntária e inadvertidamente, me teres lançado no caminho do barroquismo e do que sou hoje (e virei a ser amanhã). Por acaso naquela altura até estava a precisar daquela desconfiança e quem sabe como os caminhos da vida se teriam trilhado sem aquela guinada (nunca se pode saber, não é? Por isso não vale a pena pensar-se mais nisso). Obrigado amenos, pela preocupação ingénua e mais ou menos justificada e pela defesa acérrima de leoa da sua cria! Obrigado por te teres assustado tanto com um desvio tão pequenino (imagina se fosse agora que aqui estou, tão longe, e logo na Holanda... hahahaha!).
Obrigado pela parte que te toca no meu barroquismo (que não é amenos parte)
P.s. – faz parte do barroquismo, começar a escrever um post com um plano mais ou menos traçado, com três ideias pra elaborar, e terminar com uma pequena sonata do princípio do barroco italiano com os andamentos encadeados, ou uma mega-ricercata... à procura, à procura, à procura, até que descobre uma cadência e, pronto acabou... não há cá Dominante-Tónica- Dominante-Tónica- Dominante-Tónica- Dominante-Tónica- Dominante-Tónica-Dominaaaaaaaaaaaaaaaaante... Tóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóónica. Comecei com três linhas e acabei com... bem, ainda não acabei e já vou em mais de três páginas (o post está em documento word porque não tenho net, logo hoje que faço anos!!). O P.s. e o epílogo são uma coda... a música já acabou, mas não me apetece ceder já ao silêncio.
Logo agora que começava a ter leitores tenho de os afugentar comigo próprio. Quem é que vai ler o post até ao fim quem é? Eu sei! E comenta primeiro quem tiver a sorte ou azar de ligar a net mais cedo, mas sei quem é que vai comentar com mais entusiasmo e quem vai comentar com uma lágrima ao canto do olho e quem é que eu gostaria que comentasse e não o vai fazer!
Fim (tónica).




