domingo, setembro 27, 2009

Herhaling

"Há muito tempo que não existo. Estou sossegadíssimo. Ninguém me distingue de quem sou. Senti-me agora respirar como se houvesse praticado uma coisa nova, ou atrasada. Começo a ter consciência de ter consciência. Talvez amanhã desperte para mim mesmo, e reate o curso da minha existência própria. Não sei se, com isso, serei mais feliz ou menos. Não sei nada"

Citar de novo exactamente as mesmas palavras... e então, qual é o mal? Se afinal passou quase um ano e meio e as palavras parecem adequar-se tanto agora como em qualquer outra altura...
E sobretudo porque eu próprio não poderia ter falado com mais propriedade do z do que o Bernardo Soares, e por isso lhe tiramos, e à sua perspicácia e genialidade, o nosso chapéu imaginário...
Mas posso acrescentar, da minha lavra: "... nem sei mesmo quem sou nem o que posso reatar. Talvez tenha primeiro de desatar tudo, ficar sem nós e encontrar o fio à meada. E daí, talvez amanhã desperte para mim mesmo, talvez não. É que eu não sei mesmo nada, e não sei se alguém pode saber por mim e para mim."

O regresso

...
fim.